Opinião dos Leitores

Newsletter

Tradutor

Livros & Leituras TV

Entrevistas

OPINIÃO

Editorial: Fernando Pessoa e o Portugal dos pequeninos

OPINIÃO - Direcção Editorial

alt

Como escreveu um dia Fernando Pessoa: "Tudo vale a pena quando a alma é pequena".

Ontem, na véspera de se assinalar os 80 anos sobre a morte de Fernando Pessoa, a direção da revista Livros & Leituras tentou visitar a Casa Fernando Pessoa, em Campo de Ourique, Lisboa.

A tentativa revelou-se infrutífera. Nem a casa onde viveu o poeta, nem o restaurante e café "Flagrante Delitro" estavam abertos. Estavam, imaginem, a pintar o edifício.

Na véspera de se assinalar 80 anos sobre a morte de um dos maiores escritores portugueses de todos os tempos? Num domingo soalheiro? Com os restaurantes do Mercado de Campo de Ourique, a dois passos da Casa, a "rebentarem" de gente?

Haverá mais algum lugar no mundo onde isto possa acontecer?

Vivemos mesmo no Portugal dos pequeninos! É uma vergonha!!


Add a comment

Porque gostamos tanto de ler?

OPINIÃO - Colaboradores

alt

Ainda que Portugal apresente uns níveis baixos de literacia, a verdade é que todos gostamos de ler. Talvez sim ou talvez não, porque imagino que uma criança ou até mesmo um adolescente torça o nariz ao receber um livro como prenda. Obviamente esperavam outro tipo de presente que não os fizesse pensar na escola ou em estudar. Sim, os brinquedos ou os videojogos podem ser bem mais aprazíveis, capazes de criar um sorriso de orelha a orelha. Sorriso esse que, se calhar, não acontece quando oferecemos um livro, mas é possível que, só mais tarde, estes adolescentes se apercebam da falta de um bom livro. Não digo pela razão óbvia de conseguirem ser pessoas mais interessantes e cultas, mas falo da verdadeira magia que ficou escondida durante essa fase. A mim aconteceu-me isso: lia bastante em criança mas, ao entrar na adolescência, perdi o hábito (o gosto não, esse nunca o perdi) da leitura; estava mais interessada em acompanhar as séries do momento. Mas como a vida dá mil e uma voltas, hoje sou, com muito orgulho, uma leitora ávida.

A escritora espanhola Rosa Montero conseguiu explicar na perfeição aquilo que eu sinto em relação à leitura: "Se impedem as pessoas de sonhar, elas enlouquecem: está comprovado. Da mesma maneira que, sem romances, a Humanidade seria muito mais triste e doente".

A verdade é que ouvimos constantemente que a leitura é fundamental na vida de qualquer um. Claro que os motivos pelos quais temos de ler, pelo menos durante os anos escolares, são de que a leitura enriquece o vocabulário, não damos tantos erros e conseguimos expressar-nos melhor. É para isso que serve o PNL, para dominarmos quer a arte de bem falar, a eloquência, quer a arte de bem escrever. Ao lermos somos capazes de conquistar um auditório pois, depois, teremos uma enorme capacidade de manusear as palavras.

Mas quais serão os verdadeiros motivos para, depois da "obrigação", requisitar, pedir emprestado ou comprar um livro? Na minha opinião, um livro é muito mais do que um hobby, ainda que pareça piegas, um livro é, de facto, uma companhia.

Um livro permite-nos viajar e conhecer outros mundos sem sequer sairmos do nosso. Mas, por outro lado, acabamos mesmo por sair do nosso e esquecer aquilo que nos atormenta porque passamos a dar mais atenção ao desenrolar da história que nos é contada. As preocupações, os dissabores, as aventuras, as surpresas das personagens do que lemos cativam-nos de tal forma que, no momento em que folheamos, nada mais importa senão o destino das personagens.

Sou uma leitora ávida. Sim, é verdade. Sou assim porque, em cada livro que leio, existe sempre algo novo e intrigante que me faz continuar. Claro que todos nós já tivemos deceções com determinados livros, como tudo na vida. No entanto, as sensações positivas (alegria, prazer, riso) que um bom livro nos consegue proporcionar, fazem-me querer continuar a ler. Um bom livro pode e deve conter outros sentimentos menos agradáveis, como o da tristeza, desalento e consternação. Presumo que quantos mais sentimentos a leitura nos fornecer, melhor se torna o enredo e, consequentemente, o livro.

Qualquer que seja o livro, existe sempre um género que agrada a cada um. Sejam romances, policiais, thrillers, há sempre um apropriado à personalidade de cada pessoa. Afinal de contas, um livro é uma fantasia. É nesse mundo imaginário que procuramos aquilo que, no mundo real, não temos. Por isso, qualquer que seja a razão pela qual o escolhemos, é extraordinário deixarmo-nos surpreender pelo mistério.

Assim, um livro não só faz bem à saúde (pois até ajuda a prevenir o Alzheimer), como também é ideal para a alma, já que a revitaliza.

Mónica Pereira Gomes


Add a comment

Editorial: L&L junta-se a todos os que defendem a liberdade de expressão

Avaliação: / 1
FracoBom 

OPINIÃO - Direcção Editorial

alt

Apesar das ameaças dos radicais islâmicos que já recai sobre os órgãos de comunicação social de todo o mundo que resolveram, hoje, 14 de janeiro de 2015, solidarizarem-se com o jornal CHARLIE HEBDO, publicando a capa do referido órgão de comunicação social, a direção editorial da revista LIVROS & LEITURAS decidiu juntar-se, sem medos, a todos aqueles que, no planeta, defendem a LIBERDADE DE EXPRESSÃO.

Aqui está a capa do CHARLIE HEBDO: 

Também nós somos: JE SUIS CHARLIE!!

O diretor adjunto
Mário Gonçalves


Add a comment

A Casa de todas as Pessoa(s)

Avaliação: / 2
FracoBom 

OPINIÃO - Colaboradores

alt

A Casa Fernando Pessoa é uma casa portuguesa com certeza. Determinada em Campo de Ourique, Lisboa, alberga exposições de artes plásticas, colóquios, workshops e espetáculos diversos.

Campo de Ourique. Local onde Fernando Pessoa estabeleceu os seus últimos 15 anos de vida. O bastante. Ou não.

Fernando Pessoa fundou um pequeno universo versátil, onde, nos três pisos principais desmascaram-se sessões de leitura, de poesia, encontro de escritores, espetáculos musicais e de teatro. Uma programação inigualável e o mais diversificada possível.

A arte de ser inteligente traduz-se num estímulo à leitura de literatura portuguesa. O serviço edificante detém uma importância central. Focada no serviço público. Assim como a capacidade de transformar o mundo assume um papel fundamental para todos aqueles que queiram sentir-se persistentes através das palavras. Da sabedoria. Do poeta de todos os heterónimos.

A Casa Fernando Pessoa hospeda ainda uma imponente biblioteca que ocupa parte do piso térreo e do 1º andar. Além de ser um espaço especializado em poesia, é nesse cantinho enorme que se encontra exposto o “Retrato de Fernando Pessoa” pintado por João de Almada Negreiros em 1954 para o café Os Irmãos Unidos.

A imensidão de todos os sentires encontra-se aconchegada naquela que é considerada a maior casa portuguesa de todos os tempos. Os ensinamentos vivos, a imagem que reflete as mãos que escrevem. Ao desbarato. Ao que for. Um divertimento intelectual. Um entretenimento de leitura, que completa todas as horas. A mais do dia.

E para encerrar a peça, nada melhor que destacar o dia de todos os amores. Porque o amor deve ser partilhado. Na casa Fernando Pessoa, o dia dos namorados comemora-se de forma exímia. O amor paira no presente das 10h às 18h. Por volta  das 10h acontece a inauguração da Mostra Bibliográfica “Ama como o amor ama” (atual até dia 21 de Fevereiro). Os deliciosos poemas de Fernando Pessoa cruzam-se com a correspondência que trocou com a amada, Ofélia Queiroz.

Pelas 14h30 todos os destinos vão dar às duas fases do namoro entre Fernando Pessoa e Ofélia Queiroz. Visita guiada com lotação máxima de 40 pessoas, com direito a marcação prévia obrigatória, até às 21h00 de 13 de Fevereiro.

Por fim, pelas 16h, todos os desafios são válidos. Escreva uma carta de amor a Fernando Pessoa, explore todas as suas capacidades criativas e deixe-se embalar ao som da voz e de todas as palavras. Motivos suficientes para celebrar o amor. Motivos suficientes para comemorar a felicidade. Motivos  importantes para festejar a vida e tudo o que a rodeia.


Add a comment

António Ramos Rosa - Professor era assim que o tratava...

Avaliação: / 8
FracoBom 

OPINIÃO - Colaboradores

alt

Professor, era assim que eu o tratava, privamos pouco, o suficiente para entender de que matéria são feitos os génios, o suficiente para umas aulas grátis acerca de tudo de uma só vez, estávamos os dois sentados na sombra de uma palmeira, em pé uma nuvem de formandos que me acompanhavam.

-Sabe que o Pessoa foi um “manga-de-alpaca”? Disse.

-Sim professor, já li acerca disso, sei que sim.

-E sabe que o homem era tradutor, que trabalhava nas casas da baixa a troco de uns cobres? Um génio, um génio…

-Sim também li acerca do assunto.

Em cima da mesa de plástico branco, estavam suspensas pelo vento algumas folhas avulso, a mão trémula que as segurava era firme com a caneta, e assertiva nos traços do lápis.

Interromperam pertinentes alguns dos formandos.

-Professor gostamos muito de o ler, de ler o que escreve e agora de o ter conhecido pessoalmente, obrigada.

Saí em reforço da ideia, -Conte-nos o segredo das palavras.

-É só um, ler, ler muito, nos outros busco sempre inspiração para mim, nos Franceses, leio muito os Franceses, filosofia, gosto de ler filosofia.

Nos almoços que semanalmente partilhávamos, na mesma sala, a espaços, aquando da crueldade dos invernos, a tosse profunda invadia-lhe a alma e enchia a sala como só os especiais conseguem.

Ao lado, sempre ao lado a esposa, dedicada, preocupada, a inteligência em pessoa, Agripina de seu nome, Escritora, Sensível, Compreensiva, Mãe, Mulher, Amiga, com quem me orgulho de ter partilhado ideias e ideais e algumas manhãs na biblioteca.

O corpo de António Ramos Rosa vai a sepultar, o homem fica connosco e com as gerações vindouras, era até ontem o maior poeta Português vivo, é hoje o maior poeta Português contemporâneo, os homens deste tamanho não morrem, renascem a casa frase, a cada momento em que são lidos, a cada verso irregular, a cada metáfora, a cada dia novo.

Irregulares são também as vontades, a minha, a da sua vida eterna.

Bem haja professor.


Add a comment

PUB

NOVIDADES

A FRASE

A felicidade é um fruto que se colhe da felicidade que se semeia. (Autor desconhecido)

PUB

Faixa publicitária

Originais

Opinião