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Se não posso realizar grandes coisas, posso pelo menos fazer pequenas coisas com grandeza. (Clarck)

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Carlos Duarte: Gosto de imaginar as entrelinhas, o drama e a comédia humana por detrás do relato oficial

ENTREVISTAS - Escritores

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Quem é?

Um homem comum, apenas um contador de histórias.

Como e quando começou a interessar-se por literatura? 

Cedo, talvez com 10 ou 11 anos. Mexia desde essa época com a minha imaginação.

Por que motivo resolveu escrever livros?

Porque são mais interessantes de escrever do que obituários. Meio monótonos...

Qual foi a obra que mais gostou de escrever e por quê?

Todas, acho escrever lúdico, e é por essa razão que escrevo. Há quem diga que livros são como filhos e, de certa forma, são mesmo. Depois de gerados vêm à luz, independente da vontade do Autor. Escrevo porque não poderia não escrever.

Em que é que se inspira para escrever um livro?

Em fatos históricos com lacunas. Gosto de imaginar as entrelinhas, o drama e a comédia humana por detrás do relato oficial.

Se não fosse escritor, o que gostava de ser? 

Exercer a minha vocação, que é ser vagabundo.

Quais são seus autores preferidos? 

JORGE AMADO e Frederick Forsith

Que conselho daria a alguém que deseje vir a ser escritor? 

Ler MUITO antes de começar.

Para quando um novo projecto editorial?

Para amanhã, embora sem a certeza de conseguir.


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Henrique Borlina: Escrever é a transposição poética da realidade

Avaliação: / 7
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ENTREVISTAS - Escritores

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Quem é?

Um menino que sonha acordado. Que não fecha os olhos para nada que está à sua volta. Um observador doentio do ser humano e sua condição. Muitas vezes sou o carrasco que castiga o mal feito. E às vezes sou o garimpeiro, que busca encontrar no meio da água turva alguma jóia. Sou um teimoso que apesar de tudo, ainda põe fé na humanidade.   

Como e quando começou a interessar-se por literatura?

Pensar em estórias e enredos desde criança. Sempre fui imaginativo. Bastava uma palavra ou acontecimento que me chamesse a atenção, e então eu me perdia nos pensamentos. Tive um professor de português chamado Félix que nos obrigava, além de uma redação semanal, a ler um livro por mês, pelo menos. Já gostava de escrever as redações e até alimentava o sonho e o desejo de me tornar escritor. Mas tinha uma preguiça terrível de ler. Então eu lia o título do livro e o resumo do a obra se tratava. Daí eu apresentava o trabalho mensal de leitura de livros que de fato não havia lido. Eu inventava episódios que não existiam, modificava as características de personagens, etc. Acho que daí veio o desejo de escrever minhas próprias estórias. Sorte minha que o professor nunca percebeu o embuste. Ou, talvez, até tenha percebido, mas deixou que passasse para incentivar mais e mais aquela vontade de escrever.   

Por que motivo resolveu escrever livros?

Nunca pensei em publicar livros. Gostava de escrever. Escrevia para mim; era uma necessidade de expressão, quase um vício que trouxe da infância. Quando cresci tinha vergonha de mostrar o trabalho depois de pronto. Mas guardei o sentimento da felicidade que sentia quando o professor lia meus textos para a turma. E isso sempre acontecia, toda a semana. E esta coisa de escrever foi se avolumando em mim, crescendo. De tal forma que hoje penso em escrever 24 horas por dia. Mesmo que esteja fazendo outras atividades, advogando ou atendendo clientes, estou pensando em literatura. Procurando material para os textos. Sou inconformado com muitas coisas que acontecem ao redor. Acho que escrevo para que as pessoas despertem em si mesmas um pouco de autocrítica ou empatia. Escrever sempre esteve comigo. Acho que nasci com esta vontade de expressar meu sentimento sobre as coisas à minha volta. Sempre tive a nítida idéia de que escrever era a transposição poética da realidade. E tenho certeza que esta é a atividade que jamais deixarei de fazer.    

Qual foi a obra que mais gostou de escrever e porquê?

Gostei de escrever “Os Primos”, ainda inédito. Porque foi meu primeiro romance e pela forma com que me propús a contar a estória. E gostei de escrever “Com as Borboletas, a Noite”, que a Chiado Editora publicou, porque cada texto não me sai fácil. E por muito tempo me dediquei à escrita dos textos que estão no livro. Foi árduo o trabalho de escrever, corrigir, reler e reler muitas vezes. Mas eu me apaixonei pelas estórias, algumas delas até baseadas em fatos reais. E mais que isso, sempre me preocupei com a forma com que estas estórias deveriam ser contadas para que o leitor não se cansasse. Para que o texto provocasse interesse no leitor de ir até o fim da estória. Agora estou empenhado em escrever a novela “Enquanto Chovia” e estou gostando do resultado do livro. Aprendo muitas coisas enquanto escrevo. “Enquanto Chovia” está sendo mais fácil de escrever porque é narrado em terceira pessoa e a estória é linear. “Os Primos”, não. Foi mais difícil porque envolve muitos episódios contados de forma diferente por vários personagens. Mas foi igualmente prazeiroso escrevê-lo.  

Em que é que se inspira para escrever um livro?

Tudo à minha volta pode me inspirar a escrever um conto, uma novela ou mesmo um romance. O conto “O Cadáver e a Mosca”, por incrível que pareça, a primeira imagem que tive da estória foi a visão de uma mesa laqueada em branco com as pernas descascando. Logo pensei num cadáver estendido em cima da mesa e a história nasceu aí. Mas me inspiro em notícias de jornais, em coisas que me falam, em pessoas que observo. Muitas vezes a estória é construída em cima de um assunto que quero tratar. Por exemplo, no conto “A Barata e o Rádio” primeiro eu tive a idéia de escrever sobre a violência praticada contra as mulheres. E então pensei que muitas delas são agredidas por seus maridos no interior de suas casas e ninguém toma conhecimento disso. Então surgiu a idéia de colocar uma barata lá porque este bicho está em todo o lugar e conhece a intimidade de todo mundo. A novela “Enquanto Chovia” é sobre um dos grandes problemas que enfrentamos no Brasil e no mundo, a cultura da corrupção, do interesse pessoal que sobrepõe o interesse da coletividade, o egoismo e a arrogância humana. Estará tudo no livro. Também gosto de ouvir a rua. Sou um curioso. Sempre ouço a conversa alheia. Uma boa história pode estar ali, no meio da rua.    

Se não fosse escritor, o que gostava de ser?

Quando era criança queria ser veterinário, depois cineasta, jornalista, professor de literatura. Mas acabei estudando direito e ganho a vida como advogado. Hoje não me vejo fazendo outra coisa senão advogar. Me vejo sim é parando de advogar para me dedicar exclusivamente à literatura. Mas isso pode levar muitos anos. Uma coisa que também me motiva ser escritor é que posso ser o veterinário que não fui, o cineasta, o jornalista... Até a barata que invade a casa de uma mulher humilhada e subjugada pelo marido, ou uma mosca que passeia pelo corpo de um cadáver posso ser. E esta é a melhor das profissões.    

Quais são os seus autores preferidos?

Tenho muitos autores de que gosto muito. Mas tem um que amo apaixonadamente que é o Gabriel García Marquez. Amo a obra dele. Todos os livros. Li e reli muitas vezes, especialmente “Cem Anos de Solidão”, “Crônica de Uma Morte Anunciada”. Por influência dele conheci a obra de Ruan Rulfo, “Pedro Páramo” e “Chão em Chamas” e fiquei encantado. Eu amo livros. Gosto da obra do Adolfo Bioy Casares pela estranheza que a obra me causa. Gosto muito do Antonio Lobo Antunes e José Saramago. Li muito Hernest Hemingway e John Steinbeck. E no Brasil gosto especialmente de Jorge Amado e Machado de Assis. Acho que é isso, se continuar falando de livros e autores, escrevo cem páginas. Não posso deixar de citar o Mark Twain, que foi o primeiro autor que li na vida, ainda criança, e influenciou o desejo de me tornar escritor.      

Que conselho daria a alguém que deseje vir a ser escritor?

Escreva muito e leia mais ainda. Corrija, corrija e corrija setenta vezes sete. Deixe este desejo lhe tomar completamente. E quando você acorda pensando em escrever e vai dormir pensando em escrever, mesmo que não tenha escrito uma linha, já será um escritor.   

Para quando um novo projecto editorial?

Estou empolgado com o lançamento do livro “Com as Borboletas, a Noite”. Quero trabalhar a obra junto às livrarias, tanto aqui no Brasil como em Portugal e o resto da Europa, ouvir as críticas, conquistar leitores. Para o ano que vem pretendo publicar “Os Primos”. A vontade é publicar um livro por ano, ou a cada dois anos. Mas agora não sei como vai ser minha vida. Meu primeiro filho nasceu em agosto e o tempo que disponível para escrever está preenchido com a atenção ao bebê. Mas acho que vou dar conta. Coloco meu filho em cima da mesa e enquanto escrevo brinco com ele. Creio que ele me trará muita inspiração e força de vontade para continuar escrevendo.


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António Brito: Foi um grande click que me pôs a sonhar com a escrita

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António Brito lançou, em Novembro, o seu mais recente livro, “Sagal – O Profeta do Fim”, a sequela de uma inovadora saga de acção e aventura que promete deliciar os leitores ávidos por histórias de ritmo alucinante. A Livros & Leituras quis conhecer um pouco deste autor nascido perto de Coimbra, que combateu em África durante a Guerra Colonial, o seu percurso literário, onde encontra as ideias e o que poderemos esperar dos seus livros hoje e no futuro.

Livros & Leituras (L&L) – Como e quando nasce o interesse pela escrita?

António Brito (AB) – O meu interesse pela escrita é um sonho antigo; vem desde os treze anos, recordo-me bem. Um dia vi na televisão um programa sobre a vida de Ernest Hemingway, sobre os livros que escreveu, as suas aventuras na guerra, na caça, na pesca, e fiquei fascinado. Foi o grande click que me pôs a sonhar com a escrita e me entusiasmou para ler e devorar todos os livros que me vieram parar às mãos… até hoje.

L&L – Como chega ao mundo editorial?

AB – Depois de algumas tentativas há uns anos atrás junto de editoras, para publicar um texto que, pensava eu, podia dar um livro, tive de convencer-me que precisava de trabalhar e aprender muito mais sobre como escrever ficção. Foi o que fiz, através de estudo, cursos de escrita criativa, workshops de escritores, etc. Em 2007 conclui OLHOS DE CAÇADOR e apresentei-o à Sextante Editora. Gostaram do conteúdo e da forma, do estilo enérgico, e o livro foi publicado. Não houve nenhuma recusa depois da primeira apresentação.

L&L – Onde vai buscar a inspiração para escrever as suas obras?

AB – A inspiração é o resultado de muito trabalho de preparação para escrever o livro. Há um primeiro momento que nasce da ideia. Se a ideia faz sentido, crio uma sinopse e começo a contar a história numa dúzia de páginas. Tipicamente, “era uma vez”… Desse esboço inicial faço um plano para todo o livro: enredo, identificação do herói, dos vilões, caracterização das personagens, etc. Planeio tudo, sei como o livro começa, como evolui e como acaba; e até fico com uma ideia do número de páginas que vai ter. Sei que há autores que não planeiam nada, ou muito pouco. Eu preciso desse plano ainda antes de começar a escrever a primeira linha. Porquê? Porque quando a famosa inspiração não está nos seus melhores dias, eu só preciso de seguir o plano para ela acordar e voltar a dar brilho ao texto. Resumindo, a inspiração vai emergindo se soubermos para onde queremos ir. E eu sei. Sempre.

L&L – A saga "Sagal", promete ser uma colecção de livros protagonizados por este "herói feito em África". Como nasce este personagem e esta história e o que podemos esperar de ambos no futuro?

AB – SAGAL é um projecto literário inovador composto por uma série de livros orientados para o grande-público, para os leitores que gostam de livros de acção, entretenimento e aventura. O primeiro livro, lançado em Maio deste ano com o título SAGAL – UM HERÓI FEITO EM ÁFRICA, é o de apresentação da personagem: de onde vem, quais os seus dramas e motivações, a sua experiência africana, porque se chama Sagal, o que fez para chegar aqui e ser solicitado a prestar serviços pouco habituais. Este e os seguintes não são livros de guerra, não tratam dos conflitos de África, nem têm a ver com as pessoas que viveram nessas paragens. A intervenção de Sagal nas guerras de África serve apenas para ajudar o leitor a situar o percurso da personagem e, desse modo, não estranhar porque é que ele é capaz de agir como o faz, às vezes à margem da lei, usando métodos pouco ortodoxos.

A partir do segundo livro, SAGAL – O PROFETA DO FIM, que foi apresentado ao público em Novembro deste ano, Sagal torna-se a assinatura que identificará toda a série. Cada livro desta série contará uma história diferente, centrada na acção irreverente e peculiar de Sagal – combatente, sedutor, aventureiro, marginal, herói romântico. A personagem inspira-se nas minhas vivências e testemunhos, mas também na fantasia gerada por personagens como Corto Maltese (Hugo Pratt), como Henry Chinaski (Charles Bukowski), e Capitão Alatriste (Arturo Pérez-Revert). Sagal tem o cunho firme do aventureiro português da era moderna, enriquecido por pinceladas de aventureiros e vilões portugueses de antigamente, como Fernão Mendes Pinto, João Brandão e Zé do Telhado.

Para escrever as histórias de Sagal inspiro-me nas notícias contemporâneas conhecidas dos leitores. A partir desses eventos reais de marginalidade, com criminosos de colarinho branco – e sem colarinho –, de gente corrupta que age sob a capa da legalidade, de malfeitores que os cidadãos tinham por gente séria, vou construíndo histórias de ficção de onde emergem personagens vilões, e onde SAGAL é solicitado a intervir, por sua iniciativa ou a mando de alguém.

L&L – Tem, igualmente, gosto pela escrita para cinema. Pretende transformar alguma das suas obras em filme?

AB – Gosto muito de escrita para cinema, pela sua clareza, pela sua organização. Da minha formação em escrita criativa consta também a escrita criativa para cinema, não porque nesta fase queira escrever cinema, mas para trazer para as histórias e estrutura dos meus livros a emoção do cinema, a suas imagens, a sua cor, as suas técnicas para contar uma boa história. Gostaria muito que livros como OLHOS DE CAÇADOR e SAGAL, muito cinematográficos, pudessem ser adaptados ao cinema. Acredito que isso irá acontecer.

L&L – Como caracteriza o seu estilo literário?

AB – Consigo escrever com diferentes estilos, depende das histórias que quero contar, do ritmo que quero impôr às personagens. No livro O CÉU NÃO PODE ESPERAR o estilo é mais suave, introspectivo, procurando levar o leitor para a reflexão de temas como o amor infinito e a imortalidade. Já nos livros OLHOS DE CAÇADOR e SAGAL, o estilo é muito diferente, é intenso, espécie de staccato ou rap, telegráfico, duro, cortante, irónico, com humor, cheio de frases curtas, incisivas, adoçadas com erotismo, capaz de fazer o leitor imergir na história e deixá-lo lá agarrado, sem saber se é ficção ou realidade.

L&L – Qual foi o maior desafio que encontrou durante o processo criativo e editorial?

AB – O maior desafio que encontrei no processo criativo foi planear, estruturar e escrever o meu segundo livro O CÉU NÃO PODE ESPERAR. É um livro mais complexo que todos os outros porque não é uma história, mas três histórias a correrem paralelas em três séculos diferentes, com personagens diferentes, e que, a meio, se fundem numa única história. Este livro conta uma das mais belas histórias inseridas no realismo fantástico. O desafio editorial foi montar a série SAGAL; desde o primeiro dia que a Porto Editora pegou neste projecto de modo muito profissional em termos de marketing, distribuição e comunicação, variáveis muito desafiantes para se ter sucesso. Estou muito satisfeito com o trabalho realizado.

L&L – Que projectos pretende desenvolver no futuro?

AB – Continuar a expandir os livros da série SAGAL com o seu ritmo próprio e, em paralelo, escrever outros livros que já tenho projectados, com outro fôlego, com outra densidade, com outra profundidade.

L&L – Pretende dedicar-se à escrita a tempo inteiro ou conjuga-a com outras actividades?

AB – Desde há alguns anos que organizei a minha vida para me poder dedicar a tempo inteiro a escrever livros. Durante muitos anos tive outras actividades, mas a partir do lançamento de OLHOS DE CAÇADOR, decidi, finalmente, realizar o sonho daquele rapazito de treze anos que viu um programa de televisão sobre a vida de Ernest Hemingway, ficando fascinado pela literatura e pelas histórias que ela revela.

L&L – Se pudesse dar um concelho a novos autores, ou jovens talentos a despontar, o que diria?

AB – Primeiro, nunca desistir, por maior que seja a adversidade, por maior que seja o tempo para concretizar o sonho. Segundo, ler muito, devorar tudo o que apareça à frente: bons livros, maus livros, clássicos, modernos, banda desenhada, anúncios de jornais, bulas de medicamentos, etc. – todos, independentemente dos diferentes modos de estruturar os textos, contam uma história, transmitem uma ideia, tentam convencer-nos de alguma coisa. Para jovens, e menos jovens, autores que queiram escrever e publicar, são excelentes meios de aprendizagem. Terceiro, ter humildade para aprender com quem sabe mais do que nós, estudar com os que nos podem ensinar alguma coisa, e ter ousadia para arriscar na diferença; não ser seguidista de um autor consagrado ou de um estilo em moda. Ser diferente pode conduzir-nos a um beco sem saída (e aí há que recomeçar), ou pode atirar-nos para o alto, para o reconhecimento público. E isso vale a pena tentar.

António Brito tem quatro obras publicadas:

Olhos de Caçador (2010), publicado pela Sextante Editora

O Céu Não Pode Esperar (2010), publicado pela Sextante Editora

Sagal – Um Herói Feito em África (2012), publicado pela Porto Editora

Sagal – O Profeta do Fim (2012), publicado pela Porto Editora

A sua primeira obra, OLHOS DE CAÇADOR, foi elogiada como uma das mais detalhadas e realistas obras escritas em língua portuguesa sobre a Guerra Colonial.


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João Cerveira: Não há escritor que (se) não tente e que não teime

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Quem é?

Nasci no Lobito, em Angola, a 3 de Fevereiro de 1960.

Vim para Portugal com meus pais, irmã, tios e primos, antes do 25 de Abril de 1974.

Há três décadas que sou docente.

Fixei residência em São Pedro do Sul por paixão pelas Serras da Arada e da Gralheira.

Sou casado e tenho dois filhos.

Quanto eu haverá milhões, mais que eu ninguém gostará de viver.

Como e quando começou a interessar-se por literatura?

De menino que dou e recebo livros. Emprestei muitos. Troquei tantos.

Devo-o a meus pais, naturais de terras do Dão, e a bons professores.

Por que motivo resolveu escrever livros?

Não escrevo para editar livros. Escrevo por precisão. Tento(me) e teimo.

É fruto disso e do picar insistente de gente mais e menos chegada.

Qual foi a obra que mais gostou de escrever e porquê?

Tenho dois livros publicados. Ainda os não li.

Fazê-los foi fazer amor com tudo o que o amor nos faz.

Em que é que se inspira para escrever um livro?

No que sou, somos. Tudo e nada é meu, nosso.

Assim os livros.

Se não fosse escritor, o que gostava de ser? 

Escritor é outro que não eu.

É verdade que escrevo muitas vezes e é verdade que, quando escrevo, (me)tento e teimo muito.

Outras, muito poucas, de pouco disso (me)preciso.

Quais são seus autores preferidos? 

Agostinho da Silva, António Lobo Antunes, Aquilino Ribeiro, Eugénio de Andrade, Enid Blyton, Jorge Amado, José Eduardo Agualusa e José Cardoso Pires.

Que conselho daria a alguém que deseje vir a ser escritor?

Que tente e que teime.

No tentar aposta, no teimar conquista.

Não há escritor que (se) não tente e que não teime, primeiro.

Depois, conquista(nos).

Para quando um novo projecto editorial?

Para o início de 2013, dependesse só da minha vontade.


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Miguel Leal: Há um espírito criador dentro de mim que me dá ganas de criar coisas

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Quem é?

Olá! Eu sou o Miguel, mais pomposamente como aparece nas capas dos meus livros Miguel Viegas Leal, mas acrescentem-lhe o António como segundo nome. Sou um puto de dezasseis anos e adoro ler e escrever; dizem que agora me armei em escritor mas, na verdade, eu não sou mais que um mero estudante que gosta de escrever e ver as suas criações publicadas.

Como e quando começou a interessar-se por literatura? 

Não sei exactamente quando mas foi há muito tempo. Comecei a ler grandes histórias e livros grossos, que a minha mãe me oferecia, desde os meus seis ou sete anos. Por essa altura, achava que ler era uma grande perda de tempo mas acabei por apanhar o gosto à medida que me ia apercebendo que ao ler um livro um filme se desenrolava na minha cabeça, e eu adoro isso. Os primeiros livros que li foram os da colecção "Uma Aventura" e o "Bando dos Quatro", mas rapidamente parti à descoberta de outras paragens.

Por que motivo resolveu escrever livros?

Nunca pensei em escrever um livro, nem resolvi escrever um. Penso que não tenho motivo nenhum para escrever livros mas a verdade é que existe uma espécie de espírito criador dentro de mim e dá-me ganas de criar coisas. Até então, nunca tinha achado nenhuma maneira de criar e dar aos outros para admirarem as minhas criações. Foi uma vez que ao ler o livro "A Manopla de Karasthan" de Filipe Faria, um jovem autor que começou a escrever aos quinze anos, pensei porque não haveria eu de criar também uma história - ou várias -, e tinha catorze na altura. Na verdade, foi ele um dos grandes provocadores da criação da minha primeira obra e o maior influenciador da minha escrita.

Qual foi a obra que mais gostou de escrever e porquê?

Até ao momento já escrevi dois livros, "Passagens d'O Continente" pela Chiado Editora e "O Demónio Das Uvas", um romance que ainda se encontra em vias de edição. Tive um enorme prazer em escrever os seis contos do primeiro livro, mas foi este último "O Demónio Das Uvas" que mais gozo me deu não só pelo facto da minha escrita ter evoluído e se ter tornado mais madura mas também por ter elaborado várias pesquisas e consultas para a sua elaboração, que contribuiu para a experimentação de novas maneiras de escrever e enriquecer a obra com assuntos mais intrigantes. Mas neste momento estou escrevendo um livro com outro escritor e estou bastante curioso do que dele sairá, porque escrevê-lo tem sido bastante divertido e já soltei umas belas gargalhadas.

Em que é que se inspira para escrever um livro?

Lá está a tal pergunta praxe! Em tudo! A minha inspiração vem de fora e não de dentro, como alguns dizem, é bastante difícil sermos verdadeiramente originais se não nos abrirmos para as coisas novas do exterior, tento observar tudo o que me rodeia sem deixar escapar detalhe algum e retirar algo de útil disso, pois é nisso que se vai basear um capítulo das minhas histórias. Para que esta resposta não fique demasiada abstracta, posso me inspirar, por exemplo, numa pessoa, num acidente, num livro, num filme ou noutra coisa qualquer já criada pois todos nós nascemos cópias e morremos plágio, como uma vez muito bem ouvi.

Se não fosse escritor, o que gostava de ser? 

Eu não sou escritor, não profissionalmente, até porque não sou lá muito bem pago mas não me posso queixar. Seria mais correcto se me chamassem um criador. Na verdade, sou apenas um estudante, neste momento, e é nessa profissão que me quero concentrar, até não atingir outro patamar. Mas para responder a essa pergunta, se não fosse escritor só mesmo piloto de aviões, a minha grande paixão. Ou astronauta.

Quais são seus autores preferidos? 

Ui! Tenho uma lista quase infindável! Estou a gozar!  Adoro a ironia do Eça de Queirós, as frases sem vírgulas do Saramago, as grandes narrativas cheias de acção e suspense do Ken Follet e os inteligentíssimos policiais de Rex Stout. Não tenho um autor que possa dizer que é o meu favorito pois gosto de ler variadíssimas coisas e cada escritor tem o seu traço particular que o caracteriza e faz dele único.

Que conselho daria a alguém que deseje vir a ser escritor? 

Que o não tentem ser. Ou pelo menos o não sejam. Que se deixem levar pelo que vos vai na alma e não tentem, nunca, ser só mais um; devem descobrir a vossa maneira própria e autêntica de escrever e tentarem se destacar por isso. Escreventes, escrevinhadores, ou o que queiram chamar, há muitos, agora escritores novos, que primam pela verdadeira originalidade, esses são poucos. Além disso, leiam coisas diversas e não se concentrem num só género ou autor, e, se quiserem escrever bem, tentem achar o vosso género literário, escrevendo de todos eles um pouco. Mas, sobretudo, nunca desistam dos vossos sonhos pois, segundo Talal Husseini, "o poder de um Homem é tão ilimitado quanto é a sua capacidade de sonhar". Por isso, sonhem bem alto, o máximo que consigam, e não se preocupem com o que os outros dizem dos vossos arriscados sonhos, o que interessa é que lutem por eles.

Para quando um novo projecto editorial?

Não consigo adivinhar o futuro! Estou a escrever um livro, há já uns meses, com outro escritor mas não posso avançar muito mais porque o segredo é a alma do negócio, aviso já que é algo de inovador, uma maluqueira que não cabe na cabeça de alguém que seja sadio, mas estou já a planear um outro novo romance. Talvez lá para o início do próximo ano vejam qualquer coisinha. E no final deste, o livro que acabei ainda hoje!


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