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Sandra Meireles: "Escrever, para mim, é tornar imortal a minha voz"

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Sandra Meireles nasceu em 1981, em Serra Azul de Minas, uma pequena cidade no interior de Minas Gerais, Brasil. Aí passou toda a sua infância rodeada pelo afeto da família e dos amigos. Com eles aprendeu tudo aquilo que engrandece o ser humano: amor, dignidade, fé, respeito e perseverança. Vive, atualmente, em Lisboa, onde frequenta o curso de Ciências da comunicação na Universidade Autónoma. Tem paixão pela escrita e pela leitura. O seu primeiro livro infantil intitula-se “O sonho da estrela guia”, Chiado Editora.

Livros & Leituras – Que significado tem para si o ato de escrever e a partir de que altura este se tornou “profissional”?

Sandra Meireles – Escrever, para mim, é tornar concretas as minhas ideias. É tornar imortal a minha voz. Pois acredito que as palavras expressadas oralmente perdem o seu valor, ou seja, deixam de existir com o tempo, enquanto as palavras escritas são eternas. A minha escrita tornou-se profissional, a partir do momento que acreditei que a mesma seria útil e que alguém se identificaria com ela.

L&L – É preciso ser um bom leitor para se ser um bom escritor?

SM – Há quem diga que não. Eu direi que sim, porque “escrever” é a cara-metade do “ler”. Se eu não tenho um bom hábito de ler, obviamente não terei um bom desenvolvimento na escrita. Até mesmo porque ninguém aprende algo sozinho, é preciso conhecer o trabalho do próximo para planear o nosso.

L&L – O seu trabalho é versátil ou, pelo contrário, tem um estilo muito próprio e facilmente identificável pelos leitores?

SM – O meu trabalho está construído no meu estilo próprio, de fácil compreensão e de forma muito identificável pelos meus leitores

L&L – Áreas como, por exemplo, a ilustração e a música têm vindo a afirmar-se na sua relação com a Literatura. Como encara esse facto?

SM – Para mim, é um facto verdadeiramente positivo e construtivo. Acho que faz todo o sentido a relação entre a ilustração, a música e a literatura. São três “ferramentas” poderosíssimas para a moldagem de uma “mente” aberta.

L&L – A tradição oral representa, nalguns países da lusofonia, uma importante marca de identidade cultural. A globalização e a dificuldade em editar podem ser uma ameaça à perda desse património?

SM – Eu não vejo o processo da globalização como uma ameaça para a perda deste património, mas sim como uma oportunidade de expansão desta cultura. Até mesmo porque é cada vez mais fácil editar, portanto, vejo a globalização como um contributo.

L&L – A Língua Portuguesa é uma mais-valia no panorama literário mundial?

SM – Não há sombra para dúvidas que sim. Temos brilhantíssimos autores, com mensagens únicas, e a nossa língua é romântica, única, sendo a quinta língua mais falada no mundo, é sempre uma mais-valia.

L&L – Quais os seus escritores lusófonos favoritos e porquê?

SM – Poderia citar uma lista interminável deles: brasileiros, angolanos, portugueses. Mas para já fico com a Clarice Lispector, Monteiro Lobato e Cecília Meireles. São uns génios na escrita, de referências inigualáveis, com um poder mágico de elaborar palavras, histórias e livros, que sempre me cativou.

L&L – Ao nível da Literatura, que medidas poderão ser implementadas para que o universo lusófono seja uma realidade mais coesa entre escritores de diferentes nacionalidades?

SM – Poderão implementar por exemplo, encontros literários internacionais, não só com escritores lusófonos, mas também com outros de outras nacionalidades. Pois o universo literário é tão amplo, com riquíssimas obras por explorar, de grandes intelectuais que por vezes nos passam despercebidos.

L&L – A Internet e os recentes suportes informáticos contribuem para o reforço e promoção do seu trabalho?

SM – A Internet é meio caminho andado, neste século dominado pelas tecnologias. Cada vez mais une as pessoas “virtualmente”, e esta ferramenta, sem dúvida, que é um meio contribuinte para a promoção e divulgação dos nossos trabalhos.

L&L – Qual o maior desafio que já enfrentou ou que gostaria de enfrentar em termos profissionais?

SM – O maior desafio que gostaria de enfrentar: abrir um biblioteca e dedicar os meus dias ao serviço dos livros.

*Entrevista realizada no âmbito do “Munda Lusófono – 3º Encontro Literário de Montemor-o-Velho”


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João Nuno Azambuja: "Gosto de explorar, talvez seja por isso que escrevo"

ENTREVISTAS - Escritores

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Livros & Leituras - Quem é?

João Nuno Azambuja nasceu em Braga em 1974, o ano da revolução. Licenciou-se em História e Ciências Sociais e dedicou-se à arqueologia como voluntário. Foi também como voluntário que prestou serviço nas tropas paraquedistas. Regressado à terra construiu um bar de inspiração celta, onde se realizaram concertos memoráveis de bandas folk ibéricas. "Era uma vez um homem", livro premiado pela União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa, foi o seu primeiro livro.

L&L - Como e quando começou a interessar-se por literatura?

JNA - Julgo que começou com a banda desenhada. Eu tinha uns sete ou oito anos quando li o primeiro livro do Asterix. Fiquei tão fascinado que não desisti enquanto não os li todos. Os meus colegas da escola admiravam-se comigo porque achavam que eu demorava muito a lê-los (é que eu lia-os realmente, enquanto eles só viam os desenhos, era o que me diziam). A partir daí achei que também podia atrever-me a escrever aventuras, e escrevi algumas que desapareceram com os anos de experiências de infância e juventude. Quando vi que era altura de escrever a sério, fui guardando os rascunhos.

L&L - Por que motivo resolveu escrever livros?

JNA - Na resposta anterior já me refiro a um desses motivos, porque há outros. O principal deles é ter alguma coisa importante para dizer, para partilhar. Escrever não é só dizermos o que pensamos, também é pormo-nos na cabeça dos outros e escarafunchar o que se passa lá por dentro, somos uns bisbilhoteiros de consciências. Gosto de explorar, talvez seja por isso que escrevo. Explorando descubro-me a mim e revolvo mistérios que me exaltam a curiosidade.

L&L - Qual foi a obra que mais gostou de escrever e porquê?

JNA - Tenho somente um livro publicado, uma novela chamada "Era uma vez um homem", que venceu o primeiro concurso literário da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (concurso de toda a lusofonia), mas isso não quer dizer que só tenha escrito esse, nem foi sequer o primeiro, porque na minha oficina já trabalho há muito tempo. As outras obras estão inéditas, mas a prepararem-se para a publicação. Refiro o nome de uma delas, é um romance intenso de aventuras chamado "O rasto da Fénix", que pode ser descrito como uma viagem pela condição humana. Foi talvez este que mais gostei de escrever, encheu-me de desafios, apresentou-me obstáculos que à partida pareciam impossíveis de superar. Consegui superá-los e fiquei feliz por isso, cheguei ao fim tão cansado como realizado. Vai valer a pena ler. O "Era uma vez um homem" é mais violento, é chocante, uma crítica mordaz ao mundo atual, e obriga o leitor a inserir-se na mente do homem (a personagem principal) e a pensar como ele. Cativa a atenção (o escritor Miguel Real chegou a dizer que as palavras deste livro sentem-se na carne).

L&L - Em que é que se inspira para escrever um livro?

JNA - Inspiro-me em tudo o que existe à minha volta, na realidade, na sociedade, em tudo o que é belo e em tudo o que é feio, em tudo o que é bom e em tudo o que é mau, no nexo e na incongruência, na verdade e na mentira, na nudez do mundo e na aparência de que se veste. As sensações que tudo isto me provoca obrigam-me a escrever.

L&L - Se não fosse escritor, o que gostava de ser? 

JNA - Não sei se sou escritor, mas é o que mais quero ser. Se me perguntasse: o que quer ser quando for grande, talvez não respondesse que queria ser escritor, talvez respondesse: quando for escritor quero ser grande. Só serei escritor se os meus livros forem bons, senão não vale a pena.

L&L - Quais são seus autores preferidos? 

JNA - Marguerite Youcenar fascina-me. Não percebo como é que não foi distinguida com o prémio Nobel da literatura. Outros escritores que ganharam o Nobel são inferiores a ela. Fernão Mendes Pinto foi outro autor que me marcou profundamente. Em geral gosto dos clássicos, não consigo estar muito tempo longe deles, atraem-me. Petrónio, Séneca, Homero, Vergílio, Horácio, Ovídio, e outros, são indispensáveis na minha biblioteca.

L&L - Que conselho daria a alguém que deseje vir a ser escritor? 

JNA - Que escreva o que sente, que não procure escrever para mostrar que sabe escrever mas para partilhar o seu pensamento. Deve também ler, mas que leia aquilo que goste. Ser obrigado a ler só para acrescentar um livro ou um autor à sua bagagem é algo próximo da tortura. Schopenhauer dizia que era bom que quando comprássemos livros comprássemos também tempo para os ler. Se isso não é possível, para quê desperdiçar tempo?

L&L Para quando um novo projeto editorial?

JNA - Pelos meus desejos será o mais brevemente possível, mas as editoras têm os seus calendários muito próprios. Em 2017 conto ter mais livros nas livrarias, além do premiado "Era uma vez um homem" (que está na FNAC).

Agora que já conhece a revista Livros & Leituras, que opinião tem deste projeto editorial sem fins lucrativos?

Quem se dedica a um projeto sem fim lucrativos é porque gosta do que faz, e isso significa que o resultado é genuíno

João Nuno Azambuja. Braga, 24 de Outubro de 2016.


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Tomás Lima Coelho: "Para se escrever um livro de qualidade aceitável tem de se ler pelos menos cem"

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Tomás Lima Coelho nasceu em Angola, em 1952, e é o mais velho de cinco irmãos. Percorreu grande parte do território angolano porque o pai, natural do Lobito e funcionário das Finanças estava, por esse motivo, sujeito a deslocações periódicas com a família sempre a acompanhá-lo: Lândana, Caconda, Caála, Camacupa, Bié e, finalmente, Malanje. Em consequência da guerra civil, que em 1974/5 assolou Angola, veio para Portugal, onde reside desde então. É casado com Ilda Coelho, tem dois filhos e uma neta. Há mais de uma década que se dedica ao estudo da História e das Literaturas de Angola. É autor do romance histórico “Chão de Kanâmbua” (Chiado Editora, 2010), coautor e organizador de “Malanje. O Tempo e a Memória” (Edição de Autor, 2013) e “Malanje. Suas Gentes” (Edição de Autor, 2015). É também autor da obra “Autores e Escritores de Angola (1642-2015)”. Participação nas seguintes coletâneas e antologias: “Entre o Sono e o Sonho” – Antologia de poesia contemporânea – Tomos II e III (Chiado Editora, 2011 e 2012), “Ocultos Buracos” – Coletânea de contos (Pastelaria Studios Editora, 2012), “Alhos Vedros da Minha Alma” – Antologia de contos (Academia 8 de Janeiro de Alhos Vedros, 2013) e “Taras de Luanda II” – Antologia de crónicas e contos (Chá de Caxinde, 2016).

 

Livros & Leituras – Que significado tem para si o ato de escrever e a partir de que altura este se tornou “profissional”? 

Tomás Lima Coelho – “Profissional” entre aspas, isso mesmo. Escrever é, para mim, uma forma de partilha. Ninguém escreve só para si, na minha opinião. No meu caso, curioso e apaixonado que sou pela História da África e de Angola em particular, é através da escrita que procuro partilhar com os leitores essa paixão e os conhecimentos que vou adquirindo. Desde muito cedo que a escrita tem sido natural em mim e sempre incentivada desde muito jovem pelos meus pais e professores.

 

L&L – É preciso ser um bom leitor para se ser um bom escritor?

TLC – Claro que sim. Digo sempre aos aspirantes a escritor que para escreverem um livro de qualidade aceitável têm de ler pelos menos cem. E essa leitura tem que ser a mais abrangente possível em termos de autores e géneros literários, desde os clássicos à literatura de cordel, passando também pela banda desenhada e pelos jornais. Ler, ler, ler tudo o que passe em frente dos nossos olhos.

 

L&L – O seu trabalho é versátil ou, pelo contrário, tem um estilo muito próprio e facilmente identificável pelos leitores?

TLC – Se tivesse que me definir a mim próprio diria que sou um contista-novelista. Como traço de identidade da minha escrita talvez me reconheçam porque tenho sempre Angola como pano de fundo naquilo que vou produzindo.

 

L&L – Áreas como, por exemplo, a ilustração e a música têm vindo a afirmar-se na sua relação com a Literatura. Como encara esse facto?

TLC – É um percurso antigo e uma relação natural. As Artes, que sempre procuram exprimir o belo, tendem cada vez mais a aproximar-se e a unir-se, sem esforço, sem imposições e sem dogmas. Veja-se a atribuição do Prémio Nobel da Literatura no ano de 2016, por exemplo.

L&L – A tradição oral representa, nalguns países da lusofonia, uma importante marca de identidade cultural. A globalização e a dificuldade em editar podem ser uma ameaça à perda desse património?

TLC – Pelo contrário, penso que a oralidade só terá a ganhar com a globalização e com a dificuldade em editar. Nos meios mais pobres das nossas sociedades, e também nos meios rurais, o contador de histórias terá sempre um lugar de destaque. Veja-se em África o exemplo dos griot, contadores de histórias que se deslocam de povoado em povoado transmitindo oralmente as sabedorias ancestrais e que são muitíssimo respeitados. Mesmo que um dia toda a gente saiba ler e escrever, a tradição de contar e ouvir histórias oralmente não desaparecerá. Estou plenamente convencido disso. A voz tem ritmos e nuances que a escrita nunca poderá transmitir.

L&L – A Língua Portuguesa é uma mais-valia no panorama literário mundial? 

TLC – Claro que é, ou melhor, pode vir a ser. Digo isto porque as literaturas anglófonas e francófonas ainda dominam os mercados literários. Mas se virmos o potencial de Portugal, Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, S. Tomé, Timor, Guiné Bissau, Macau, Goa e mais alguns pequenos locais onde se as comunidades se entendem em português, sabendo nós da grande quantidade de autores a produzir literatura nestes países, não há como não crescer se houver uma estratégia comum, a todos os títulos desejável, a começar pela tradução das obras de autores da língua portuguesa para outras línguas. Os autores traduzidos são ainda muito poucos.

L&L – Quais os seus escritores lusófonos favoritos e porquê?

TLC – Esta é uma pergunta difícil para um leitor compulsivo como eu, porque gosto de muitos e é complicado escolher um, dois, três ou vinte. Por isso vou apenas deixar sugestões do meu gosto pessoal, uma por cada país falante em português: Eça de Queirós (Portugal), Jorge Amado (Brasil), Mia Couto (Moçambique), José Luandino Vieira (Angola), Francisco José Tenreiro (S. Tomé), Luís Cardoso de Noronha (Timor), Filinto de Barros (Guiné-Bissau), Germano Almeida (Cabo Verde), Orlando Costa (Goa). Mas há tantos, tantos outros, que quase sinto que estou a traí-los... E se já é difícil escolhê-los, mais difícil me é dizer porque gosto deles. Nem arrisco, porque não quero meter-me na pele de um crítico literário.

 

L&L – Ao nível da Literatura, que medidas poderão ser implementadas para que o universo lusófono seja uma realidade mais coesa entre escritores de diferentes nacionalidades?

TLC – Esse é um problema que estamos com ele, utilizando o jargão angolano. Não há uma eficaz circulação de obras e de autores entre os países falantes da língua portuguesa. Essa circulação, reduzidíssima, apenas se faz pelo esforço pessoal de alguns escritores ou pela força de algumas editoras mais poderosas. Curiosamente até dispomos de uma instituição que poderia, ou melhor dizendo, deveria trabalhar mais nesse sentido, o da divulgação e circulação de obras e autores, implementando protocolos com as editoras, as transportadoras e as gráficas dos países lusófonos: estou a referir-me à CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, cuja sede se encontra em Lisboa. Mas, infelizmente, esta instituição trata da Cultura como todas as outras instituições, ou seja, a Cultura é sempre quem tem o orçamento mais baixo e é sempre na Cultura que se corta primeiro quando há que reduzir custos. Tenhamos esperança que os dirigentes daquela instituição venham a reconhecer um dia a importância da divulgação da Língua Portuguesa no Mundo.

L&L – A Internet e os recentes suportes informáticos contribuem para o reforço e promoção do seu trabalho?

TLC – Claro que sim. Não só na pesquisa mas também na divulgação através das redes sociais. A Internet e a informática são utilíssimas! Até custa a acreditar que, com as ferramentas de que dispomos hoje, ainda se consiga escrever com erros...

L&L – Qual o maior desafio que já enfrentou ou que gostaria de enfrentar em termos profissionais?

TLC – No meu caso não posso dizer “profissional”, porque o não sou, mas o maior desafio que já enfrentei foi precisamente a construção do meu último trabalho “Autores e Escritores de Angola (1642-2015)”. Foram dez anos de pesquisas, sendo os últimos cinco de um trabalho muito intenso e absorvente no que respeita às horas diárias que despendi com ele. Durante todo este tempo fui apenas um copista, um acumulador de dados, e descurei a parte da ginástica mental que é necessária manter para escrever coisas próprias. Vou agora ter que retomar esse exercício, o de ir escrevendo até que a escrita flua novamente com naturalidade. Portanto, este é agora o meu próximo desafio: reaprender a escrever coisas da minha lavra.

 

*Entrevista realizada no âmbito do “Munda Lusófono – 3º Encontro Literário de Montemor-o-Velho”


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Sílvia Mota Lopes:« Mia Couto é um dos meus escritores favoritos pela sua “garra” à terra e ao mundo»

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Sílvia Mota Lopes nasceu, em Braga, Abril de 1970. É educadora de infância. Desde muito cedo manifestou gosto por todas as expressões artísticas como pintura, desenho, música e poesia. Começou a pintar em 1993, efetuando diversas exposições de pintura com o tema “Mito. Sonho. Realidade”. Realizou uma exposição com as telas da história Alícia no Bosque em 2011 na livraria Centésima Página e mais tarde outra com o tema “Pinto Palavras”. Pintura e Poesia. Escreveu e Ilustrou o Livro “Alícia no Bosque” editado em dezembro de 2012 – 1º livro da Coleção “Novelos de Contos Meadas de Palavras”. Escreveu o Livro “ Ser Dia e Noite Ser” editado em novembro 2013 – 2º livro da Coleção “Novelos de Contos Meadas de Palavras” com ilustração de Sandra Fernandes. Participou nas exposições da associação “Recortar Palavras” com poemas e textos de Alice Cardoso. Ilustrou um livro solidário para a associação “Acreditar” “ A Magia de Auris” de Patrice Pacheco. Editora Edita-me. Escreveu um conto com o tema “liberdade, Medo e Solidão” que ficou selecionado num concurso para fazer parte de uma coletânea de contos “ Coletânea Penélope” editado em Novembro de 2014 – Editora Livros de Ontem. Ilustrou o livro de poesia “ Chegaste Primeiro” de Carlos Nuno Granja editado em 2014. Editora Livros de Ontem. Editou o CD da “Alícia no Bosque” narração da história: Sara Machado, música e piano Célio Peixoto. Cantado pelo coro de Iniciação da Companhia da Música sob direção da Alexandra Soares Ribeiro. Escreveu “É Aqui que Ela Mora” – 3º livro da Coleção Novelos de Contos Meadas de Palavras- Texto (poesia) ilustração de Carla Pinto e Músicas de Célio Peixoto – Edita-me Editora. Ilustrou um livro de José Abílio “ O cavalinho que queria saber a que cheira a primavera”. Colabora como ilustradora solidária para a associação Ajudaris. Organizou e participou na exposição coletiva “Substratos Desenhos & Ilustrações” na livraria Centésima Página. Realizou uma exposição com o tema “Ponte de Lima e as suas Lendas” na Biblioteca Municipal de Ponte de Lima. Foi estreia no dia 19 de março de 2016 pelo coro e orquestra na Companhia da Música o tema “ Doce anjo da Música” letra de Sílvia Mota Lopes e Música de Célio Peixoto. Escreveu o texto para a Ópera Infantil “Pássaro Mil Cores”, música: V.I. Shestakova/ orquestração e adaptação Célio Peixoto, canções de Silas Pego e texto de Sílvia Mota Lopes. Orquestra e coro do Conservatório Bomfim. Ilustrou recentemente um livro solidário, texto de Marta Lino. Vai ser editado em outubro de 2016.

Livros & Leituras – Que significado tem para si o ato de escrever e a partir de que altura este se tornou “profissional”? 

Sílvia Mota Lopes – Escrever para mim, mais do que dar vida às palavras ou escrever como um ato de comunicar com os outros, é inteiramente um ato de libertação e de criação intrínseca e extrínseca. Quando crio, seja através da escrita, seja através da expressão pictórica, sinto-me de certa forma livre, mas com algum sentido de responsabilidade. Responsabilidade não necessariamente em relação aos outros, mas essencialmente em relação a mim mesma. Escrevo de um modo espontâneo, emocional, mas também com alguma preocupação estética. Escrever é libertação e cura, mas também cogitação e crescimento. Quando escrevi a minha primeira história não a escrevi com a intenção de editar. Aconteceu tudo naturalmente. Foi pintura, música, teatro, tudo isto antes de se materializar em livro. Escrevo de uma forma mais consciente e real desde 2012.

L&L – É preciso ser um bom leitor para se ser um bom escritor?

SML – Sim, creio que é preciso ler outros livros, outros escritores, para se ser um bom escritor, porque nos enriquece bastante. Um escritor não deve restringir-se apenas àquilo que escreve. Ler outros livros, outros autores, enriquece-nos a todos os níveis e acredito que é nessa diversidade que conseguimos também ter a nossa própria identidade.

 

L&L – O seu trabalho é versátil ou, pelo contrário, tem um estilo muito próprio e facilmente identificável pelos leitores?

SML – O meu trabalho na sua versatilidade tem um estilo próprio e identificável pelos leitores. Tem a minha impressão digital, corpo e alma.

 

L&L – Áreas como, por exemplo, a ilustração e a música têm vindo a afirmar-se na sua relação com a Literatura. Como encara esse facto?

SML – A ilustração, a música e todas as outras formas de arte têm uma relação amorosa com a literatura. Ainda bem, pois ainda mais a valoriza. No meio dessa “salada de fruta” penso que todos os frutos saem beneficiados se bem combinadas as características de cada um.

L&L – A tradição oral representa, nalguns países da lusofonia, uma importante marca de identidade cultural. A globalização e a dificuldade em editar podem ser uma ameaça à perda desse património?

SML – Sim, a tradição oral representa uma importante marca de identidade cultural que se vai perdendo no tempo se as entidades responsáveis não promoverem atividades para o efeito e se não houver investimento na edição da mesma levando à perda desse património.

L&L – A Língua Portuguesa é uma mais-valia no panorama literário mundial? 

SML – Sem dúvida que é uma mais-valia no panorama literário mundial. Desde sempre, no espaço e no tempo, a língua Portuguesa foi um fator de comunicação e de influência cultural em todo o mundo.

L&L – Quais os seus escritores lusófonos favoritos e porquê?

SML – Mia couto é um dos meus escritores favoritos pela sua “garra” à terra e ao mundo. Pela sua sensibilidade. Pela sua surpreendente forma de reencarnar diferentes personagens e a forma cuidada como lhes empresta o corpo e a alma. É um excelente comunicador, um grande contador de histórias e romancista, mas também um grande poeta. José Eduardo Agualusa é outro escritor de que gosto bastante pela sua polivalência. Li há pouco tempo O livro dos camaleões, livro de contos, onde se relevam personagens, reais ou imaginárias, que percorrem a história. Cativou-me a beleza da escrita e a arte narrativa da obra.

L&L – Ao nível da Literatura, que medidas poderão ser implementadas para que o universo lusófono seja uma realidade mais coesa entre escritores de diferentes nacionalidades?

SML – Penso que é necessário organizar colóquios e eventos com o objetivo de  aproximar escritores de diferentes nacionalidades .

Levar a cabo iniciativas de edição de livros, coletâneas onde participem diferentes escritores

L&L – A Internet e os recentes suportes informáticos contribuem para o reforço e promoção do seu trabalho?

SML – Sim. A internet e os recentes suportes informáticos são uma mais-valia para a divulgação e promoção do meu trabalho.

L&L – Qual o maior desafio que já enfrentou ou que gostaria de enfrentar em termos profissionais?

SML – Gostava de editar um livro de poesia. 

*Entrevista realizada no âmbito do “Munda Lusófono – 3º Encontro Literário de Montemor-o-Velho”


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Ana Cláudia Dâmaso: "O bichinho da literatura mordeu-me desde muito cedo"

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Ana Cláudia Dâmaso nasceu em Lisboa, no ano de 1992 e frequentou o curso de Línguas, Literaturas e Culturas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Sempre possuiu uma mente criativa e, desde muito nova, sentiu a necessidade de colocar as suas ideias no papel. Considerando-se uma amante de artes, doida por desporto e ávida por informação, Ana encontra inspiração nos pequenos pormenores da vida quotidiana, da qual gosta de quebrar as suas rotinas. Adora viajar e conhecer novos lugares, instalando-se no Porto, cidade pela qual se apaixonou nos finais de 2015, para concluir esta sua primeira obra, deixando a casa dos seus pais, em Santarém, onde cresceu, para dar asas ao seu grande sonho: tornar-se uma autora publicada.

Livros & Leituras - Quem é?

Ana Cláudia Dâmaso: Ana Cláudia Dâmaso

L&L - Como e quando começou a interessar-se por literatura?

ACD: O bichinho da literatura mordeu-me desde muito cedo. Lembro-me da minha mãe ler-me as histórias das princesas da Disney e os livros do Harry Potter antes de dormir… E os livros levavam-me para pequenos mundos dentro da minha cabeça que eu adorava (e ainda adoro) explorar.

L&L - Por que motivo resolveu escrever livros?

ACD: Acho que, desde os meus dez anos, senti aquela necessidade de, não só explorar os mundos dos livros, mas também de criar os meus próprios mundos. Sempre fui uma pessoa naturalmente criativa e já havia tentado escrever dois livros antes… Mas acho que, na altura, era ainda muito nova; muito imatura para conseguir concluí-los. Apesar de esses mundos não estarem esquecidos, precisei de “encontrar” um mundo que realmente me chamasse a total atenção para esquecer tudo o resto que me estava a acontecer na vida e tentar realizar o meu sonho que sempre foi escrever livros.

L&L - Qual foi a obra que mais gostou de escrever e porquê?

ACD: Essa é fácil! O meu primeiro livro “Koldbrann – parte 1: Rebeldes”, porque é, para já, a única obra que tenho concluída.

L&L - Em que é que se inspira para escrever um livro?

ACD: Sinceramente, nem eu sei! Inspiro-me um pouco em tudo… No que está à minha volta… Nos pequenos detalhes das ruas, nas fachadas de um monumento, nos mistérios da História e das mitologias, numa boa conversa, na personalidade de uma pessoa, na natureza, na letra de uma música, etc…

L&L - Se não fosse escritor, o que gostava de ser?

ACD: Guionista. O que eu quero é escrever! [risos]

L&L - Quais são seus autores preferidos?

ACD: J. K. Rowling, J. R. R. Tolkien, Fernando Pessoa e José Saramago.

L&L - Que conselho daria a alguém que deseje vir a ser escritor?

ACD: Para nunca desistir dos seus sonhos. Nada é impossível, se se dedicar de alma e coração.

L&L - Para quando um novo projeto editorial?

ACD: Vou lançar o meu primeiro livro dia 9 de Julho deste ano… Mas ainda anteontem [12 de Junho de 2016] comecei a escrever o segundo volume da colecção Koldbrann…

L&L - Agora que já conhece a revista Livros & Leituras, que opinião tem deste projeto editorial sem fins lucrativos?

ACD: É de louvar o trabalho que tem sido feito na L&L, pois é um bom local para encontrar e conhecer escritores e os seus trabalhos..


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