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Porque gostamos tanto de ler?

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Ainda que Portugal apresente uns níveis baixos de literacia, a verdade é que todos gostamos de ler. Talvez sim ou talvez não, porque imagino que uma criança ou até mesmo um adolescente torça o nariz ao receber um livro como prenda. Obviamente esperavam outro tipo de presente que não os fizesse pensar na escola ou em estudar. Sim, os brinquedos ou os videojogos podem ser bem mais aprazíveis, capazes de criar um sorriso de orelha a orelha. Sorriso esse que, se calhar, não acontece quando oferecemos um livro, mas é possível que, só mais tarde, estes adolescentes se apercebam da falta de um bom livro. Não digo pela razão óbvia de conseguirem ser pessoas mais interessantes e cultas, mas falo da verdadeira magia que ficou escondida durante essa fase. A mim aconteceu-me isso: lia bastante em criança mas, ao entrar na adolescência, perdi o hábito (o gosto não, esse nunca o perdi) da leitura; estava mais interessada em acompanhar as séries do momento. Mas como a vida dá mil e uma voltas, hoje sou, com muito orgulho, uma leitora ávida.

A escritora espanhola Rosa Montero conseguiu explicar na perfeição aquilo que eu sinto em relação à leitura: "Se impedem as pessoas de sonhar, elas enlouquecem: está comprovado. Da mesma maneira que, sem romances, a Humanidade seria muito mais triste e doente".

A verdade é que ouvimos constantemente que a leitura é fundamental na vida de qualquer um. Claro que os motivos pelos quais temos de ler, pelo menos durante os anos escolares, são de que a leitura enriquece o vocabulário, não damos tantos erros e conseguimos expressar-nos melhor. É para isso que serve o PNL, para dominarmos quer a arte de bem falar, a eloquência, quer a arte de bem escrever. Ao lermos somos capazes de conquistar um auditório pois, depois, teremos uma enorme capacidade de manusear as palavras.

Mas quais serão os verdadeiros motivos para, depois da "obrigação", requisitar, pedir emprestado ou comprar um livro? Na minha opinião, um livro é muito mais do que um hobby, ainda que pareça piegas, um livro é, de facto, uma companhia.

Um livro permite-nos viajar e conhecer outros mundos sem sequer sairmos do nosso. Mas, por outro lado, acabamos mesmo por sair do nosso e esquecer aquilo que nos atormenta porque passamos a dar mais atenção ao desenrolar da história que nos é contada. As preocupações, os dissabores, as aventuras, as surpresas das personagens do que lemos cativam-nos de tal forma que, no momento em que folheamos, nada mais importa senão o destino das personagens.

Sou uma leitora ávida. Sim, é verdade. Sou assim porque, em cada livro que leio, existe sempre algo novo e intrigante que me faz continuar. Claro que todos nós já tivemos deceções com determinados livros, como tudo na vida. No entanto, as sensações positivas (alegria, prazer, riso) que um bom livro nos consegue proporcionar, fazem-me querer continuar a ler. Um bom livro pode e deve conter outros sentimentos menos agradáveis, como o da tristeza, desalento e consternação. Presumo que quantos mais sentimentos a leitura nos fornecer, melhor se torna o enredo e, consequentemente, o livro.

Qualquer que seja o livro, existe sempre um género que agrada a cada um. Sejam romances, policiais, thrillers, há sempre um apropriado à personalidade de cada pessoa. Afinal de contas, um livro é uma fantasia. É nesse mundo imaginário que procuramos aquilo que, no mundo real, não temos. Por isso, qualquer que seja a razão pela qual o escolhemos, é extraordinário deixarmo-nos surpreender pelo mistério.

Assim, um livro não só faz bem à saúde (pois até ajuda a prevenir o Alzheimer), como também é ideal para a alma, já que a revitaliza.

Mónica Pereira Gomes


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A Casa de todas as Pessoa(s)

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A Casa Fernando Pessoa é uma casa portuguesa com certeza. Determinada em Campo de Ourique, Lisboa, alberga exposições de artes plásticas, colóquios, workshops e espetáculos diversos.

Campo de Ourique. Local onde Fernando Pessoa estabeleceu os seus últimos 15 anos de vida. O bastante. Ou não.

Fernando Pessoa fundou um pequeno universo versátil, onde, nos três pisos principais desmascaram-se sessões de leitura, de poesia, encontro de escritores, espetáculos musicais e de teatro. Uma programação inigualável e o mais diversificada possível.

A arte de ser inteligente traduz-se num estímulo à leitura de literatura portuguesa. O serviço edificante detém uma importância central. Focada no serviço público. Assim como a capacidade de transformar o mundo assume um papel fundamental para todos aqueles que queiram sentir-se persistentes através das palavras. Da sabedoria. Do poeta de todos os heterónimos.

A Casa Fernando Pessoa hospeda ainda uma imponente biblioteca que ocupa parte do piso térreo e do 1º andar. Além de ser um espaço especializado em poesia, é nesse cantinho enorme que se encontra exposto o “Retrato de Fernando Pessoa” pintado por João de Almada Negreiros em 1954 para o café Os Irmãos Unidos.

A imensidão de todos os sentires encontra-se aconchegada naquela que é considerada a maior casa portuguesa de todos os tempos. Os ensinamentos vivos, a imagem que reflete as mãos que escrevem. Ao desbarato. Ao que for. Um divertimento intelectual. Um entretenimento de leitura, que completa todas as horas. A mais do dia.

E para encerrar a peça, nada melhor que destacar o dia de todos os amores. Porque o amor deve ser partilhado. Na casa Fernando Pessoa, o dia dos namorados comemora-se de forma exímia. O amor paira no presente das 10h às 18h. Por volta  das 10h acontece a inauguração da Mostra Bibliográfica “Ama como o amor ama” (atual até dia 21 de Fevereiro). Os deliciosos poemas de Fernando Pessoa cruzam-se com a correspondência que trocou com a amada, Ofélia Queiroz.

Pelas 14h30 todos os destinos vão dar às duas fases do namoro entre Fernando Pessoa e Ofélia Queiroz. Visita guiada com lotação máxima de 40 pessoas, com direito a marcação prévia obrigatória, até às 21h00 de 13 de Fevereiro.

Por fim, pelas 16h, todos os desafios são válidos. Escreva uma carta de amor a Fernando Pessoa, explore todas as suas capacidades criativas e deixe-se embalar ao som da voz e de todas as palavras. Motivos suficientes para celebrar o amor. Motivos suficientes para comemorar a felicidade. Motivos  importantes para festejar a vida e tudo o que a rodeia.


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António Ramos Rosa - Professor era assim que o tratava...

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Professor, era assim que eu o tratava, privamos pouco, o suficiente para entender de que matéria são feitos os génios, o suficiente para umas aulas grátis acerca de tudo de uma só vez, estávamos os dois sentados na sombra de uma palmeira, em pé uma nuvem de formandos que me acompanhavam.

-Sabe que o Pessoa foi um “manga-de-alpaca”? Disse.

-Sim professor, já li acerca disso, sei que sim.

-E sabe que o homem era tradutor, que trabalhava nas casas da baixa a troco de uns cobres? Um génio, um génio…

-Sim também li acerca do assunto.

Em cima da mesa de plástico branco, estavam suspensas pelo vento algumas folhas avulso, a mão trémula que as segurava era firme com a caneta, e assertiva nos traços do lápis.

Interromperam pertinentes alguns dos formandos.

-Professor gostamos muito de o ler, de ler o que escreve e agora de o ter conhecido pessoalmente, obrigada.

Saí em reforço da ideia, -Conte-nos o segredo das palavras.

-É só um, ler, ler muito, nos outros busco sempre inspiração para mim, nos Franceses, leio muito os Franceses, filosofia, gosto de ler filosofia.

Nos almoços que semanalmente partilhávamos, na mesma sala, a espaços, aquando da crueldade dos invernos, a tosse profunda invadia-lhe a alma e enchia a sala como só os especiais conseguem.

Ao lado, sempre ao lado a esposa, dedicada, preocupada, a inteligência em pessoa, Agripina de seu nome, Escritora, Sensível, Compreensiva, Mãe, Mulher, Amiga, com quem me orgulho de ter partilhado ideias e ideais e algumas manhãs na biblioteca.

O corpo de António Ramos Rosa vai a sepultar, o homem fica connosco e com as gerações vindouras, era até ontem o maior poeta Português vivo, é hoje o maior poeta Português contemporâneo, os homens deste tamanho não morrem, renascem a casa frase, a cada momento em que são lidos, a cada verso irregular, a cada metáfora, a cada dia novo.

Irregulares são também as vontades, a minha, a da sua vida eterna.

Bem haja professor.


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Crónica de uma morena emprestada

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(…) Talhada pela pigmentação da pele que ele exibia suportou, tristemente olhou-o nas origens, fitou-o por ápices, disse-lhe:

- Estás triste, pareces triste, deves de estar triste.

Respondeu-lhe:

-São teus olhos que não alcançam a luz dos meus, não te focalizes nas ocasiões da vida, foca-te na vida toda.

Pareceu-lhe afastada, sintomaticamente ausente, pensativa, demasiado cismática, explicou-lhe as coincidências com que a vida a mimoseou, pareceu-lhe desassossegada, eram as muitas situações que lhe toldavam a razão de ser lógica, parecia retirada de um filme feliniano, não sei até que ponto queria perder, não sei se dissiparia tudo, ganhar era coisa impossível, que tens a perder?

- Nada, eu não quero perder, perder é um verbo que não conjugo na minha alma, tem que ser tudo uma questão de ganhar ou perder?

- Tem, na vida que eu elegi perder é o contrário de ganhar, eu não fui cinzelado para perder, farei tudo para ganhar.

O espaço diminuía, ele não tinha a intrepidez de se aproximar dela, era tudo uma questão de ter de ser e ser infindavelmente, prometeram juras, perpetuamente gratos pelo facto de nascerem continuaram apaixonados pela vida, perduravelmente.

Os seus olhos grandes libertaram suor, sua alma abriu-se para ele, as palavras transformadas pelo jeito que lhe ficou de pequena, prolongando consoantes de forma continuadamente sexi penetraram no seu ego e fez-se luz na sua alma.

Sabia o que queria, sabia que unicamente queria saber o que queria, parecia ser eterno o sentimento, queria que o sentimento fosse eterno, e tu?

- De mim nada sei, sei que sou apenas um instrumento banal nesta orquestra de especialistas, sei que a maneira como a voz se tolda inicia algo de diferente, coisa atroz e deficientemente permanente, não tenho medo nem medos se a minha voz se calar o meu espírito falará por entre um qualquer silêncio, não tenho medos nem medo…

Fechava-se mais uma parcela de espaço, o vómito do pânico não permitiu que as palavras fossem produzidas, não faltava já mais nada, faltava tudo e tudo era nada.

Aparentemente cerrou-se mais uma janela e abriram-se as portas principais, era o tempo de jogar tudo, morrer ou viver…

Parecia-lhe que o tempo parara, que não existia mais a condição para efetuar a operação logica discursiva e mental de todas as premissas, chegaram a conclusões, disse-lhe:

- Utiliza mecanismos inteligentes para deixarmos de viver assim.

- Assim como?

- Na esperança de nunca morrer.

- Que queres que faça é a única convicção de existir, penso nela, por isso não perco nem me perco, analiso várias vezes a morte, encaro-a como um engenho integrante do meu processo cognitivo, nunca te apercebeste?

- Sim já, pareces-me estranho por vezes, quero que tudo contigo acabe em “te”.

- Sabes da minha admiração por Pessoa, leio-o algumas vezes para tentar entender os enigmas da vida, disse: “O próprio viver é morrer, porque não temos um dia a mais na nossa vida que não tenhamos, nisso, um dia a menos nela.” Sendo assim, por que não nos preocupamos mais com a contagem decrescente do que com as coisas banais? Os empregos, a casa, a família, a própria vida?

Tipo: Hoje o dia no emprego foi uma merda. Em vez disso pensar: Hoje foi menos um dia na minha vida, não vou baixar os braços e lutarei por ela até ao último dia que me restar. A outra que é fufa, o outro que anda com a outra, o carro daquele, a camisa do outro. Sim e menos um dia de vida? Que me dizes?

- É uma maneira de apresentar as coisas, sabes que também penso um pouco assim mas ainda me sinto presa à infância, presa a estereótipos infelizmente conservadores, sabes bem que eu fui sempre eu, menina e mulher tudo no mesmo dia, sabes que eu fui apenas aquilo que consegui ser, fui mãe, mulher, filha e socialmente apreciada pelos que me rodeiam. Sabes que eu sou mãe, mulher, filha e mito social…

- Sim sei, interrompi, és vítima da maior prisão de todas, não seres aquilo que querias ser, vives cada dia em função daquilo que os outros querem de ti, deverias pensar mais em ti, na tua maneira de permanecer dentro dos outros sem interferires com a tua alma na caridade alheia… Deixa-me falar, eu estava a falar. Sim deixo-te falar, deixo-te sempre falar…

- Temos maneiras interessantes de ver o instante, tu olhas pela janela e vês vento e nuvens, eu, olhando ao mesmo tempo pela mesma janela vejo o sol e mar…Queres dizer que sou pessimista? Não, apenas que és mais frio e calculista do que eu…Pois, tens a sensibilidade própria de uma menina de 7 anos e o corpo de mulher de 35 e fazes-me viver nesta espécie de ilusão de ótica restringindo os meus desejos pessoais e vivenciando sentimentos mais nobres.

- Falava contigo toda a noite, mimava-te sem haver fim, deitava-me e dormia, dormia tudo numa só noite, dormia até a minha alma parecer livre, mesmo não sendo, mesmo presa a tudo aquilo que se move sem se ver, à ingratidão de uns, à capacidade desta forma de chantagem emocional a que me prendo, queria acordar, depois de dormir tudo, contigo a meu lado, no teu corpo. Tenho de me ir deitar, sem ti, na minha prisão.

- Sim podes ir, vai mas pensa, nunca deixes de pensar, se não te for oportuno pensar, deixa-te levar pelos sonhos que te acalmam a noite fria que sozinha passarás, sei disso, sei que foste tudo, que és tudo e tudo é nada, que tudo contigo acaba em “te”, não tenho medo, nem medos…(…)


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Lenda da Cerejeira

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A cerejeira está em flor na Primavera, mas os seus frutos vermelhos e suculentos inundam os mercados no Verão. Assim, vou contar-vos a lenda desta árvore magnífica pela beleza das suas flores e sabor dos seus frutos.

A cerejeira é uma árvore desde sempre muito apreciada no Japão, em particular pelos samurais, a ales associada por uma lenda.

Segundo reza essa lenda, vivia há muitos anos em Iyo um samurai muito velho; tão velho que já nem tinha família nem amigos vivos. O único ser a que ainda podia dedicar o seu amor era uma velha cerejeira, que os seus antepassados tinham plantado, e à sombra da qual o velho samurai tinha brincado enquanto criança. A mesma árvora em cujos ramos os membros da sua família tinham pendurado, durante gerações e gerações, pequenos pedaços de papel onde haviam escrito belos poemas de louvor à velha árvore.

Mas um dia, ó tristeza, a velha cerejeira começou a definhar e depois morreu. Os vizinhos do samurai vieram plantar uma nova cerejeira, mas para o velho samurai a morte da árvora era um sinal de que a sua vida também estava a chegar ao fim.

Então, dirigiu-se à cerejeira cujo tronco ainda se erguia altaneiro no meio do jardim familiar e fez um último desejo: Ó amiga cerejeira, gostaria que ainda uma última vez!” E o velho samurai prometeu que se o seu desejo fosse realizado, esse seria o momento para ele próprio morrer também. A velha cerejeira voltou a dar flor, embora fosse Inverno, e ali mesmo, sob os seus ramos, o velho samurai cometeu harakiri. O sangue ensopou o chão e chegou às raízes da velha cerejeira, e ela floriu uma vez mais.

Segundo ainda a lenda, desde esse dia a velha cerejeira dá flor todos os anos pelo aniversário da morte do samurai. Dizem que é no sexto dia do primeiro mês do ano, bem mesmo no coração do Inverno.


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Sugestão do Dia

  • GÉNERO - Educação e Pedagogia
    As necessidades e as expectativas das crianças segundo o seu temperamento
    Isabel Ferreira - Sábado, 26 Junho 2010

     

    Em “As Necessidades e as Expectativas das Crianças Segundo o seu Temperamento” encontramos resposta a uma série de interrogações sobre as crianças. Destinado a pais, professores e educadores, o livro de Nicole Bédard oferece-lhe a oportunidade de conhecer melhor o potencial da criança e de encontrar referências no que diz respeito às necessidades e às expectativas dos seus diferentes temperamentos.

     

    A autora não procura rotular as crianças; muito pelo contrário, ela lança um olhar novo e diferente sobre elas.

     

    Cada criança possui os seus pontos fortes e os seus limites. Cada uma dispõe de uma energia e de uma concentração de acordo com o seu temperamento. Ao estabelecer as suas particularidades, torna-se mais fácil acompanhar a criança no seu desenvolvimento.

     

    Depois de ter lido este livro, saberá como interagir com a criança emotiva, a criança sensitiva, a criança racional e a criança activa.

     

    __________

     

    Nicole Bédard

     

    As Necessidades e as Expectativas das Crianças Segundo o seu Temperamento

     

    Publicações Europa-América

     

     


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Romance Day

GÉNERO - Romance Português
A dança da vida
Carla Carvalho - Domingo, 15 Maio 2011

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