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Telmo Fidalgo Barreira: "Não acredito muito na inspiração"

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Nascido em 1983, natural de Bragança, manifesta, desde muito cedo, o seu entusiasmo pela expressão artística. Poema de Aguardente em Casca de Noz é a sua primeira obra literária. Numa dialética profundamente metafórica, somos sacudidos pela força das palavras, numa viagem antitética, eminentemente plurissignificativa, onde a sua poesia é pautada, simultaneamente, pela lucidez e pela transgressão, deixando-nos permeáveis à intensidade dos sentimentos e ao lirismo das emoções.

Livros & Leituras - Quem é?

Telmo Fidalgo Barreira: Telmo Filipe Fidalgo Barreira, de 34 anos, sou natural de Bragança, onde vivi até aos 18 anos. Licenciei-me em enfermagem no ano de 2005. Nesse mesmo ano troquei o Norte pelo Sul e vivi aproximadamente uma década no Algarve. Depois de também ter vivido no Porto e em Chaves, decidi mudar-me para a vizinha Espanha, onde vivo actualmente, na cidade de Madrid. Arriscar-me-ia a dizer que a minha identidade é o reflexo da estreita relação que sempre mantive com as palavras e com as viagens que realizei. Não tenho um sentimento de pertença a um único lugar. Sou um bocadinho de todos os sítios por onde tenho passado.

Livros & Leituras - Como e quando começou a interessar-se por literatura?

Telmo Fidalgo Barreira: Embora hoje a memória seja um pouco sonâmbula, eu diria que não me lembro de viver sem livros, porém, a recordação factual mais intensa que tenho dessa minha primeira relação com a literatura, me conduza até à adolescência, talvez com 14/15 anos, quando conheci o simbolismo decadente e àcido da geração francesa dos “poetas malditos”. Toda aquela musicalidade poética, despertou em mim aquilo que nunca antes tinha sentido com a literatura. A ruptura linguística, a cadência, a força do verso livre, enfim... toda essa natureza, de alguma forma, subversiva e até polémica, me deixava sem fôlego. Não obstante, havia lido muitos livros antes disso e sempre, desde menino, fui habituado a ouvir as histórias que o meu avô e a minha mãe me contavam, mas nunca nada tinha marcado daquela forma. Sempre fui um ávido leitor, hoje com mais critério e com outros filtros, mas sempre com a mesma urgência e o mesmo amor pelas palavras. Adoro livros.

Livros & Leituras - Por que motivo resolveu escrever livros?

Telmo Fidalgo Barreira: Não foi uma decisão pensada; talvez a escrita funcione como catarse, nasce de uma necessidade de fuga emocional... talvez, no meu caso, seja uma consequência óbvia de ler muito, contudo, também não acredito que uma coisa seja directamente proporcional à outra. Nasceu por necessidade...

Livros & Leituras - Qual foi a obra que mais gostou de escrever e porquê?

Telmo Fidalgo Barreira: Embora este seja o meu primeiro trabalho editorial, tenho muitas coisas escritas que nunca decidi publicar e que não são mais do que a extensão abstrata do pensamento e das emoções. Decidi publicar este trabalho, em concreto, por estar certo de que era isto que procurava para a edição de um primeiro livro de poesia; refiro-me a ele como um livro porque na verdade não é uma reunião de poemas mas sim um livro, com uma sequência temporal e uma narrativa poética. Desta forma, este foi o livro que mais gostei de escrever, porque, efectivamente e por esta ordem de ideias, foi o único livro que escrevi. Tudo aquilo que tinha escrito até então, eram unicamente ideias soltas; nunca tinha concebido um livro antes. Podê-lo-ia ter feito numa perspectiva de agregação de textos antigos, mas pensar numa obra como uma unidade, foi a primeira vez.

Livros & Leituras - Em que é que se inspira para escrever um livro?

Telmo Fidalgo Barreira: Escrevo sobre aquilo que me marca do ponto de vista emocional. Não existe um momento de inspiração. Na verdade, não acredito muito na inspiração. Acredito no trabalho. Gosto de remexer com as palavras, brincar com as ideias, criar pontes metafóricas e simbólicas entre elas. No fundo aquilo que me inspira para escrever é só isso. Às vezes basta uma palavra, uma estória, um filme, uma música... Qualquer coisa que me estimule do ponto de vista criativo, me pode impelir obsessivamente a escrever.

Livros & Leituras - Se não fosse escritor, o que gostava de ser?

Telmo Fidalgo Barreira: Na verdade, eu não vivo da escrita, sou enfermeiro de profissão e é essa a minha fonte de rendimento. Quando era adolescente pensava estudar filosofia. Tenho muitas paixões. Gosto muito de medicina veterinária, também, sendo qum apaixonado pela causa animal. A escrita é uma paixão a que me dedico como hobby.

Livros & Leituras - Quais são seus autores preferidos?

Telmo Fidalgo Barreira: Essa é daquelas questões que podem muito bem servir de rastilho para uma noite muito bem passada entre amigos e amantes de literatura. Não me querendo alongar muito em relação a este tema, gostaria de destacar os autores que mais me influenciaram em diferentes fases da vida, e ainda assim correndo o risco de me esquecer de alguns. Há muitos autores que me marcaram e até, quem sabe, me tenham mudado ideologicamente e emocionalmente. Como já referi a montante desta nossa conversa, a geração francesa dos “poetas malditos”, serviu-me de guia durante muito tempo; destaco Charles Baudelaire, Arthur Rimbaud, Paul Verlaine e Léo Ferré, este último mais direccionado ao espectro musical, como cantautor e também poeta. Inevitavelmente a literatura portuguesa está entre a minha preferida. Herberto Hélder, Al Berto, Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro, Almada Negreiros, Mário Cesariny e Luiz Pacheco, são alguns daqueles que representam para mim o Santo Graal da literatura portuguesa, mas também gosto muito desta nova geração. Sempre tivemos autores incríveis. Sou apaixonado pela beleza e simplicidade da poesia Brasileira de Carlos Drummond de Andrade e Manoel de Barros. Destaco outros autores que me marcaram, tais como, George Orwell, William Blake, Aldous Huxley, Hunter Thomson, Charles Bukowski, entre tantos outros. Para terminar, só fazer uma referência à Beat Generation. Foi minha companhia entre os 25 e os 30 anos; saliento Jack Kerouac, Allen Ginsberg e William Burroughs. Talvez sejam estas algumas das minhas referências. De há uns anos para cá, tenho-me debruçado sobre a literatrua Russa que é absolutamente fora de série, também. Enfim, já me alonguei demais e havia ainda tanto para contar (risos)...

Livros & Leituras - Que conselho daria a alguém que deseje vir a ser escritor?

Telmo Fidalgo Barreira: Acreditar que é possível e trabalhar para que isso possa acontecer. Ler muito pode ajudar mas não creio que seja determinante. Ter confiança no seu trabalho e arriscar.

Livros & Leituras - Para quando um novo projeto editorial?

Telmo Fidalgo Barreira: Estou a escrever aquele que será o meu segundo livro de poesia. Não há datas previstas para a edição até porque ainda se encontra numa fase muito embrionária de criação. Tudo indica que terá uma abordagem mais livre e experimental mas ainda é muito cedo para falar sobre isso.

Livros & Leituras - Agora que já conhece a revista Livros & Leituras, que opinião tem deste projeto editorial sem fins lucrativos?

Telmo Fidalgo Barreira: O trabalho de promoção que vocês fazem é absolutamente incrível. Uma revista cultural com estas características e sem fins lucrativos merece uma vénia... Acho que o público dar-vos-á esse meritório reconhecimento pelo trabalho que desenvolvem. É maravilhoso encontrar pessoas que dedicam as suas vidas à arte desta forma tão generosa e altruísta.


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Filipa Costa: "Se nos dedicarmos de coração à nossa obra, ela irá acabar por ser apreciada"

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Filipa Dionísio de Jesus da Costa, nasceu no Porto, a 29 de junho de 1983, é licenciada em História e desempenha as funções de coordenadora pedagógica de um centro de estudos em Gondomar, desde 2005. Iniciou o seu percurso na literatura, em 2016, editando o seu primeiro livro, intitulado ‘Animais Excecionais’, onde reuniu dez curtas histórias escritas em verso, que tentam transmitir mensagens importantes às crianças.

Livros & Leituras - Quem é?

Filipa Costa – O meu nome é Filipa Costa, tenho 34 anos, sou professora de formação, mas escritora de coração (risos).

Livros & Leituras - Como e quando começou a interessar-se por literatura?

Filipa Costa – O meu interesse pela literatura começou cedo, desde criança que sempre gostei muito de ler e de escrever, mas o despertar para a escrita ‘a sério’, aconteceu depois da experiência de ser mãe, pois adoro contar histórias ao meu filho. Comecei a contar-lhe histórias ainda quando ele estava na minha barriga e todas as noites há sempre uma ou duas histórias para lhe contar antes de ele adormecer. É o nosso ritual.

Livros & Leituras - Por que motivo resolveu escrever livros?

Filipa Costa – Um dia decidi que as histórias que inventava para o meu filho deveriam ser partilhadas com as outras crianças, pois nos textos que escrevo procuro sempre transmitir mensagens importantes, como os princípios de solidariedade e o respeito pelo próximo. Como sou professora, acredito que, para além de ensinar, o meu papel passa também por dar exemplos positivos aos meus alunos e isso acontece subtilmente nas histórias que lhes apresento.

Livros & Leituras – Qual foi a obra que mais gostou de escrever e porquê?

Filipa Costa – Tenho três obras escritas, mas até agora a única que se encontra publicada é os ‘Animais Excecionais’, por isso só poderei falar dessa para já. Esta obra deu-me grande prazer em escrever, pois como adoro animais, resolvi que eles seriam as personagens principais e que teriam características da personalidade das pessoas. Como o livro é composto por dez curtas histórias, posso dizer que a primeira que escrevi foi a do ‘Pinguim Astronauta’, pois adoro pinguins e a história dele é parecida com a minha, no sentido que não desistimos dos nossos sonhos.

Livros & Leituras - Em que é que se inspira para escrever um livro?

Filipa Costa – Inspiro-me sobretudo nas crianças, elas são tão autênticas no que dizem e sentem, no modo simples como elas reagem às situações, que nós adultos às vezes complicamos.

Livros & Leituras - Se não fosse escritor, o que gostava de ser?

Filipa Costa – Como já referi, para além de escritora, sou professora, mas a minha formação académica em História, poderia ter-me levado para a área da investigação, que é, sem dúvida, outra das minhas grandes paixões, por isso, provavelmente seria Arqueóloga.

Livros & Leituras - Quais são seus autores preferidos?

Filipa Costa – Eu sou uma apaixonada pela literatura infantil, adoro as escritoras Luísa Ducla Soares, Alice Vieira, Sophia de Mello Breyner, também gosto do autor António Torrado, entre muitos outros.

Livros & Leituras - Que conselho daria a alguém que deseje vir a ser escritor?

Filipa Costa – É muito importante sermos perseverantes. A inspiração não acontece todos os dias e mesmo depois de termos um livro pronto surgem-nos sempre muitas dúvidas e podemos não conseguir logo à primeira uma resposta positiva de uma editora, mas temos de acreditar no nosso trabalho e não podemos desistir perante a primeira resposta negativa. Se nos dedicarmos de coração à nossa obra, ela irá acabar por ser descoberta e apreciada.

Livros & Leituras - Para quando um novo projeto editorial?

Filipa Costa – Talvez para o final do próximo ano. Penso que ainda tenho de continuar em digressão com os ‘Animais Excecionais’ pelas escolas neste ano letivo e só depois editarei o próximo.

Livros & Leituras - Agora que já conhece a revista Livros & Leituras, que opinião tem deste projeto editorial sem fins lucrativos?

Filipa Costa – Considero o vosso projeto muito importante na divulgação das obras de autores, que tal como eu, são desconhecidos do grande público e é de louvar a vossa dedicação em prol dos livros e da leitura não procurando ter qualquer fim lucrativo. Parabéns! E continuem com o vosso excelente trabalho.


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Isabel Miguel: "Sou alguém que vive com pensamentos às cores devido às línguas"

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Livros & Leituras - Quem é?

Resposta: Resposta difícil… A questão das línguas penso influencia bastante a minha identidade… Nasci em Mainz na Alemanha. Aprendi a ler com o meu pai aos 5 anos a língua alemã, na escola falávamos alemão e inglês, o português era falado em casa e com os vizinhos portugueses. O facto de ter vivido em vários locais diferentes em Portugal também ajudou à dificuldade estabelecer as minhas raízes. Hoje aos 45 anos já não dou importância a essa oscilação, sinto-me bem em qualquer local no mundo.

Isabel Miguel - Sou alguém que vive com pensamentos às cores devido às línguas que fazem parte do meu ser. Sou mulher escritora, sonhadora, professora. Luto pelo que considero justo e correto.

L&L - Como e quando começou a interessar-se por literatura?

Isabel Miguel - Sempre vivi rodeada de livros desde muito nova, os meus pais compravam livros e foram “armazenado” os mesmos para mim e não imagino uma casa sem livros espalhados. Li “Os Maias” aos 13 anos para aprender as palavras, uma tentativa exasperada para conhecer a língua portuguesa. Este momento tornou-se um dos mais bonitos da minha vida, devorei os livros de Eça, Júlio Dinis e Camilo Castelo Branco - descobri que as palavras não eram sofrimento mas sim alegria, prazer, amor.

Eu poderia contar as diversas histórias da escola que quase destruíram a literatura para mim, mas a água não passa duas vezes no mesmo local e hoje tento que a nossa língua seja amada e estimada pelos nossos jovens.

L&L - Por que motivo resolveu escrever livros?

Isabel Miguel - Porquê? Porque felizmente existem pessoas muito especiais que acreditaram em mim quando eu já não tinha capacidade e força para isso. Decidi então escrever como penso! A minha escrita vem de uma mente que pensa em três línguas, não sei se alguém entende isso, mas as frases são sempre uma mistura do inglês, alemão e português. Não consigo evitar e por vezes causa situações embaraçosas. Os meus poemas são em português, inglês, e alemão, e outras línguas que conheço.

L&L - Qual foi a obra que mais gostou de escrever e porquê?

Isabel Miguel - Participei em duas coletâneas de autores “16 autores” e “Um lugar surpreendido pelo olhar” e esta participação deu-me coragem para escrever o meu próprio livro. O apoio de Paulo Domingos do projeto Autor Publica foi fundamental, ele dizia sempre “tu consegues Vulcãozinho!”.

O livro de Poesia Sic infit - Insuficiência acutilante surgiu num momento de renascimento em que reencontrei a beleza das palavras nas diversas línguas associado à necessidade de libertar os sentimentos que estavam escondidos nas profundezas de uma alma perdida. Sinto que é um novo começo, daí o titulo em latim Sic infit (e assim começa) e a felicidade de escrever de novo após anos de fugir das palavras que brotam constantemente.

Este livro é a consolidação do meu amor pelas palavras, um amor que abafei durante quase 20 anos. Uma noite não consegui para de escrever, penso que escrevi uns 10 poemas. Nesse dia senti que tinha voltado a respirar.

O respirar deste livro foi o reencontro do verdadeiro amor, um amor por mim, aceitar-me. Ser de novo. A simplicidade de alguns poemas é enganadora! O Poema “Sempre” pode ser lido de cima para baixo, de baixo para cima e ainda alternadamente:

Sempre

Quero desistir.

Quero o pedaço que levaste.

Quero o que roubaste.

Sempre só.

Sempre sem.

Sempre com.

L&L - Em que é que se inspira para escrever um livro?

Isabel Miguel - Sentimentos! Fundamentalmente sentimentos. Palavras que oiço por aí. Tudo pode originar um poema e quando o poema aparecer tenho de escrever.

L&L - Se não fosse escritor, o que gostava de ser?

Isabel Miguel - Muito provavelmente algo relacionado com animais. A falta de compaixão para com seres indefesos ainda me surpreende. Apoio algumas associações tais como a “Associação Vira-latas” em Marinhais e “Refúgio Animal Angels” do Cartaxo.

Algo que poucas pessoas sabem é o meu gosto pela costura e criar roupa, talvez tivesse futuro, nunca se sabe.

L&L - Quais são seus autores preferidos?

Isabel Miguel - Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro, Almada Negreiros, Edgar Allen Poe, William Blake, Goethe, Almada Negreiros, Viginia Wolf, Emily Bronté, Florbela Espanca, Emily Dickinson, Zadie Smith, Stieg Larsson, Mia Couto, Herman Hesse, e tantos, tantos, tantos.

L&L - Que conselho daria a alguém que deseje vir a ser escritor?

Isabel Miguel - Ler, ler,ler,ler!

L&L - Para quando um novo projeto editorial?

Isabel Miguel - Estou a escrever o segundo livro de poemas que neste momento tem o título provisório de “Memórias líquidas “, e tenho o sonho de escrever um livro para crianças.

L&L - Agora que já conhece a revista Livros & Leituras, que opinião tem deste projeto editorial sem fins lucrativos?

Isabel Miguel - A promoção da leitura é sempre majestoso e este projeto apresenta autores, livros, acontecimentos “livrescos”, notícias e afins. O facto de ser sem fins lucrativos dignifica ainda mais o trabalho dos seus autores, porquê? Porque apresentam a literatura e tudo o que rodeia a mesma sem objetivos comerciais, simplesmente pelo amor à arte e isso é maravilhoso.


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Marisa Galvão: "Arriscar é o que nos resta"

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Marisa Afonso Dantas Galvão nasceu em Lisboa em 1980 onde cresceu apesar da forte influência das suas origens do norte do país.
Desde cedo demonstrou gosto e aptidão para os idiomas e a escrita acabando por se licenciar em Tradução na variante de Inglês/Francês pela Universidade Autónoma de Lisboa no ano de 2006. Acabou por abraçar outros desafios profissionais mantendo a tradução apenas a título freelancer.
No âmbito do estágio curricular efetuado para as Edições Sfori foi coautora de dois livros de uma coletânea intitulada “No meu tempo” editada em 2006 que se baseou numa recolha de conhecimento junto dos mais idosos.
Mas com uma alma romântica, o gosto pela escrita nunca desapareceu, levando-a a passar para o papel algumas histórias por si ficcionadas.

Livros & Leituras - Quem é?

Marisa  Galvão - Marisa Afonso Dantas Galvão, tenho 36 anos, sou licenciada em Tradução e vivo no Concelho de Sintra, sou funcionária pública na Câmara Municipal da Amadora e tradutora freelancer mas tenho a escrita como hobby e paixão.

L&L - Como e quando começou a interessar-se por literatura? 

MG - Desde sempre que houve incentivo para ler com a banda desenhada da Disney e os contos infantis normais e sempre gostei mas depois passei aquela fase da adolescência em que apenas lia os livros que era obrigada. Os livros devem ser lidos por prazer, porque nos apetece ter uma companhia para nos distrair. Nunca devem ser uma obrigação. Depois claro que amadureci e aprendi novamente a procurar a companhia agradável de um livro para relaxar do quotidiano.

L&L - Por que motivo resolveu escrever livros?

MG - Sempre tive um lado virado para a escrita pois sempre me foi mais fácil transmitir emoções por palavras escritas. Ao longo dos anos sempre fui escrevendo pequenos poemas e textos mas quando na faculdade um dos docentes nos desafiou para escrevermos um pequeno conto e o meu até obteve uma critica positiva pensei “se calhar até tenho jeito para isto e vou experimentar escrever algo mais complexo” e assim foi… Um dia de praia foi o primeiro livro que escrevi em 2006 e esteve guardado na gaveta até hoje quando tive coragem de o editar em colaboração com a Chiado Editora.

L&L - Qual foi a obra que mais gostou de escrever e porquê?

MG - Ainda só editei um romance por isso para já esta é a minha obra preferida quem sabe daqui a uns anos se tiver oportunidade de responder novamente a esta perguntar a resposta já seja outra diferente.

L&L - Em que é que se inspira para escrever um livro?

MG - Antes de começar a escrever penso sempre se poderá ser útil na vida das pessoas e se pode ajudá-las ou influenciar de alguma forma pois invariavelmente o ser humano está sempre à procura de algo que lhe transmita felicidade e bem estar. Penso nas vivências diárias comuns. Depois crio uma ideia base, uma personagem principal e a partir daí construo na minha imaginação um mundo paralelo para essa personagem e, quando me sento a escrever vivo e respiro enquanto essa pessoa, e não como a Marisa, para poder transmitir uma história o mais real possível, apesar de imaginada.

L&L - Se não fosse escritor, o que gostava de ser? 

MG - De momento não sou escritora de profissão mas apenas enquanto hobby e, por isso, gosto daquilo que faço e que ainda me permite ter tempo para dedicar à escrita.

L&L - Quais são seus autores preferidos? 

MG - Costumo prender-me mais pelas histórias em si do que nos autores mas obviamente que tenho autores que gosto mais de ler como é o caso, por exemplo, de Nicholas Sparks, Margarida Rebelo Pinto, Nora Roberts e Tiago Rebelo.

L&L - Que conselho daria a alguém que deseje vir a ser escritor?

MG - Acreditar em si e valorizar-se. Este livro “Um dia de praia” esteve na gaveta quase 10 anos tal como muitos de nós pomos de lado sonhos e objetivos de vida apenas porque achamos que não estamos à altura ou porque as condicionantes da vida nos aprisionam e envolvem numa rotina absurda cujos objetivos passam a ser outros e quando damos por isso estamos a sobreviver em vez de viver…pois só vivemos realmente quando fazemos aquilo que gostamos e nos faz sentir livres. Há momentos em que a vida ou alguém nos desafia e surge em nós uma força interior que nos leva a mostrar quem realmente sonos e o nosso valor. Arriscar é o que nos resta.

L&L - Para quando um novo projeto editorial?

MG - Para já estou ainda a promover e a viver o sonho da edição deste que é o meu primeiro romance. Espero que “Um dia de praia” tenha uma boa aceitação do público, pelo menos para já está a correr tudo muito bem, e que dessa forma me sinta mais motivada a avançar com o lançamento de um segundo livro, quem sabe para o final do ano.


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Sandra Meireles: "Escrever, para mim, é tornar imortal a minha voz"

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Sandra Meireles nasceu em 1981, em Serra Azul de Minas, uma pequena cidade no interior de Minas Gerais, Brasil. Aí passou toda a sua infância rodeada pelo afeto da família e dos amigos. Com eles aprendeu tudo aquilo que engrandece o ser humano: amor, dignidade, fé, respeito e perseverança. Vive, atualmente, em Lisboa, onde frequenta o curso de Ciências da comunicação na Universidade Autónoma. Tem paixão pela escrita e pela leitura. O seu primeiro livro infantil intitula-se “O sonho da estrela guia”, Chiado Editora.

Livros & Leituras – Que significado tem para si o ato de escrever e a partir de que altura este se tornou “profissional”?

Sandra Meireles – Escrever, para mim, é tornar concretas as minhas ideias. É tornar imortal a minha voz. Pois acredito que as palavras expressadas oralmente perdem o seu valor, ou seja, deixam de existir com o tempo, enquanto as palavras escritas são eternas. A minha escrita tornou-se profissional, a partir do momento que acreditei que a mesma seria útil e que alguém se identificaria com ela.

L&L – É preciso ser um bom leitor para se ser um bom escritor?

SM – Há quem diga que não. Eu direi que sim, porque “escrever” é a cara-metade do “ler”. Se eu não tenho um bom hábito de ler, obviamente não terei um bom desenvolvimento na escrita. Até mesmo porque ninguém aprende algo sozinho, é preciso conhecer o trabalho do próximo para planear o nosso.

L&L – O seu trabalho é versátil ou, pelo contrário, tem um estilo muito próprio e facilmente identificável pelos leitores?

SM – O meu trabalho está construído no meu estilo próprio, de fácil compreensão e de forma muito identificável pelos meus leitores

L&L – Áreas como, por exemplo, a ilustração e a música têm vindo a afirmar-se na sua relação com a Literatura. Como encara esse facto?

SM – Para mim, é um facto verdadeiramente positivo e construtivo. Acho que faz todo o sentido a relação entre a ilustração, a música e a literatura. São três “ferramentas” poderosíssimas para a moldagem de uma “mente” aberta.

L&L – A tradição oral representa, nalguns países da lusofonia, uma importante marca de identidade cultural. A globalização e a dificuldade em editar podem ser uma ameaça à perda desse património?

SM – Eu não vejo o processo da globalização como uma ameaça para a perda deste património, mas sim como uma oportunidade de expansão desta cultura. Até mesmo porque é cada vez mais fácil editar, portanto, vejo a globalização como um contributo.

L&L – A Língua Portuguesa é uma mais-valia no panorama literário mundial?

SM – Não há sombra para dúvidas que sim. Temos brilhantíssimos autores, com mensagens únicas, e a nossa língua é romântica, única, sendo a quinta língua mais falada no mundo, é sempre uma mais-valia.

L&L – Quais os seus escritores lusófonos favoritos e porquê?

SM – Poderia citar uma lista interminável deles: brasileiros, angolanos, portugueses. Mas para já fico com a Clarice Lispector, Monteiro Lobato e Cecília Meireles. São uns génios na escrita, de referências inigualáveis, com um poder mágico de elaborar palavras, histórias e livros, que sempre me cativou.

L&L – Ao nível da Literatura, que medidas poderão ser implementadas para que o universo lusófono seja uma realidade mais coesa entre escritores de diferentes nacionalidades?

SM – Poderão implementar por exemplo, encontros literários internacionais, não só com escritores lusófonos, mas também com outros de outras nacionalidades. Pois o universo literário é tão amplo, com riquíssimas obras por explorar, de grandes intelectuais que por vezes nos passam despercebidos.

L&L – A Internet e os recentes suportes informáticos contribuem para o reforço e promoção do seu trabalho?

SM – A Internet é meio caminho andado, neste século dominado pelas tecnologias. Cada vez mais une as pessoas “virtualmente”, e esta ferramenta, sem dúvida, que é um meio contribuinte para a promoção e divulgação dos nossos trabalhos.

L&L – Qual o maior desafio que já enfrentou ou que gostaria de enfrentar em termos profissionais?

SM – O maior desafio que gostaria de enfrentar: abrir um biblioteca e dedicar os meus dias ao serviço dos livros.

*Entrevista realizada no âmbito do “Munda Lusófono – 3º Encontro Literário de Montemor-o-Velho”


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Existem pessoas tão sumamente pobres que só têm dinheiro.(Autor desconhecido)

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