
No dia 17 de Março, pelas 18h30, será lançado na FNAC do Chiado, o livro “O Escândalo Político em Portugal (1991-1993 e 2002-2004)”, do autor Bruno Paixão. Esta obra será apresentada pelo Doutor José Pacheco Pereira e inclui-se na colecção “Comunicação, História e Memória”, coordenada pela Professora Doutora Isabel Nobre Vargues, sob a chancela das Edições MinervaCoimbra.
Bruno Paixão nasceu em 1975 e vive em Coimbra. Formou-se em Jornalismo pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e foi jornalista político. Trabalha em Comunicação. Concluiu o mestrado na Universidade de Coimbra, em 2008, tendo como tema de investigação “O Escândalo Político em Portugal”. Tem, desde essa altura, aprofundado a sua pesquisa sobre o fenómeno do escândalo político em Portugal, no período da Democracia.
“O Escândalo Político em Portugal resulta de uma dissertação de Mestrado em Comunicação e Jornalismo, realizada no Instituto de Estudos Jornalísticos, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, por Bruno Paixão. O estudo está centrado num tema inédito, na perspectiva da investigação em Ciências da Comunicação, em Portugal, e inaugura uma reflexão académica com vista à compreensão de um fenómeno de grande visibilidade na vida política nacional. Bruno Paixão procura esboçar tendências e tipologias para este fenómeno que tem adquirido, ao longo destes trinta e cinco anos da nossa Democracia, uma crescente relevância.
A partir da análise da imprensa de referência — tendo como base as peças noticiosas dos semanários Expresso e O Independente e dois períodos (1991-1993; 2002-2004) distanciados de cerca de uma década — o autor traça um quadro da política nacional interrogando-se sobre a crescente importância do escândalo na vida pública e as suas consequências para a cidadania. Faz uma vincada alusão aos três vértices de um triângulo que representa a Democracia: media, políticos e público. O pesquisador inicia o trabalho levantando os “casos” nos semanários referidos, procurando, em seguida, classificá-los de acordo com as tipologias avançadas sobretudo pelo investigador norte-americano John B. Thompson: sexual, financeiro e de poder. Na comparação dos dois períodos, Bruno Paixão verificou que há, não só um aumento da cobertura jornalística referente a esta temática como uma mudança na qualidade e natureza deste fenómeno. Os resultados, por corresponderem a dois períodos distanciados de uma década, em que o mesmo partido (PSD) se encontrava no governo, não permitem generalizações apesar de trazerem elementos importantes para a compreensão da cobertura jornalística do “escândalo”.
É importante salientar, sobretudo quando ao longo ano de 2009 e já em 2010 se tem assistido a um aumento significativo de escândalos políticos, os contributos que este livro traz para a compreensão de um conjunto de factores, tais como as características das coberturas jornalísticas, as estratégias de comunicação política utilizadas pelos políticos, partidos e assessorias de comunicação, os danos a políticos envolvidos, bem como o papel das fontes e da Justiça. [...]
É defendido que para haver um escândalo não é necessária a existência real de uma transgressão. Por vezes, um boato, uma mentira inspirada, são o início de um escândalo cujas proporções não são previsíveis. Isso torna mais pertinente a questão: Qual a origem do “escândalo”, quais as suas fontes? Anónimas, policiais, judiciais? O escândalo, enquanto acontecimento intencional, surge, claramente, como uma disputa pelo poder, onde se confrontam vários grupos de protagonistas, com acessos, interesses e poderes diversificados. A partir dos resultados da pesquisa realizada por Bruno Paixão, é possível mapear os protagonistas envolvidos e os interesses que determinam as suas acções. Neste sentido, entende-se melhor a mediatização dos escândalos e enunciam-se os actores: políticos, ex-políticos, partidos e facções dos partidos, assessores e empresas de assessoria, meios de comunicação e seus profissionais (jornalistas, apresentadores e lideres de opinião), bem como os cidadãos enquanto audiências. Desta forma, torna-se evidente que o “escândalo” é simultaneamente um produto e um desafio à democracia.”
Em conclusão, o autor diz “O problema não é superficial. É, antes, de natureza profunda. O problema não reside apenas na classe política mas sim no âmago da moral pública da sociedade portuguesa. Concentrarmo-nos apenas nos políticos em busca do bode expiatório para a parca qualidade da cidadania e do exercício público é pura perda de tempo, até porque esta classe é, em geral, susceptível de renovações constantes. O enriquecimento ilícito, a pequena corrupção, a cunha, as luvas, a conivência, os conflitos de interesse, o abuso ou mau uso de poder, são características que pulverizam a atmosfera da sociedade portuguesa e não apenas os políticos. Fazer rupturas e refundar os ideais de cidadania é algo de que não devíamos desistir. Só assim é possível melhorar a qualidade da vida política e cívica.”
| Segunda-feira: À Volta dos livros,4h20, 17h20 e 21h20, na Antena 1 |