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Tiago Rebelo: A televisão e a rádio poderiam fazer mais pelos livros

ENTREVISTAS - Escritores

 

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O escritor Tiago Rebelo nasceu em 1964, em Lisboa. O também jornalista da TVI já publicou vários romances e também literatura infanto-juvenil. Considera que a rádio e a televisão poderiam fazer mais pelos livros. Nunca atiraria um livro para a lareira. Os seus próximos projectos literários serão conhecidos no primeiro semestre deste ano.

L&L - Tiago Rebelo é jornalista e escritor. Acha que é moda, hoje em dia, os jornalistas começarem a escrever livros?

TR - Não acho que seja moda. Ainda que sejam ofícios diferentes, o jornalismo e a literatura, ambos têm a ver com escrever histórias. É normal que alguns jornalistas sintam vontade de escrever as suas próprias histórias, de ficção. É um passo natural. De qualquer modo, sempre houve jornalistas que se tornaram escritores, alguns deles até ganharam o prémio Nobel, como Gabriel García Marquez e Ernest Hemingway.

L&L - Como é que gere o tempo que dedica ao jornalismo e à escrita?

TR - Adapto o meu tempo de escrita ao meu horário de trabalho como jornalista. Mas, normalmente, escrevo à noite.

L&L - Se tivesse de escolher apenas um dos livros que escreveu, qual escolheria?

TR – “O Tempo dos Amores Perfeitos”.

L&L - Porquê?

TR: É o que eu gosto mais, o que me deu mais trabalho e cujo resultado final me parece melhor.

L&L- Está mais inclinado para os romances ou para a literatura infantil?

TR - Gosto dos dois, procuro escrever um de cada por ano.

L&L - Alice Vieira fez, em 2009, 30 anos de carreira. Há segredos para se escrever, com alma e paixão, três décadas de livros infantis?

TR - Penso que sim. Bem, segredos, não sei, mas desde que haja imaginação e vontade de escrever, por que não?

L&L - A rádio e a televisão em Portugal têm feito um bom trabalho a nível da divulgação da literatura?

TR - Podiam fazer mais, mas compreendo que não é fácil criar programas sobre literatura suficientemente apelativos para as grandes audiências e, tanto a rádio como a televisão, trabalham para as audiências. Já as públicas poderiam ter mais programas do género.

L&L - Para si, quem foi o escritor português de 2009?

TR - Prefiro não escolher nenhum. Houve vários para gostos diferentes. Poder-se-ia nomear quem apostou na polémica, como Saramago, quem mostrou a consistência da qualidade, como António Lobo Antunes, ou quem agradou à maioria com boas histórias, como Júlio Magalhães e José Rodrigues dos Santos.

L&L - E o escritor estrangeiro?

TR -  Seria ainda mais difícil nomear um, mas destaco dois, só pelo fenómeno mundial que se tornaram: Stieg Larsson e Roberto Bolaño.

L&L - Acha que alguma vez houve ? O tempo dos amores perfeitos?

TR - Acho que houve tempos mais românticos, sim. Não me refiro só aos amores passionais, mas também ao patriotismo e à dedicação aos altos valores da nação. É isso que o livro “O Tempo dos Amores Perfeitos” retrata. Não se trata de exaltar outros tempos, mas tão só de contar como eram.

L&L - Se tivesse de atirar para a lareira algum livro, qual seria?

TR -  Não o faria. Nunca me obrigo a ler livros que não me apetece ou, simplesmente, não gosto, mas, por princípio, não queimo nenhum. Penso que deve haver espaço para todos os livros e liberdade para as pessoas lerem o que muito bem entenderem. Um livro de má qualidade, mas muito popular, pode ser um primeiro passo para levar muita gente a ganhar o gosto pela leitura e a procurar depois outros livros melhores.

L&L - Fazendo um pouco de futurologia, quem vai ser o escritor de 2010?

TR - Não sei se haverá grandes surpresas, mas certamente que serão os mesmos de 2009. Conquistar o público e manter milhares de leitores fiéis ao longo de anos, é, normalmente, resultado de um trabalho que se vai fazendo com uma carreira séria e consistente. 

L&L - Quais são os seus novos projectos literários?

TR - Vou publicar o meu próximo livro no primeiro trimestre do ano. Já está terminado e em fase de produção. Este é um ano de grandes mudanças, com uma aposta num novo género por onde ainda não me tinha aventurado, uma nova editora e projectos novos, como o início da colaboração com um jornal.

L&L - Pedia-lhe uma mensagem para 2010?

TR - Que haja cada vez mais gente a ler livros e que as crises económicas nunca sejam motivo para as pessoas deixarem de os comprar, porque os livros não são um luxo, mas uma necessidade e é assim que devem ser encarados.

 

 

 

 

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