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  • GÉNERO - Biografias
    A vida sexual de Fernando Pessoa
    Mário Gonçalves - Quinta, 17 Setembro 2009

     

     

     

     

    Se ainda não tem 18 anos, então pare a leitura aqui! “A Vida Sexual de Fernando Pessoa”, que ganhou o “XLII Premi València de Literatura”, reúne cinco interessantes textos de gente conhecida para os pessoanos: Ricardo Reis, Alberto Caeiro, Bernardo Soares, Alexander Search e Álvaro de Campos. Apesar de serem todos diferentes, como aliás decidiu o criador, aqui apresentam em comum uma abordagem de cariz sexual e erótica.

    Salomó Dori, que poderá ser um pseudónimo colectivo onde, por ventura, se escondem cinco escritores valencianos (Jordi Botella, Gustavo Cardenal, Pep Jordà, Ximo Llorens e Manel Rodríguez-Castelló), lembra que, afinal, na vida (ou imaginação) de Fernando Pessoa poderão ter existido outras mulheres além de Ofélia Queirós. Este facto poderá também fazer cair por terra a ideia de uma hipotética veleidade homossexual.

    Agora que se assinalam os 120 anos do nascimento de Fernando Pessoa, neste livro, editado este ano pela Palimpsesto, conhecemos uma nova faceta dos heterónimos, que nos podem levar a construir um Fernando Pessoa completamente louco e desregrado a nível sexual.

    Dos cinco textos, destacaria o primeiro por considerar que é o mais completo. Aquele que abre o caminho aos outros. No início, fala dos heterónimos e da relação que existia entre todos eles. Mas, o mais importante é a longa viagem por Lisboa que Fernando Pessoa proporciona a Ricardo Reis. Andou em Alcântara, Rossio, Santa Apolónia, Boavista, Praça do Comércio... O objectivo foi, por entre comidas e muitas bebidas (não fosse ele filho de quem é), conhecer o lado mais erótico (e até pornográfico) da capital, “onde as putas menos cotadas de Lisboa exerciam o seu ofício”. É claro que Reis teve também a incumbência de visitar, a pedido de Pessoa, Ofélia Queirós. Já no interior de sua casa, que descreve com rigor e detalhe de poeta, tem ainda tempo para reparar nas nádegas de Ofélia, “adivinhadas por baixo da fina seda celeste do seu roupão”... Entre muitas outras coisas!

    O segundo texto fala de um sonho branco e erótico de Alberto Caeiro. Doente, valem-lhe os remédios da tia, umas chávenas de chá, uns passeios pela casa e até fora dela. Caeiro vê seios que parecem ilhas, lábios da vulva, sexos profundos, coxas redondas e duras, nádegas que parecem colinas douradas e até o seu membro entre as mãos esbeltas de uma mulher.Depois, aparece Bernardo Soares e a sua aventura com Olga Alonso, uma mulher rural, arisca, vinda do sul, que chegara a Lisboa para aprender costura. Soares está sozinho no seu quarto de pensão quando Olga lhe bate à porta... E vai batendo à porta várias vezes, em dias diferentes. Até que Soares, sem grande esforço, a agarra. É então que o poeta se julga um cão e lambe o corpo de Olga como o mar afaga a areia da praia. Os gemidos da mulher só lhe dão ainda mais força para continuar.

    De seguida, aparece o jovem Alexander Search. Por ter apenas 10 anos de idade, poderíamos supor que seria mais ingénuo que os seus colegas de métier, mas não. O texto é de mais. Search começa por contar o que viu, uma noite, durante uma viagem, no paquete Athens. Num baile, enquanto alguns homens deixavam cair as mãos nos rabos das mulheres com quem dançavam, a sua mãe, Maria Madalena Pinheiro Nogueira (que também era mulher de desejos), fazia olhinhos a um jovem criado polaco. Até aqui parece tudo muito brando, até que o jovem Search, escondido, resolve contar o que viu: a frustração de sua mãe que, ao envolver-se sexualmente com o polaco, não consegue atingir o orgasmo. O polaco é esmifrado sexualmente pela sua progenitora, enquanto Maria Madalena é abandonada antes ter atingido o seu retardado orgasmo. Seach descreve tudo muito bem, com todos os movimentos, como se de um filme pornográfico se tratasse.

    Finalmente, Álvaro de Campos. Ele é o menos ousado de todos. Aqui encontramos três simples e equilibradas cartas: a primeira a Mário de Sá Carneiro, a segunda a Ofélia Queirós e a terceira a Fernando Pessoa. Em vez de louco sexo, encontramos mais amizade e amor. O livro é um espectáculo! 

    __________

    Salomó Dori

    A Vida Sexual de Fernando Pessoa

    Palimpsesto

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GÉNERO - Romance Português
O planalto e a estepe
Sílvia Fernandes - Quarta, 05 Agosto 2009

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