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Isabel Miguel: "Sou alguém que vive com pensamentos às cores devido às línguas"

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ENTREVISTAS - Escritores

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Livros & Leituras - Quem é?

Resposta: Resposta difícil… A questão das línguas penso influencia bastante a minha identidade… Nasci em Mainz na Alemanha. Aprendi a ler com o meu pai aos 5 anos a língua alemã, na escola falávamos alemão e inglês, o português era falado em casa e com os vizinhos portugueses. O facto de ter vivido em vários locais diferentes em Portugal também ajudou à dificuldade estabelecer as minhas raízes. Hoje aos 45 anos já não dou importância a essa oscilação, sinto-me bem em qualquer local no mundo.

Isabel Miguel - Sou alguém que vive com pensamentos às cores devido às línguas que fazem parte do meu ser. Sou mulher escritora, sonhadora, professora. Luto pelo que considero justo e correto.

L&L - Como e quando começou a interessar-se por literatura?

Isabel Miguel - Sempre vivi rodeada de livros desde muito nova, os meus pais compravam livros e foram “armazenado” os mesmos para mim e não imagino uma casa sem livros espalhados. Li “Os Maias” aos 13 anos para aprender as palavras, uma tentativa exasperada para conhecer a língua portuguesa. Este momento tornou-se um dos mais bonitos da minha vida, devorei os livros de Eça, Júlio Dinis e Camilo Castelo Branco - descobri que as palavras não eram sofrimento mas sim alegria, prazer, amor.

Eu poderia contar as diversas histórias da escola que quase destruíram a literatura para mim, mas a água não passa duas vezes no mesmo local e hoje tento que a nossa língua seja amada e estimada pelos nossos jovens.

L&L - Por que motivo resolveu escrever livros?

Isabel Miguel - Porquê? Porque felizmente existem pessoas muito especiais que acreditaram em mim quando eu já não tinha capacidade e força para isso. Decidi então escrever como penso! A minha escrita vem de uma mente que pensa em três línguas, não sei se alguém entende isso, mas as frases são sempre uma mistura do inglês, alemão e português. Não consigo evitar e por vezes causa situações embaraçosas. Os meus poemas são em português, inglês, e alemão, e outras línguas que conheço.

L&L - Qual foi a obra que mais gostou de escrever e porquê?

Isabel Miguel - Participei em duas coletâneas de autores “16 autores” e “Um lugar surpreendido pelo olhar” e esta participação deu-me coragem para escrever o meu próprio livro. O apoio de Paulo Domingos do projeto Autor Publica foi fundamental, ele dizia sempre “tu consegues Vulcãozinho!”.

O livro de Poesia Sic infit - Insuficiência acutilante surgiu num momento de renascimento em que reencontrei a beleza das palavras nas diversas línguas associado à necessidade de libertar os sentimentos que estavam escondidos nas profundezas de uma alma perdida. Sinto que é um novo começo, daí o titulo em latim Sic infit (e assim começa) e a felicidade de escrever de novo após anos de fugir das palavras que brotam constantemente.

Este livro é a consolidação do meu amor pelas palavras, um amor que abafei durante quase 20 anos. Uma noite não consegui para de escrever, penso que escrevi uns 10 poemas. Nesse dia senti que tinha voltado a respirar.

O respirar deste livro foi o reencontro do verdadeiro amor, um amor por mim, aceitar-me. Ser de novo. A simplicidade de alguns poemas é enganadora! O Poema “Sempre” pode ser lido de cima para baixo, de baixo para cima e ainda alternadamente:

Sempre

Quero desistir.

Quero o pedaço que levaste.

Quero o que roubaste.

Sempre só.

Sempre sem.

Sempre com.

L&L - Em que é que se inspira para escrever um livro?

Isabel Miguel - Sentimentos! Fundamentalmente sentimentos. Palavras que oiço por aí. Tudo pode originar um poema e quando o poema aparecer tenho de escrever.

L&L - Se não fosse escritor, o que gostava de ser?

Isabel Miguel - Muito provavelmente algo relacionado com animais. A falta de compaixão para com seres indefesos ainda me surpreende. Apoio algumas associações tais como a “Associação Vira-latas” em Marinhais e “Refúgio Animal Angels” do Cartaxo.

Algo que poucas pessoas sabem é o meu gosto pela costura e criar roupa, talvez tivesse futuro, nunca se sabe.

L&L - Quais são seus autores preferidos?

Isabel Miguel - Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro, Almada Negreiros, Edgar Allen Poe, William Blake, Goethe, Almada Negreiros, Viginia Wolf, Emily Bronté, Florbela Espanca, Emily Dickinson, Zadie Smith, Stieg Larsson, Mia Couto, Herman Hesse, e tantos, tantos, tantos.

L&L - Que conselho daria a alguém que deseje vir a ser escritor?

Isabel Miguel - Ler, ler,ler,ler!

L&L - Para quando um novo projeto editorial?

Isabel Miguel - Estou a escrever o segundo livro de poemas que neste momento tem o título provisório de “Memórias líquidas “, e tenho o sonho de escrever um livro para crianças.

L&L - Agora que já conhece a revista Livros & Leituras, que opinião tem deste projeto editorial sem fins lucrativos?

Isabel Miguel - A promoção da leitura é sempre majestoso e este projeto apresenta autores, livros, acontecimentos “livrescos”, notícias e afins. O facto de ser sem fins lucrativos dignifica ainda mais o trabalho dos seus autores, porquê? Porque apresentam a literatura e tudo o que rodeia a mesma sem objetivos comerciais, simplesmente pelo amor à arte e isso é maravilhoso.

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