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Sandra Meireles: "Escrever, para mim, é tornar imortal a minha voz"

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ENTREVISTAS - Escritores

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Sandra Meireles nasceu em 1981, em Serra Azul de Minas, uma pequena cidade no interior de Minas Gerais, Brasil. Aí passou toda a sua infância rodeada pelo afeto da família e dos amigos. Com eles aprendeu tudo aquilo que engrandece o ser humano: amor, dignidade, fé, respeito e perseverança. Vive, atualmente, em Lisboa, onde frequenta o curso de Ciências da comunicação na Universidade Autónoma. Tem paixão pela escrita e pela leitura. O seu primeiro livro infantil intitula-se “O sonho da estrela guia”, Chiado Editora.

Livros & Leituras – Que significado tem para si o ato de escrever e a partir de que altura este se tornou “profissional”?

Sandra Meireles – Escrever, para mim, é tornar concretas as minhas ideias. É tornar imortal a minha voz. Pois acredito que as palavras expressadas oralmente perdem o seu valor, ou seja, deixam de existir com o tempo, enquanto as palavras escritas são eternas. A minha escrita tornou-se profissional, a partir do momento que acreditei que a mesma seria útil e que alguém se identificaria com ela.

L&L – É preciso ser um bom leitor para se ser um bom escritor?

SM – Há quem diga que não. Eu direi que sim, porque “escrever” é a cara-metade do “ler”. Se eu não tenho um bom hábito de ler, obviamente não terei um bom desenvolvimento na escrita. Até mesmo porque ninguém aprende algo sozinho, é preciso conhecer o trabalho do próximo para planear o nosso.

L&L – O seu trabalho é versátil ou, pelo contrário, tem um estilo muito próprio e facilmente identificável pelos leitores?

SM – O meu trabalho está construído no meu estilo próprio, de fácil compreensão e de forma muito identificável pelos meus leitores

L&L – Áreas como, por exemplo, a ilustração e a música têm vindo a afirmar-se na sua relação com a Literatura. Como encara esse facto?

SM – Para mim, é um facto verdadeiramente positivo e construtivo. Acho que faz todo o sentido a relação entre a ilustração, a música e a literatura. São três “ferramentas” poderosíssimas para a moldagem de uma “mente” aberta.

L&L – A tradição oral representa, nalguns países da lusofonia, uma importante marca de identidade cultural. A globalização e a dificuldade em editar podem ser uma ameaça à perda desse património?

SM – Eu não vejo o processo da globalização como uma ameaça para a perda deste património, mas sim como uma oportunidade de expansão desta cultura. Até mesmo porque é cada vez mais fácil editar, portanto, vejo a globalização como um contributo.

L&L – A Língua Portuguesa é uma mais-valia no panorama literário mundial?

SM – Não há sombra para dúvidas que sim. Temos brilhantíssimos autores, com mensagens únicas, e a nossa língua é romântica, única, sendo a quinta língua mais falada no mundo, é sempre uma mais-valia.

L&L – Quais os seus escritores lusófonos favoritos e porquê?

SM – Poderia citar uma lista interminável deles: brasileiros, angolanos, portugueses. Mas para já fico com a Clarice Lispector, Monteiro Lobato e Cecília Meireles. São uns génios na escrita, de referências inigualáveis, com um poder mágico de elaborar palavras, histórias e livros, que sempre me cativou.

L&L – Ao nível da Literatura, que medidas poderão ser implementadas para que o universo lusófono seja uma realidade mais coesa entre escritores de diferentes nacionalidades?

SM – Poderão implementar por exemplo, encontros literários internacionais, não só com escritores lusófonos, mas também com outros de outras nacionalidades. Pois o universo literário é tão amplo, com riquíssimas obras por explorar, de grandes intelectuais que por vezes nos passam despercebidos.

L&L – A Internet e os recentes suportes informáticos contribuem para o reforço e promoção do seu trabalho?

SM – A Internet é meio caminho andado, neste século dominado pelas tecnologias. Cada vez mais une as pessoas “virtualmente”, e esta ferramenta, sem dúvida, que é um meio contribuinte para a promoção e divulgação dos nossos trabalhos.

L&L – Qual o maior desafio que já enfrentou ou que gostaria de enfrentar em termos profissionais?

SM – O maior desafio que gostaria de enfrentar: abrir um biblioteca e dedicar os meus dias ao serviço dos livros.

*Entrevista realizada no âmbito do “Munda Lusófono – 3º Encontro Literário de Montemor-o-Velho”

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