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João Nuno Azambuja: "Gosto de explorar, talvez seja por isso que escrevo"

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ENTREVISTAS - Escritores

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Livros & Leituras - Quem é?

João Nuno Azambuja nasceu em Braga em 1974, o ano da revolução. Licenciou-se em História e Ciências Sociais e dedicou-se à arqueologia como voluntário. Foi também como voluntário que prestou serviço nas tropas paraquedistas. Regressado à terra construiu um bar de inspiração celta, onde se realizaram concertos memoráveis de bandas folk ibéricas. "Era uma vez um homem", livro premiado pela União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa, foi o seu primeiro livro.

L&L - Como e quando começou a interessar-se por literatura?

JNA - Julgo que começou com a banda desenhada. Eu tinha uns sete ou oito anos quando li o primeiro livro do Asterix. Fiquei tão fascinado que não desisti enquanto não os li todos. Os meus colegas da escola admiravam-se comigo porque achavam que eu demorava muito a lê-los (é que eu lia-os realmente, enquanto eles só viam os desenhos, era o que me diziam). A partir daí achei que também podia atrever-me a escrever aventuras, e escrevi algumas que desapareceram com os anos de experiências de infância e juventude. Quando vi que era altura de escrever a sério, fui guardando os rascunhos.

L&L - Por que motivo resolveu escrever livros?

JNA - Na resposta anterior já me refiro a um desses motivos, porque há outros. O principal deles é ter alguma coisa importante para dizer, para partilhar. Escrever não é só dizermos o que pensamos, também é pormo-nos na cabeça dos outros e escarafunchar o que se passa lá por dentro, somos uns bisbilhoteiros de consciências. Gosto de explorar, talvez seja por isso que escrevo. Explorando descubro-me a mim e revolvo mistérios que me exaltam a curiosidade.

L&L - Qual foi a obra que mais gostou de escrever e porquê?

JNA - Tenho somente um livro publicado, uma novela chamada "Era uma vez um homem", que venceu o primeiro concurso literário da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (concurso de toda a lusofonia), mas isso não quer dizer que só tenha escrito esse, nem foi sequer o primeiro, porque na minha oficina já trabalho há muito tempo. As outras obras estão inéditas, mas a prepararem-se para a publicação. Refiro o nome de uma delas, é um romance intenso de aventuras chamado "O rasto da Fénix", que pode ser descrito como uma viagem pela condição humana. Foi talvez este que mais gostei de escrever, encheu-me de desafios, apresentou-me obstáculos que à partida pareciam impossíveis de superar. Consegui superá-los e fiquei feliz por isso, cheguei ao fim tão cansado como realizado. Vai valer a pena ler. O "Era uma vez um homem" é mais violento, é chocante, uma crítica mordaz ao mundo atual, e obriga o leitor a inserir-se na mente do homem (a personagem principal) e a pensar como ele. Cativa a atenção (o escritor Miguel Real chegou a dizer que as palavras deste livro sentem-se na carne).

L&L - Em que é que se inspira para escrever um livro?

JNA - Inspiro-me em tudo o que existe à minha volta, na realidade, na sociedade, em tudo o que é belo e em tudo o que é feio, em tudo o que é bom e em tudo o que é mau, no nexo e na incongruência, na verdade e na mentira, na nudez do mundo e na aparência de que se veste. As sensações que tudo isto me provoca obrigam-me a escrever.

L&L - Se não fosse escritor, o que gostava de ser? 

JNA - Não sei se sou escritor, mas é o que mais quero ser. Se me perguntasse: o que quer ser quando for grande, talvez não respondesse que queria ser escritor, talvez respondesse: quando for escritor quero ser grande. Só serei escritor se os meus livros forem bons, senão não vale a pena.

L&L - Quais são seus autores preferidos? 

JNA - Marguerite Youcenar fascina-me. Não percebo como é que não foi distinguida com o prémio Nobel da literatura. Outros escritores que ganharam o Nobel são inferiores a ela. Fernão Mendes Pinto foi outro autor que me marcou profundamente. Em geral gosto dos clássicos, não consigo estar muito tempo longe deles, atraem-me. Petrónio, Séneca, Homero, Vergílio, Horácio, Ovídio, e outros, são indispensáveis na minha biblioteca.

L&L - Que conselho daria a alguém que deseje vir a ser escritor? 

JNA - Que escreva o que sente, que não procure escrever para mostrar que sabe escrever mas para partilhar o seu pensamento. Deve também ler, mas que leia aquilo que goste. Ser obrigado a ler só para acrescentar um livro ou um autor à sua bagagem é algo próximo da tortura. Schopenhauer dizia que era bom que quando comprássemos livros comprássemos também tempo para os ler. Se isso não é possível, para quê desperdiçar tempo?

L&L Para quando um novo projeto editorial?

JNA - Pelos meus desejos será o mais brevemente possível, mas as editoras têm os seus calendários muito próprios. Em 2017 conto ter mais livros nas livrarias, além do premiado "Era uma vez um homem" (que está na FNAC).

Agora que já conhece a revista Livros & Leituras, que opinião tem deste projeto editorial sem fins lucrativos?

Quem se dedica a um projeto sem fim lucrativos é porque gosta do que faz, e isso significa que o resultado é genuíno

João Nuno Azambuja. Braga, 24 de Outubro de 2016.

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