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João Courinha: Passo dias a tentar descrever uma emoção

ENTREVISTAS - Escritores

Quem é?

Chamo-me João Miguel Courinha e descrevo-me como um antropoteísta, amante de árvores e de gentes valorosas.

Como e quando começou a interessar-se por literatura?

Julgo que por volta dos catorze anos, com livros do Carl Sagan, era um miúdo que se entretinha com coisas misteriosas e o universo estava cheio delas. 

Por que motivo resolveu escrever livros?

Vou contar uma história: existiu em tempos um senhor que era considerado o maior perito vivo em La Bruyére, conhecia os seus poemas de cor, a sua vida de fio a pavio, respirava La Bruyére, devorava a sua obra, amava a sua biografia. Um dia esse senhor morreu e, no mundo, só ficou La Bruyére.

Qual foi a obra que mais gostou de escrever e porquê?

Pode parecer cliché, mas é sempre a última aquela de que mais me orgulho.

Em que é que se inspira para escrever um livro?

Nas pessoas, nas emoções. Passo dias a tenter descrever uma emoção, só me sinto satisfeito quando ouço alguém dizer “olha! não é que é mesmo assim”. Debruço-me muito pouco sobre sítios e eventos. Tudo se passa num espaço, dono de incerto e mal determinado tempo.

Se não fosse escritor, o que gostava de ser?

Aquilo que também sou, agricultor. 

Quais são seus autores preferidos?

Proust, Joyce, Milton, Tolstoi, Gogol, Zola e Steinbeck 

Que conselho daria a alguém que deseje vir a ser escritor?

Escrever, escrever, escrever, um dia, o escritor em potência, relê os seus escritos, já nada é ridículo, brotou a mão que entretém.

Para quando um novo projecto editorial?

Estou a escrever o meu terceiro romance, se tudo correr bem, lá para o Verão.

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