
Tal como em «O cego e o Mealheiro» também neste conto tradicional se depreende a extrema relevância da inteligência.
A Velhinha do Monte vivia completamente sozinha. Uma noite, sentiu que alguém conseguira abrir a porta e entrar em sua casa para a roubar.
Embora com muito medo, fingiu não se aperceber da intenção do intruso e chamou por ele:
- Chegue-se cá, irmãozinho. Não se esconda, eu sei o que é a pobreza envergonhada. Deve estar cheio de frio e de fome. Venha aquecer-se à lareira e comer uns ovinhos.
O ladrão não resistiu a tal convite pois, na verdade, estava com fome e frio. Aproximou-se e foi sentar-se à lareira a comer.
E, enquanto o ladrão comia, a Velhinha do Monte, que era muito esperta,
não parou de falar.
- É triste ser-se pobre, mas doente é ainda pior. O meu pai, quando lhe apareceu um tumor, tornou-se insuportável e impaciente ao ponto de, quando o médico pegou na lanceta, começar a gritar: «Ó da guarda!, Ó da guarda, Ó da guarda!».
- Não grite tão alto que os vizinhos podem ouvir- dizia-lhe o ladrão.
- Não tem importância, os meus vizinhos já estão habituados a ouvir-me contar esse comportamento de meu Pai. O irmãozinho não pode imaginar o que foi esse dia. Mal o médico levantou a pele para lancetar o tumor, o meu pai gritou com tanta força tinha: «Ó da guarda!, Ó da guarda!, Ó da guarda!».
-Não grite tão alto - insistia nervosamente o ladrão.
- O pior foi quando o médico espremeu o tumor. Então o meu pai gritou a pulmões cheios: «Ó da guarda!, Ó da guarda!, Ó da guarda!».
Ainda a Velhinha do Monte estava a fingir que imitava o pai e já a vizinhança, armada de paus e varas, entrava pela casa dentro, agarrando o ladrão para o levar à cadeia…
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