Livros & Leituras - Quem é?
Eduardo Ferrão - Sou um lisboeta de gema, da freguesia de Coração de Jesus e um optimista que desde muito novo acredito que há uma razão para a minha existência e que tento ser amigo do meu amigo e solidário com quem precisa. Tive um percurso que aos olhos da sociedade em que vivemos se pode considerar normal, pois casei, tive um filho e procurei desenvolver uma carreira profissional de sucesso na área financeira tendo alcançado cargos de direcção em empresas importantes nacionais e internacionais.
L&L - Como e quando começou a interessar-se por literatura?
EF - Ao longo da minha vida tenho escrito muito, mas apenas para mim e principalmente em verso, que é uma forma de que gosto muito particularmente. Despertei para a literatura lendo muito ainda em criança, livros do Walt Disney, e mais tarde na escola onde tomei contacto com os clássicos portugueses e fiquei absolutamente fascinado pelo Camões. Cresci e comigo cresceu o hábito de ler que foi muito alimentado pela excelente biblioteca que havia em casa dos meus pais, onde desde a pornografia pura e dura, a política crua de Jorge Amado, os grandes romances como O Primo Basílio, ou Crime e Castigo, e isso aguçou o meu interesse pela literatura.
L&L - Por que motivo resolveu escrever livros?
EF - O desafio foi o motivo que me levou a tentar publicar um livro. Já tinha muito material disperso e foi uma questão de tentar organizar uma colectânea, no caso de poemas, que fosse possível de submeter à apreciação de um editor. Como tinha o contacto da Esfera do Caos, um dia perguntei se eles estavam dispostos a apreciar alguns trabalhos meus. Responderam que só podiam apreciar uma obra completa e por isso compus a colectânea a que chamei “Será Poesia” e enviei-lhes. A resposta foi positiva, que sim, que a qualidade do trabalho era suficiente para se avançar para a publicação. Claro que houve que ultrapassar várias dificuldades no campo financeiro para que a obra pudesse passar à produção mas foi um desafio superado e o livro foi produzido e distribuído em meados de Junho deste ano.
L&L - Qual foi a obra que mais gostou de escrever e porquê?
EF - A obra que mais gostei de escrever foi “ Será Poesia” por ser a que deu origem ao meu verdadeiro primeiro livro publicado.
L&L - Em que é que se inspira para escrever um livro?
EF - Inspiro-me em tudo e em nada. Quando estou a escrever, principalmente poesia, não tenho um tema ou um motivo de inspiração específico. Os poemas saem-me de forma quase espontânea, de tal modo que, muitas vezes, ao rever o que escrevi, eu próprio me pergunto como foi que aquelas palavras me vieram à cabeça e as passei para o papel. Já no romance é diferente. Inspiro-me no que vejo e no que já vivi e tento construir histórias com conteúdo mas que sejam interessantes para quem vier a lê-las.
L&L - Se não fosse escritor, o que gostava de ser?
EF - Eu não me considero um escritor. Consegui publicar um livro de poesia e tenho muita coisa escrita e claro que continuarei a escrever mas não sei se isso faz de mim um escritor. Tenho um grande respeito por quem dedicou a vida a escrever, porque são pessoas de enorme coragem e que conseguem sair da comodidadezinha burguesa para seguir o seu caminho e se alguns tiveram sucesso e conseguiram viver da escrita, a maioria não tirou daí o seu sustento mas nunca se desviaram da sua vocação preterindo aquilo que conhecemos como “conforto” para viverem e respirarem os seus escritos.
L&L - Quais são seus autores preferidos?
EF - Os meus autores preferidos são Camões e Bocage.
L&L - Que conselho daria a alguém que deseje vir a ser escritor?
EF - O que posso aconselhar a quem queira ser escritor é muito trabalho. Deve escrever todos os dias, como um acto natural como respirar, e ser fiel às suas convicções. Ser autêntico e acreditar que tem valor suficiente para desenvolver as suas ideias e interessar os outros em lê-las.
L&L - Para quando um novo projecto editorial?
EF - Não tenho ainda datas para um novo projecto editorial. Tenho um livro de poesia quase concluído e estou a trabalhar também num romance, mas preciso de avaliar muito bem se avanço para a publicação ou não. Nada me pressiona para editar um novo livro e vou ponderar com calma os próximos passos.
| Terça-feira: À Volta dos livros,4h20, 17h20 e 21h20, na Antena 1 |