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Pedro Freire Costa escreve livros porque gosta de contar histórias

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Pedro Freire Costa nasceu em Lisboa em 1950. Publicou “O Tempo da Ceia” (Quetzal), uma colectânea de contos “A Vida Privada de Ilda Gomes e Outras Histórias” (Ed. Bizâncio) e dois volumes de uma saga de ficção para jovens leitores ― a saga do mercador da Galáxia ― “O Mercador da Galáxia” e “Crónicas do Mercador da Galáxia, a Demanda das Safiras” ambos publicados por Ed. Bizâncio. O primeiro destes volumes foi destacado para o Plano Nacional de Leitura (6º ano, nível de dificuldade III) e há um breve trecho dessa obra que foi incluído num manual de Português. Reformou-se como Professor Catedrático da UNL FCM.

Livros & Leituras - Como e quando começou a interessar-se por literatura?

Tendo sido cativado pela leitura ainda jovem, só comecei a interessar-me pela escrita próximo dos trinta anos.

Livros & Leituras - Por que motivo resolveu escrever livros?

Essencialmente, não é mais do que uma vontade de contar histórias.

Livros & Leituras - Qual foi a obra que mais gostou de escrever e porquê?

Envolvi-me igualmente na escrita de todas as obras. Pensar se gostei mais de escrever alguma delas seria como pensar que se gosta mais de um filho do que de outro.

Livros & Leituras - Em que é que se inspira para escrever um livro?

São sempre ‘ideias’ que surgem como uma folha seca que cai da árvore, mesmo à nossa frente.

Livros & Leituras - Se não fosse escritor, o que gostava de ser?

Não sou escritor profissional e, por isso, não sinto que a pergunta se aplique ao meu caso. Mesmo assim, julgo que quem vive do que escreve não quer ser outra coisa a não ser escritor.

Livros & Leituras - Quais são seus autores preferidos?

Tchekov, Graham Greene

Livros & Leituras - Que conselho daria a alguém que deseje vir a ser escritor?

Escrever, rever, escrever, escrever mais ainda, dar a ler a leitores em quem se confia e cuja opinião se respeita e não desistir face às rejeições de publicação da obra.

Livros & Leituras - Para quando um novo projeto editorial?

Talvez para o ano que vem

Livros & Leituras - Agora que já conhece a revista Livros & Leituras, que opinião tem deste projeto editorial sem fins lucrativos?

Ainda bem que surgem iniciativas desta natureza entre nós; é uma esperança de que tais iniciativas possam estimular a leitura num país em que tão pouco se lê.


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Valentino Viegas: "A minha imaginação transporta-me para um sem número de profissões"

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O historiador e escritor Prof. Doutor Valentino Viegas nasceu em Panjim, Goa, e vive em Lisboa. Fez a licenciatura e doutoramento na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde lecionou, assim como na Universidade Lusófona. Escreveu vários livros e numerosos artigos em revistas e jornais. Foi autor, organizador e apresentador do programa televisivo A Revolução de 1383-1385, uma série de seis episódios.

Livros & Leituras - Quem é?

Valentino Viegas

Livros & Leituras - Como e quando começou a interessar-se por literatura? 

Desde criança que me foi incutido o gosto pela leitura.

Livros & Leituras - Por que motivo resolveu escrever livros?

Os livros académicos por obrigação profissional. Escrevi o primeiro romance por me ter sido solicitado pelos meus camaradas militares que participaram comigo na guerra ultramarina, em Angola.

Livros & Leituras - Qual foi a obra que mais gostou de escrever e porquê?

As Teias da Primeira Revolução Portuguesa porque como dediquei muitos anos da minha vida a estudar este difícil, complexo e polémico período da História de Portugal, ao escrever, senti que visualizava as cenas, ocorridas há 635 anos, como se estivesse a presenciá-las.

Livros & Leituras - Em que é que se inspira para escrever um livro?

Na vida real. Como a natureza humana tem horror ao vazio, a inspiração quase sempre surge depois de terminar o livro por editar.

Livros & Leituras - Se não fosse escritor, o que gostava de ser? 

A minha imaginação transporta-me para um sem número de profissões, mesmo sabendo que não tenho bases para as dominar.

Livros & Leituras - Quais são seus autores preferidos? 

Fernão Lopes e José Saramago.

Livros & Leituras - Que conselho daria a alguém que deseje vir a ser escritor? 

Comece a escrever sem ter medo das críticas. Deite cá fora o que está escondido no seu íntimo. Escreva e reescreva até ficar satisfeito consigo próprio. Se não gostar daquilo que escreve não espere que os outros gostem.

Livros & Leituras - Para quando um novo projeto editorial?

Para o ano corrente a fim de sair em 2019.

Livros & Leituras - Agora que já conhece a revista Livros & Leituras, que opinião tem deste projeto editorial sem fins lucrativos?

Numa sociedade como a nossa em que o vil metal é, quase sempre, soberano dos soberanos, descobrir uma revista que pugna por divulgar a cultura em si, sem fins lucrativos, é algo que foge aos paradigmas habituais, daí a minha surpresa e profunda admiração.

Acho que o sucesso da revista Livros & Leituras será o sucesso dos autores.


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Filipa Costa: "Se nos dedicarmos de coração à nossa obra, ela irá acabar por ser apreciada"

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Filipa Dionísio de Jesus da Costa, nasceu no Porto, a 29 de junho de 1983, é licenciada em História e desempenha as funções de coordenadora pedagógica de um centro de estudos em Gondomar, desde 2005. Iniciou o seu percurso na literatura, em 2016, editando o seu primeiro livro, intitulado ‘Animais Excecionais’, onde reuniu dez curtas histórias escritas em verso, que tentam transmitir mensagens importantes às crianças.

Livros & Leituras - Quem é?

Filipa Costa – O meu nome é Filipa Costa, tenho 34 anos, sou professora de formação, mas escritora de coração (risos).

Livros & Leituras - Como e quando começou a interessar-se por literatura?

Filipa Costa – O meu interesse pela literatura começou cedo, desde criança que sempre gostei muito de ler e de escrever, mas o despertar para a escrita ‘a sério’, aconteceu depois da experiência de ser mãe, pois adoro contar histórias ao meu filho. Comecei a contar-lhe histórias ainda quando ele estava na minha barriga e todas as noites há sempre uma ou duas histórias para lhe contar antes de ele adormecer. É o nosso ritual.

Livros & Leituras - Por que motivo resolveu escrever livros?

Filipa Costa – Um dia decidi que as histórias que inventava para o meu filho deveriam ser partilhadas com as outras crianças, pois nos textos que escrevo procuro sempre transmitir mensagens importantes, como os princípios de solidariedade e o respeito pelo próximo. Como sou professora, acredito que, para além de ensinar, o meu papel passa também por dar exemplos positivos aos meus alunos e isso acontece subtilmente nas histórias que lhes apresento.

Livros & Leituras – Qual foi a obra que mais gostou de escrever e porquê?

Filipa Costa – Tenho três obras escritas, mas até agora a única que se encontra publicada é os ‘Animais Excecionais’, por isso só poderei falar dessa para já. Esta obra deu-me grande prazer em escrever, pois como adoro animais, resolvi que eles seriam as personagens principais e que teriam características da personalidade das pessoas. Como o livro é composto por dez curtas histórias, posso dizer que a primeira que escrevi foi a do ‘Pinguim Astronauta’, pois adoro pinguins e a história dele é parecida com a minha, no sentido que não desistimos dos nossos sonhos.

Livros & Leituras - Em que é que se inspira para escrever um livro?

Filipa Costa – Inspiro-me sobretudo nas crianças, elas são tão autênticas no que dizem e sentem, no modo simples como elas reagem às situações, que nós adultos às vezes complicamos.

Livros & Leituras - Se não fosse escritor, o que gostava de ser?

Filipa Costa – Como já referi, para além de escritora, sou professora, mas a minha formação académica em História, poderia ter-me levado para a área da investigação, que é, sem dúvida, outra das minhas grandes paixões, por isso, provavelmente seria Arqueóloga.

Livros & Leituras - Quais são seus autores preferidos?

Filipa Costa – Eu sou uma apaixonada pela literatura infantil, adoro as escritoras Luísa Ducla Soares, Alice Vieira, Sophia de Mello Breyner, também gosto do autor António Torrado, entre muitos outros.

Livros & Leituras - Que conselho daria a alguém que deseje vir a ser escritor?

Filipa Costa – É muito importante sermos perseverantes. A inspiração não acontece todos os dias e mesmo depois de termos um livro pronto surgem-nos sempre muitas dúvidas e podemos não conseguir logo à primeira uma resposta positiva de uma editora, mas temos de acreditar no nosso trabalho e não podemos desistir perante a primeira resposta negativa. Se nos dedicarmos de coração à nossa obra, ela irá acabar por ser descoberta e apreciada.

Livros & Leituras - Para quando um novo projeto editorial?

Filipa Costa – Talvez para o final do próximo ano. Penso que ainda tenho de continuar em digressão com os ‘Animais Excecionais’ pelas escolas neste ano letivo e só depois editarei o próximo.

Livros & Leituras - Agora que já conhece a revista Livros & Leituras, que opinião tem deste projeto editorial sem fins lucrativos?

Filipa Costa – Considero o vosso projeto muito importante na divulgação das obras de autores, que tal como eu, são desconhecidos do grande público e é de louvar a vossa dedicação em prol dos livros e da leitura não procurando ter qualquer fim lucrativo. Parabéns! E continuem com o vosso excelente trabalho.


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Telmo Fidalgo Barreira: "Não acredito muito na inspiração"

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Nascido em 1983, natural de Bragança, manifesta, desde muito cedo, o seu entusiasmo pela expressão artística. Poema de Aguardente em Casca de Noz é a sua primeira obra literária. Numa dialética profundamente metafórica, somos sacudidos pela força das palavras, numa viagem antitética, eminentemente plurissignificativa, onde a sua poesia é pautada, simultaneamente, pela lucidez e pela transgressão, deixando-nos permeáveis à intensidade dos sentimentos e ao lirismo das emoções.

Livros & Leituras - Quem é?

Telmo Fidalgo Barreira: Telmo Filipe Fidalgo Barreira, de 34 anos, sou natural de Bragança, onde vivi até aos 18 anos. Licenciei-me em enfermagem no ano de 2005. Nesse mesmo ano troquei o Norte pelo Sul e vivi aproximadamente uma década no Algarve. Depois de também ter vivido no Porto e em Chaves, decidi mudar-me para a vizinha Espanha, onde vivo actualmente, na cidade de Madrid. Arriscar-me-ia a dizer que a minha identidade é o reflexo da estreita relação que sempre mantive com as palavras e com as viagens que realizei. Não tenho um sentimento de pertença a um único lugar. Sou um bocadinho de todos os sítios por onde tenho passado.

Livros & Leituras - Como e quando começou a interessar-se por literatura?

Telmo Fidalgo Barreira: Embora hoje a memória seja um pouco sonâmbula, eu diria que não me lembro de viver sem livros, porém, a recordação factual mais intensa que tenho dessa minha primeira relação com a literatura, me conduza até à adolescência, talvez com 14/15 anos, quando conheci o simbolismo decadente e àcido da geração francesa dos “poetas malditos”. Toda aquela musicalidade poética, despertou em mim aquilo que nunca antes tinha sentido com a literatura. A ruptura linguística, a cadência, a força do verso livre, enfim... toda essa natureza, de alguma forma, subversiva e até polémica, me deixava sem fôlego. Não obstante, havia lido muitos livros antes disso e sempre, desde menino, fui habituado a ouvir as histórias que o meu avô e a minha mãe me contavam, mas nunca nada tinha marcado daquela forma. Sempre fui um ávido leitor, hoje com mais critério e com outros filtros, mas sempre com a mesma urgência e o mesmo amor pelas palavras. Adoro livros.

Livros & Leituras - Por que motivo resolveu escrever livros?

Telmo Fidalgo Barreira: Não foi uma decisão pensada; talvez a escrita funcione como catarse, nasce de uma necessidade de fuga emocional... talvez, no meu caso, seja uma consequência óbvia de ler muito, contudo, também não acredito que uma coisa seja directamente proporcional à outra. Nasceu por necessidade...

Livros & Leituras - Qual foi a obra que mais gostou de escrever e porquê?

Telmo Fidalgo Barreira: Embora este seja o meu primeiro trabalho editorial, tenho muitas coisas escritas que nunca decidi publicar e que não são mais do que a extensão abstrata do pensamento e das emoções. Decidi publicar este trabalho, em concreto, por estar certo de que era isto que procurava para a edição de um primeiro livro de poesia; refiro-me a ele como um livro porque na verdade não é uma reunião de poemas mas sim um livro, com uma sequência temporal e uma narrativa poética. Desta forma, este foi o livro que mais gostei de escrever, porque, efectivamente e por esta ordem de ideias, foi o único livro que escrevi. Tudo aquilo que tinha escrito até então, eram unicamente ideias soltas; nunca tinha concebido um livro antes. Podê-lo-ia ter feito numa perspectiva de agregação de textos antigos, mas pensar numa obra como uma unidade, foi a primeira vez.

Livros & Leituras - Em que é que se inspira para escrever um livro?

Telmo Fidalgo Barreira: Escrevo sobre aquilo que me marca do ponto de vista emocional. Não existe um momento de inspiração. Na verdade, não acredito muito na inspiração. Acredito no trabalho. Gosto de remexer com as palavras, brincar com as ideias, criar pontes metafóricas e simbólicas entre elas. No fundo aquilo que me inspira para escrever é só isso. Às vezes basta uma palavra, uma estória, um filme, uma música... Qualquer coisa que me estimule do ponto de vista criativo, me pode impelir obsessivamente a escrever.

Livros & Leituras - Se não fosse escritor, o que gostava de ser?

Telmo Fidalgo Barreira: Na verdade, eu não vivo da escrita, sou enfermeiro de profissão e é essa a minha fonte de rendimento. Quando era adolescente pensava estudar filosofia. Tenho muitas paixões. Gosto muito de medicina veterinária, também, sendo qum apaixonado pela causa animal. A escrita é uma paixão a que me dedico como hobby.

Livros & Leituras - Quais são seus autores preferidos?

Telmo Fidalgo Barreira: Essa é daquelas questões que podem muito bem servir de rastilho para uma noite muito bem passada entre amigos e amantes de literatura. Não me querendo alongar muito em relação a este tema, gostaria de destacar os autores que mais me influenciaram em diferentes fases da vida, e ainda assim correndo o risco de me esquecer de alguns. Há muitos autores que me marcaram e até, quem sabe, me tenham mudado ideologicamente e emocionalmente. Como já referi a montante desta nossa conversa, a geração francesa dos “poetas malditos”, serviu-me de guia durante muito tempo; destaco Charles Baudelaire, Arthur Rimbaud, Paul Verlaine e Léo Ferré, este último mais direccionado ao espectro musical, como cantautor e também poeta. Inevitavelmente a literatura portuguesa está entre a minha preferida. Herberto Hélder, Al Berto, Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro, Almada Negreiros, Mário Cesariny e Luiz Pacheco, são alguns daqueles que representam para mim o Santo Graal da literatura portuguesa, mas também gosto muito desta nova geração. Sempre tivemos autores incríveis. Sou apaixonado pela beleza e simplicidade da poesia Brasileira de Carlos Drummond de Andrade e Manoel de Barros. Destaco outros autores que me marcaram, tais como, George Orwell, William Blake, Aldous Huxley, Hunter Thomson, Charles Bukowski, entre tantos outros. Para terminar, só fazer uma referência à Beat Generation. Foi minha companhia entre os 25 e os 30 anos; saliento Jack Kerouac, Allen Ginsberg e William Burroughs. Talvez sejam estas algumas das minhas referências. De há uns anos para cá, tenho-me debruçado sobre a literatrua Russa que é absolutamente fora de série, também. Enfim, já me alonguei demais e havia ainda tanto para contar (risos)...

Livros & Leituras - Que conselho daria a alguém que deseje vir a ser escritor?

Telmo Fidalgo Barreira: Acreditar que é possível e trabalhar para que isso possa acontecer. Ler muito pode ajudar mas não creio que seja determinante. Ter confiança no seu trabalho e arriscar.

Livros & Leituras - Para quando um novo projeto editorial?

Telmo Fidalgo Barreira: Estou a escrever aquele que será o meu segundo livro de poesia. Não há datas previstas para a edição até porque ainda se encontra numa fase muito embrionária de criação. Tudo indica que terá uma abordagem mais livre e experimental mas ainda é muito cedo para falar sobre isso.

Livros & Leituras - Agora que já conhece a revista Livros & Leituras, que opinião tem deste projeto editorial sem fins lucrativos?

Telmo Fidalgo Barreira: O trabalho de promoção que vocês fazem é absolutamente incrível. Uma revista cultural com estas características e sem fins lucrativos merece uma vénia... Acho que o público dar-vos-á esse meritório reconhecimento pelo trabalho que desenvolvem. É maravilhoso encontrar pessoas que dedicam as suas vidas à arte desta forma tão generosa e altruísta.


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Isabel Miguel: "Sou alguém que vive com pensamentos às cores devido às línguas"

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Livros & Leituras - Quem é?

Resposta: Resposta difícil… A questão das línguas penso influencia bastante a minha identidade… Nasci em Mainz na Alemanha. Aprendi a ler com o meu pai aos 5 anos a língua alemã, na escola falávamos alemão e inglês, o português era falado em casa e com os vizinhos portugueses. O facto de ter vivido em vários locais diferentes em Portugal também ajudou à dificuldade estabelecer as minhas raízes. Hoje aos 45 anos já não dou importância a essa oscilação, sinto-me bem em qualquer local no mundo.

Isabel Miguel - Sou alguém que vive com pensamentos às cores devido às línguas que fazem parte do meu ser. Sou mulher escritora, sonhadora, professora. Luto pelo que considero justo e correto.

L&L - Como e quando começou a interessar-se por literatura?

Isabel Miguel - Sempre vivi rodeada de livros desde muito nova, os meus pais compravam livros e foram “armazenado” os mesmos para mim e não imagino uma casa sem livros espalhados. Li “Os Maias” aos 13 anos para aprender as palavras, uma tentativa exasperada para conhecer a língua portuguesa. Este momento tornou-se um dos mais bonitos da minha vida, devorei os livros de Eça, Júlio Dinis e Camilo Castelo Branco - descobri que as palavras não eram sofrimento mas sim alegria, prazer, amor.

Eu poderia contar as diversas histórias da escola que quase destruíram a literatura para mim, mas a água não passa duas vezes no mesmo local e hoje tento que a nossa língua seja amada e estimada pelos nossos jovens.

L&L - Por que motivo resolveu escrever livros?

Isabel Miguel - Porquê? Porque felizmente existem pessoas muito especiais que acreditaram em mim quando eu já não tinha capacidade e força para isso. Decidi então escrever como penso! A minha escrita vem de uma mente que pensa em três línguas, não sei se alguém entende isso, mas as frases são sempre uma mistura do inglês, alemão e português. Não consigo evitar e por vezes causa situações embaraçosas. Os meus poemas são em português, inglês, e alemão, e outras línguas que conheço.

L&L - Qual foi a obra que mais gostou de escrever e porquê?

Isabel Miguel - Participei em duas coletâneas de autores “16 autores” e “Um lugar surpreendido pelo olhar” e esta participação deu-me coragem para escrever o meu próprio livro. O apoio de Paulo Domingos do projeto Autor Publica foi fundamental, ele dizia sempre “tu consegues Vulcãozinho!”.

O livro de Poesia Sic infit - Insuficiência acutilante surgiu num momento de renascimento em que reencontrei a beleza das palavras nas diversas línguas associado à necessidade de libertar os sentimentos que estavam escondidos nas profundezas de uma alma perdida. Sinto que é um novo começo, daí o titulo em latim Sic infit (e assim começa) e a felicidade de escrever de novo após anos de fugir das palavras que brotam constantemente.

Este livro é a consolidação do meu amor pelas palavras, um amor que abafei durante quase 20 anos. Uma noite não consegui para de escrever, penso que escrevi uns 10 poemas. Nesse dia senti que tinha voltado a respirar.

O respirar deste livro foi o reencontro do verdadeiro amor, um amor por mim, aceitar-me. Ser de novo. A simplicidade de alguns poemas é enganadora! O Poema “Sempre” pode ser lido de cima para baixo, de baixo para cima e ainda alternadamente:

Sempre

Quero desistir.

Quero o pedaço que levaste.

Quero o que roubaste.

Sempre só.

Sempre sem.

Sempre com.

L&L - Em que é que se inspira para escrever um livro?

Isabel Miguel - Sentimentos! Fundamentalmente sentimentos. Palavras que oiço por aí. Tudo pode originar um poema e quando o poema aparecer tenho de escrever.

L&L - Se não fosse escritor, o que gostava de ser?

Isabel Miguel - Muito provavelmente algo relacionado com animais. A falta de compaixão para com seres indefesos ainda me surpreende. Apoio algumas associações tais como a “Associação Vira-latas” em Marinhais e “Refúgio Animal Angels” do Cartaxo.

Algo que poucas pessoas sabem é o meu gosto pela costura e criar roupa, talvez tivesse futuro, nunca se sabe.

L&L - Quais são seus autores preferidos?

Isabel Miguel - Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro, Almada Negreiros, Edgar Allen Poe, William Blake, Goethe, Almada Negreiros, Viginia Wolf, Emily Bronté, Florbela Espanca, Emily Dickinson, Zadie Smith, Stieg Larsson, Mia Couto, Herman Hesse, e tantos, tantos, tantos.

L&L - Que conselho daria a alguém que deseje vir a ser escritor?

Isabel Miguel - Ler, ler,ler,ler!

L&L - Para quando um novo projeto editorial?

Isabel Miguel - Estou a escrever o segundo livro de poemas que neste momento tem o título provisório de “Memórias líquidas “, e tenho o sonho de escrever um livro para crianças.

L&L - Agora que já conhece a revista Livros & Leituras, que opinião tem deste projeto editorial sem fins lucrativos?

Isabel Miguel - A promoção da leitura é sempre majestoso e este projeto apresenta autores, livros, acontecimentos “livrescos”, notícias e afins. O facto de ser sem fins lucrativos dignifica ainda mais o trabalho dos seus autores, porquê? Porque apresentam a literatura e tudo o que rodeia a mesma sem objetivos comerciais, simplesmente pelo amor à arte e isso é maravilhoso.


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Todas as flores do futuro estão nas sementes de hoje. (Provérbio Chinês)

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