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Telmo Fidalgo Barreira: "Não acredito muito na inspiração"

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Nascido em 1983, natural de Bragan√ßa, manifesta, desde muito cedo, o seu entusiasmo pela express√£o art√≠stica. Poema de Aguardente em Casca de Noz √© a sua primeira obra liter√°ria. Numa dial√©tica profundamente metaf√≥rica, somos sacudidos pela for√ßa das palavras, numa viagem antit√©tica, eminentemente plurissignificativa, onde a sua poesia √© pautada, simultaneamente, pela lucidez e pela transgress√£o, deixando-nos perme√°veis √† intensidade dos sentimentos e ao lirismo das emo√ß√Ķes.

Livros & Leituras - Quem é?

Telmo Fidalgo Barreira: Telmo Filipe Fidalgo Barreira, de 34 anos, sou natural de Bragan√ßa, onde vivi at√© aos 18 anos. Licenciei-me em enfermagem no ano de 2005. Nesse mesmo ano troquei o Norte pelo Sul e vivi aproximadamente uma d√©cada no Algarve. Depois de tamb√©m ter vivido no Porto e em Chaves, decidi mudar-me para a vizinha Espanha, onde vivo actualmente, na cidade de Madrid. Arriscar-me-ia a dizer que a minha identidade √© o reflexo da estreita rela√ß√£o que sempre mantive com as palavras e com as viagens que realizei. N√£o tenho um sentimento de perten√ßa a um √ļnico lugar. Sou um bocadinho de todos os s√≠tios por onde tenho passado.

Livros & Leituras - Como e quando começou a interessar-se por literatura?

Telmo Fidalgo Barreira: Embora hoje a mem√≥ria seja um pouco son√Ęmbula, eu diria que n√£o me lembro de viver sem livros, por√©m, a recorda√ß√£o factual mais intensa que tenho dessa minha primeira rela√ß√£o com a literatura, me conduza at√© √† adolesc√™ncia, talvez com 14/15 anos, quando conheci o simbolismo decadente e √†cido da gera√ß√£o francesa dos ‚Äúpoetas malditos‚ÄĚ. Toda aquela musicalidade po√©tica, despertou em mim aquilo que nunca antes tinha sentido com a literatura. A ruptura lingu√≠stica, a cad√™ncia, a for√ßa do verso livre, enfim... toda essa natureza, de alguma forma, subversiva e at√© pol√©mica, me deixava sem f√īlego. N√£o obstante, havia lido muitos livros antes disso e sempre, desde menino, fui habituado a ouvir as hist√≥rias que o meu av√ī e a minha m√£e me contavam, mas nunca nada tinha marcado daquela forma. Sempre fui um √°vido leitor, hoje com mais crit√©rio e com outros filtros, mas sempre com a mesma urg√™ncia e o mesmo amor pelas palavras. Adoro livros.

Livros & Leituras - Por que motivo resolveu escrever livros?

Telmo Fidalgo Barreira: Não foi uma decisão pensada; talvez a escrita funcione como catarse, nasce de uma necessidade de fuga emocional... talvez, no meu caso, seja uma consequência óbvia de ler muito, contudo, também não acredito que uma coisa seja directamente proporcional à outra. Nasceu por necessidade...

Livros & Leituras - Qual foi a obra que mais gostou de escrever e porquê?

Telmo Fidalgo Barreira: Embora este seja o meu primeiro trabalho editorial, tenho muitas coisas escritas que nunca decidi publicar e que n√£o s√£o mais do que a extens√£o abstrata do pensamento e das emo√ß√Ķes. Decidi publicar este trabalho, em concreto, por estar certo de que era isto que procurava para a edi√ß√£o de um primeiro livro de poesia; refiro-me a ele como um livro porque na verdade n√£o √© uma reuni√£o de poemas mas sim um livro, com uma sequ√™ncia temporal e uma narrativa po√©tica. Desta forma, este foi o livro que mais gostei de escrever, porque, efectivamente e por esta ordem de ideias, foi o √ļnico livro que escrevi. Tudo aquilo que tinha escrito at√© ent√£o, eram unicamente ideias soltas; nunca tinha concebido um livro antes. Pod√™-lo-ia ter feito numa perspectiva de agrega√ß√£o de textos antigos, mas pensar numa obra como uma unidade, foi a primeira vez.

Livros & Leituras - Em que é que se inspira para escrever um livro?

Telmo Fidalgo Barreira: Escrevo sobre aquilo que me marca do ponto de vista emocional. N√£o existe um momento de inspira√ß√£o. Na verdade, n√£o acredito muito na inspira√ß√£o. Acredito no trabalho. Gosto de remexer com as palavras, brincar com as ideias, criar pontes metaf√≥ricas e simb√≥licas entre elas. No fundo aquilo que me inspira para escrever √© s√≥ isso. √Äs vezes basta uma palavra, uma est√≥ria, um filme, uma m√ļsica... Qualquer coisa que me estimule do ponto de vista criativo, me pode impelir obsessivamente a escrever.

Livros & Leituras - Se n√£o fosse escritor, o que gostava de ser?

Telmo Fidalgo Barreira: Na verdade, eu n√£o vivo da escrita, sou enfermeiro de profiss√£o e √© essa a minha fonte de rendimento. Quando era adolescente pensava estudar filosofia. Tenho muitas paix√Ķes. Gosto muito de medicina veterin√°ria, tamb√©m, sendo qum apaixonado pela causa animal. A escrita √© uma paix√£o a que me dedico como hobby.

Livros & Leituras - Quais s√£o seus autores preferidos?

Telmo Fidalgo Barreira: Essa √© daquelas quest√Ķes que podem muito bem servir de rastilho para uma noite muito bem passada entre amigos e amantes de literatura. N√£o me querendo alongar muito em rela√ß√£o a este tema, gostaria de destacar os autores que mais me influenciaram em diferentes fases da vida, e ainda assim correndo o risco de me esquecer de alguns. H√° muitos autores que me marcaram e at√©, quem sabe, me tenham mudado ideologicamente e emocionalmente. Como j√° referi a montante desta nossa conversa, a gera√ß√£o francesa dos ‚Äúpoetas malditos‚ÄĚ, serviu-me de guia durante muito tempo; destaco Charles Baudelaire, Arthur Rimbaud, Paul Verlaine e L√©o Ferr√©, este √ļltimo mais direccionado ao espectro musical, como cantautor e tamb√©m poeta. Inevitavelmente a literatura portuguesa est√° entre a minha preferida. Herberto H√©lder, Al Berto, Fernando Pessoa, M√°rio de S√° Carneiro, Almada Negreiros, M√°rio Cesariny e Luiz Pacheco, s√£o alguns daqueles que representam para mim o Santo Graal da literatura portuguesa, mas tamb√©m gosto muito desta nova gera√ß√£o. Sempre tivemos autores incr√≠veis. Sou apaixonado pela beleza e simplicidade da poesia Brasileira de Carlos Drummond de Andrade e Manoel de Barros. Destaco outros autores que me marcaram, tais como, George Orwell, William Blake, Aldous Huxley, Hunter Thomson, Charles Bukowski, entre tantos outros. Para terminar, s√≥ fazer uma refer√™ncia √† Beat Generation. Foi minha companhia entre os 25 e os 30 anos; saliento Jack Kerouac, Allen Ginsberg e William Burroughs. Talvez sejam estas algumas das minhas refer√™ncias. De h√° uns anos para c√°, tenho-me debru√ßado sobre a literatrua Russa que √© absolutamente fora de s√©rie, tamb√©m. Enfim, j√° me alonguei demais e havia ainda tanto para contar (risos)...

Livros & Leituras - Que conselho daria a alguém que deseje vir a ser escritor?

Telmo Fidalgo Barreira: Acreditar que é possível e trabalhar para que isso possa acontecer. Ler muito pode ajudar mas não creio que seja determinante. Ter confiança no seu trabalho e arriscar.

Livros & Leituras - Para quando um novo projeto editorial?

Telmo Fidalgo Barreira: Estou a escrever aquele que será o meu segundo livro de poesia. Não há datas previstas para a edição até porque ainda se encontra numa fase muito embrionária de criação. Tudo indica que terá uma abordagem mais livre e experimental mas ainda é muito cedo para falar sobre isso.

Livros & Leituras - Agora que j√° conhece a revista Livros & Leituras, que opini√£o tem deste projeto editorial sem fins lucrativos?

Telmo Fidalgo Barreira: O trabalho de promo√ß√£o que voc√™s fazem √© absolutamente incr√≠vel. Uma revista cultural com estas caracter√≠sticas e sem fins lucrativos merece uma v√©nia... Acho que o p√ļblico dar-vos-√° esse merit√≥rio reconhecimento pelo trabalho que desenvolvem. √Č maravilhoso encontrar pessoas que dedicam as suas vidas √† arte desta forma t√£o generosa e altru√≠sta.


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Filipa Costa: "Se nos dedicarmos de coração à nossa obra, ela irá acabar por ser apreciada"

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Filipa Dion√≠sio de Jesus da Costa, nasceu no Porto, a 29 de junho de 1983, √© licenciada em Hist√≥ria e desempenha as fun√ß√Ķes de coordenadora pedag√≥gica de um centro de estudos em Gondomar, desde 2005. Iniciou o seu percurso na literatura, em 2016, editando o seu primeiro livro, intitulado ‚ÄėAnimais Excecionais‚Äô, onde reuniu dez curtas hist√≥rias escritas em verso, que tentam transmitir mensagens importantes √†s crian√ßas.

Livros & Leituras - Quem é?

Filipa Costa ‚Äď O meu nome √© Filipa Costa, tenho 34 anos, sou professora de forma√ß√£o, mas escritora de cora√ß√£o (risos).

Livros & Leituras - Como e quando começou a interessar-se por literatura?

Filipa Costa ‚Äď O meu interesse pela literatura come√ßou cedo, desde crian√ßa que sempre gostei muito de ler e de escrever, mas o despertar para a escrita ‚Äėa s√©rio‚Äô, aconteceu depois da experi√™ncia de ser m√£e, pois adoro contar hist√≥rias ao meu filho. Comecei a contar-lhe hist√≥rias ainda quando ele estava na minha barriga e todas as noites h√° sempre uma ou duas hist√≥rias para lhe contar antes de ele adormecer. √Č o nosso ritual.

Livros & Leituras - Por que motivo resolveu escrever livros?

Filipa Costa ‚Äď Um dia decidi que as hist√≥rias que inventava para o meu filho deveriam ser partilhadas com as outras crian√ßas, pois nos textos que escrevo procuro sempre transmitir mensagens importantes, como os princ√≠pios de solidariedade e o respeito pelo pr√≥ximo. Como sou professora, acredito que, para al√©m de ensinar, o meu papel passa tamb√©m por dar exemplos positivos aos meus alunos e isso acontece subtilmente nas hist√≥rias que lhes apresento.

Livros & Leituras ‚Äď Qual foi a obra que mais gostou de escrever e porqu√™?

Filipa Costa ‚Äď Tenho tr√™s obras escritas, mas at√© agora a √ļnica que se encontra publicada √© os ‚ÄėAnimais Excecionais‚Äô, por isso s√≥ poderei falar dessa para j√°. Esta obra deu-me grande prazer em escrever, pois como adoro animais, resolvi que eles seriam as personagens principais e que teriam caracter√≠sticas da personalidade das pessoas. Como o livro √© composto por dez curtas hist√≥rias, posso dizer que a primeira que escrevi foi a do ‚ÄėPinguim Astronauta‚Äô, pois adoro pinguins e a hist√≥ria dele √© parecida com a minha, no sentido que n√£o desistimos dos nossos sonhos.

Livros & Leituras - Em que é que se inspira para escrever um livro?

Filipa Costa ‚Äď Inspiro-me sobretudo nas crian√ßas, elas s√£o t√£o aut√™nticas no que dizem e sentem, no modo simples como elas reagem √†s situa√ß√Ķes, que n√≥s adultos √†s vezes complicamos.

Livros & Leituras - Se n√£o fosse escritor, o que gostava de ser?

Filipa Costa ‚Äď Como j√° referi, para al√©m de escritora, sou professora, mas a minha forma√ß√£o acad√©mica em Hist√≥ria, poderia ter-me levado para a √°rea da investiga√ß√£o, que √©, sem d√ļvida, outra das minhas grandes paix√Ķes, por isso, provavelmente seria Arque√≥loga.

Livros & Leituras - Quais s√£o seus autores preferidos?

Filipa Costa ‚Äď Eu sou uma apaixonada pela literatura infantil, adoro as escritoras Lu√≠sa Ducla Soares, Alice Vieira, Sophia de Mello Breyner, tamb√©m gosto do autor Ant√≥nio Torrado, entre muitos outros.

Livros & Leituras - Que conselho daria a alguém que deseje vir a ser escritor?

Filipa Costa ‚Äď √Č muito importante sermos perseverantes. A inspira√ß√£o n√£o acontece todos os dias e mesmo depois de termos um livro pronto surgem-nos sempre muitas d√ļvidas e podemos n√£o conseguir logo √† primeira uma resposta positiva de uma editora, mas temos de acreditar no nosso trabalho e n√£o podemos desistir perante a primeira resposta negativa. Se nos dedicarmos de cora√ß√£o √† nossa obra, ela ir√° acabar por ser descoberta e apreciada.

Livros & Leituras - Para quando um novo projeto editorial?

Filipa Costa ‚Äď Talvez para o final do pr√≥ximo ano. Penso que ainda tenho de continuar em digress√£o com os ‚ÄėAnimais Excecionais‚Äô pelas escolas neste ano letivo e s√≥ depois editarei o pr√≥ximo.

Livros & Leituras - Agora que j√° conhece a revista Livros & Leituras, que opini√£o tem deste projeto editorial sem fins lucrativos?

Filipa Costa ‚Äď Considero o vosso projeto muito importante na divulga√ß√£o das obras de autores, que tal como eu, s√£o desconhecidos do grande p√ļblico e √© de louvar a vossa dedica√ß√£o em prol dos livros e da leitura n√£o procurando ter qualquer fim lucrativo. Parab√©ns! E continuem com o vosso excelente trabalho.


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Marisa Galvão: "Arriscar é o que nos resta"

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Marisa Afonso Dantas Galvão nasceu em Lisboa em 1980 onde cresceu apesar da forte influência das suas origens do norte do país.
Desde cedo demonstrou gosto e aptidão para os idiomas e a escrita acabando por se licenciar em Tradução na variante de Inglês/Francês pela Universidade Autónoma de Lisboa no ano de 2006. Acabou por abraçar outros desafios profissionais mantendo a tradução apenas a título freelancer.
No √Ęmbito do est√°gio curricular efetuado para as Edi√ß√Ķes Sfori foi coautora de dois livros de uma colet√Ęnea intitulada ‚ÄúNo meu tempo‚ÄĚ editada em 2006 que se baseou numa recolha de conhecimento junto dos mais idosos.
Mas com uma alma rom√Ęntica, o gosto pela escrita nunca desapareceu, levando-a a passar para o papel algumas hist√≥rias por si ficcionadas.

Livros & Leituras - Quem é?

Marisa¬† Galv√£o - Marisa Afonso Dantas Galv√£o, tenho 36 anos, sou licenciada em Tradu√ß√£o e vivo no Concelho de Sintra, sou funcion√°ria p√ļblica na C√Ęmara Municipal da Amadora e tradutora freelancer mas tenho a escrita como hobby e paix√£o.

L&L - Como e quando começou a interessar-se por literatura? 

MG - Desde sempre que houve incentivo para ler com a banda desenhada da Disney e os contos infantis normais e sempre gostei mas depois passei aquela fase da adolescência em que apenas lia os livros que era obrigada. Os livros devem ser lidos por prazer, porque nos apetece ter uma companhia para nos distrair. Nunca devem ser uma obrigação. Depois claro que amadureci e aprendi novamente a procurar a companhia agradável de um livro para relaxar do quotidiano.

L&L - Por que motivo resolveu escrever livros?

MG - Sempre tive um lado virado para a escrita pois sempre me foi mais f√°cil transmitir emo√ß√Ķes por palavras escritas. Ao longo dos anos sempre fui escrevendo pequenos poemas e textos mas quando na faculdade um dos docentes nos desafiou para escrevermos um pequeno conto e o meu at√© obteve uma critica positiva pensei ‚Äúse calhar at√© tenho jeito para isto e vou experimentar escrever algo mais complexo‚ÄĚ e assim foi‚Ķ Um dia de praia foi o primeiro livro que escrevi em 2006 e esteve guardado na gaveta at√© hoje quando tive coragem de o editar em colabora√ß√£o com a Chiado Editora.

L&L - Qual foi a obra que mais gostou de escrever e porquê?

MG - Ainda só editei um romance por isso para já esta é a minha obra preferida quem sabe daqui a uns anos se tiver oportunidade de responder novamente a esta perguntar a resposta já seja outra diferente.

L&L - Em que é que se inspira para escrever um livro?

MG - Antes de come√ßar a escrever penso sempre se poder√° ser √ļtil na vida das pessoas e se pode ajud√°-las ou influenciar de alguma forma pois invariavelmente o ser humano est√° sempre √† procura de algo que lhe transmita felicidade e bem estar. Penso nas viv√™ncias di√°rias comuns. Depois crio uma ideia base, uma personagem principal e a partir da√≠ construo na minha imagina√ß√£o um mundo paralelo para essa personagem e, quando me sento a escrever vivo e respiro enquanto essa pessoa, e n√£o como a Marisa, para poder transmitir uma hist√≥ria o mais real poss√≠vel, apesar de imaginada.

L&L - Se não fosse escritor, o que gostava de ser? 

MG - De momento não sou escritora de profissão mas apenas enquanto hobby e, por isso, gosto daquilo que faço e que ainda me permite ter tempo para dedicar à escrita.

L&L - Quais são seus autores preferidos? 

MG - Costumo prender-me mais pelas histórias em si do que nos autores mas obviamente que tenho autores que gosto mais de ler como é o caso, por exemplo, de Nicholas Sparks, Margarida Rebelo Pinto, Nora Roberts e Tiago Rebelo.

L&L - Que conselho daria a alguém que deseje vir a ser escritor?

MG - Acreditar em si e valorizar-se. Este livro ‚ÄúUm dia de praia‚ÄĚ esteve na gaveta quase 10 anos tal como muitos de n√≥s pomos de lado sonhos e objetivos de vida apenas porque achamos que n√£o estamos √† altura ou porque as condicionantes da vida nos aprisionam e envolvem numa rotina absurda cujos objetivos passam a ser outros e quando damos por isso estamos a sobreviver em vez de viver‚Ķpois s√≥ vivemos realmente quando fazemos aquilo que gostamos e nos faz sentir livres. H√° momentos em que a vida ou algu√©m nos desafia e surge em n√≥s uma for√ßa interior que nos leva a mostrar quem realmente sonos e o nosso valor. Arriscar √© o que nos resta.

L&L - Para quando um novo projeto editorial?

MG - Para j√° estou ainda a promover e a viver o sonho da edi√ß√£o deste que √© o meu primeiro romance. Espero que ‚ÄúUm dia de praia‚ÄĚ tenha uma boa aceita√ß√£o do p√ļblico, pelo menos para j√° est√° a correr tudo muito bem, e que dessa forma me sinta mais motivada a avan√ßar com o lan√ßamento de um segundo livro, quem sabe para o final do ano.


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Isabel Miguel: "Sou alguém que vive com pensamentos às cores devido às línguas"

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Livros & Leituras - Quem é?

Resposta: Resposta dif√≠cil‚Ķ A quest√£o das l√≠nguas penso influencia bastante a minha identidade‚Ķ Nasci em Mainz na Alemanha. Aprendi a ler com o meu pai aos 5 anos a l√≠ngua alem√£, na escola fal√°vamos alem√£o e ingl√™s, o portugu√™s era falado em casa e com os vizinhos portugueses. O facto de ter vivido em v√°rios locais diferentes em Portugal tamb√©m ajudou √† dificuldade estabelecer as minhas ra√≠zes. Hoje aos 45 anos j√° n√£o dou import√Ęncia a essa oscila√ß√£o, sinto-me bem em qualquer local no mundo.

Isabel Miguel - Sou alguém que vive com pensamentos às cores devido às línguas que fazem parte do meu ser. Sou mulher escritora, sonhadora, professora. Luto pelo que considero justo e correto.

L&L - Como e quando começou a interessar-se por literatura?

Isabel Miguel - Sempre vivi rodeada de livros desde muito nova, os meus pais compravam livros e foram ‚Äúarmazenado‚ÄĚ os mesmos para mim e n√£o imagino uma casa sem livros espalhados. Li ‚ÄúOs Maias‚ÄĚ aos 13 anos para aprender as palavras, uma tentativa exasperada para conhecer a l√≠ngua portuguesa. Este momento tornou-se um dos mais bonitos da minha vida, devorei os livros de E√ßa, J√ļlio Dinis e Camilo Castelo Branco - descobri que as palavras n√£o eram sofrimento mas sim alegria, prazer, amor.

Eu poderia contar as diversas histórias da escola que quase destruíram a literatura para mim, mas a água não passa duas vezes no mesmo local e hoje tento que a nossa língua seja amada e estimada pelos nossos jovens.

L&L - Por que motivo resolveu escrever livros?

Isabel Miguel - Porqu√™? Porque felizmente existem pessoas muito especiais que acreditaram em mim quando eu j√° n√£o tinha capacidade e for√ßa para isso. Decidi ent√£o escrever como penso! A minha escrita vem de uma mente que pensa em tr√™s l√≠nguas, n√£o sei se algu√©m entende isso, mas as frases s√£o sempre uma mistura do ingl√™s, alem√£o e portugu√™s. N√£o consigo evitar e por vezes causa situa√ß√Ķes embara√ßosas. Os meus poemas s√£o em portugu√™s, ingl√™s, e alem√£o, e outras l√≠nguas que conhe√ßo.

L&L - Qual foi a obra que mais gostou de escrever e porquê?

Isabel Miguel - Participei em duas colet√Ęneas de autores ‚Äú16 autores‚ÄĚ e ‚ÄúUm lugar surpreendido pelo olhar‚ÄĚ e esta participa√ß√£o deu-me coragem para escrever o meu pr√≥prio livro. O apoio de Paulo Domingos do projeto Autor Publica foi fundamental, ele dizia sempre ‚Äútu consegues Vulc√£ozinho!‚ÄĚ.

O livro de Poesia Sic infit - Insuficiência acutilante surgiu num momento de renascimento em que reencontrei a beleza das palavras nas diversas línguas associado à necessidade de libertar os sentimentos que estavam escondidos nas profundezas de uma alma perdida. Sinto que é um novo começo, daí o titulo em latim Sic infit (e assim começa) e a felicidade de escrever de novo após anos de fugir das palavras que brotam constantemente.

Este livro é a consolidação do meu amor pelas palavras, um amor que abafei durante quase 20 anos. Uma noite não consegui para de escrever, penso que escrevi uns 10 poemas. Nesse dia senti que tinha voltado a respirar.

O respirar deste livro foi o reencontro do verdadeiro amor, um amor por mim, aceitar-me. Ser de novo. A simplicidade de alguns poemas √© enganadora! O Poema ‚ÄúSempre‚ÄĚ pode ser lido de cima para baixo, de baixo para cima e ainda alternadamente:

Sempre

Quero desistir.

Quero o pedaço que levaste.

Quero o que roubaste.

Sempre só.

Sempre sem.

Sempre com.

L&L - Em que é que se inspira para escrever um livro?

Isabel Miguel - Sentimentos! Fundamentalmente sentimentos. Palavras que oiço por aí. Tudo pode originar um poema e quando o poema aparecer tenho de escrever.

L&L - Se n√£o fosse escritor, o que gostava de ser?

Isabel Miguel - Muito provavelmente algo relacionado com animais. A falta de compaix√£o para com seres indefesos ainda me surpreende. Apoio algumas associa√ß√Ķes tais como a ‚ÄúAssocia√ß√£o Vira-latas‚ÄĚ em Marinhais e ‚ÄúRef√ļgio Animal Angels‚ÄĚ do Cartaxo.

Algo que poucas pessoas sabem é o meu gosto pela costura e criar roupa, talvez tivesse futuro, nunca se sabe.

L&L - Quais s√£o seus autores preferidos?

Isabel Miguel - Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro, Almada Negreiros, Edgar Allen Poe, William Blake, Goethe, Almada Negreiros, Viginia Wolf, Emily Bronté, Florbela Espanca, Emily Dickinson, Zadie Smith, Stieg Larsson, Mia Couto, Herman Hesse, e tantos, tantos, tantos.

L&L - Que conselho daria a alguém que deseje vir a ser escritor?

Isabel Miguel - Ler, ler,ler,ler!

L&L - Para quando um novo projeto editorial?

Isabel Miguel - Estou a escrever o segundo livro de poemas que neste momento tem o título provisório de “Memórias líquidas “, e tenho o sonho de escrever um livro para crianças.

L&L - Agora que j√° conhece a revista Livros & Leituras, que opini√£o tem deste projeto editorial sem fins lucrativos?

Isabel Miguel - A promo√ß√£o da leitura √© sempre majestoso e este projeto apresenta autores, livros, acontecimentos ‚Äúlivrescos‚ÄĚ, not√≠cias e afins. O facto de ser sem fins lucrativos dignifica ainda mais o trabalho dos seus autores, porqu√™? Porque apresentam a literatura e tudo o que rodeia a mesma sem objetivos comerciais, simplesmente pelo amor √† arte e isso √© maravilhoso.


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Sandra Meireles: "Escrever, para mim, é tornar imortal a minha voz"

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Sandra Meireles nasceu em 1981, em Serra Azul de Minas, uma pequena cidade no interior de Minas Gerais, Brasil. A√≠ passou toda a sua inf√Ęncia rodeada pelo afeto da fam√≠lia e dos amigos. Com eles aprendeu tudo aquilo que engrandece o ser humano: amor, dignidade, f√©, respeito e perseveran√ßa. Vive, atualmente, em Lisboa, onde frequenta o curso de Ci√™ncias da comunica√ß√£o na Universidade Aut√≥noma. Tem paix√£o pela escrita e pela leitura. O seu primeiro livro infantil intitula-se ‚ÄúO sonho da estrela guia‚ÄĚ, Chiado Editora.

Livros & Leituras ‚Äď Que significado tem para si o ato de escrever e a partir de que altura este se tornou ‚Äúprofissional‚ÄĚ?

Sandra Meireles ‚Äď Escrever, para mim, √© tornar concretas as minhas ideias. √Č tornar imortal a minha voz. Pois acredito que as palavras expressadas oralmente perdem o seu valor, ou seja, deixam de existir com o tempo, enquanto as palavras escritas s√£o eternas. A minha escrita tornou-se profissional, a partir do momento que acreditei que a mesma seria √ļtil e que algu√©m se identificaria com ela.

L&L ‚Äď √Č preciso ser um bom leitor para se ser um bom escritor?

SM ‚Äď H√° quem diga que n√£o. Eu direi que sim, porque ‚Äúescrever‚ÄĚ √© a cara-metade do ‚Äúler‚ÄĚ. Se eu n√£o tenho um bom h√°bito de ler, obviamente n√£o terei um bom desenvolvimento na escrita. At√© mesmo porque ningu√©m aprende algo sozinho, √© preciso conhecer o trabalho do pr√≥ximo para planear o nosso.

L&L ‚Äď O seu trabalho √© vers√°til ou, pelo contr√°rio, tem um estilo muito pr√≥prio e facilmente identific√°vel pelos leitores?

SM ‚Äď O meu trabalho est√° constru√≠do no meu estilo pr√≥prio, de f√°cil compreens√£o e de forma muito identific√°vel pelos meus leitores

L&L ‚Äď √Āreas como, por exemplo, a ilustra√ß√£o e a m√ļsica t√™m vindo a afirmar-se na sua rela√ß√£o com a Literatura. Como encara esse facto?

SM ‚Äď Para mim, √© um facto verdadeiramente positivo e construtivo. Acho que faz todo o sentido a rela√ß√£o entre a ilustra√ß√£o, a m√ļsica e a literatura. S√£o tr√™s ‚Äúferramentas‚ÄĚ poderos√≠ssimas para a moldagem de uma ‚Äúmente‚ÄĚ aberta.

L&L ‚Äď A tradi√ß√£o oral representa, nalguns pa√≠ses da lusofonia, uma importante marca de identidade cultural. A globaliza√ß√£o e a dificuldade em editar podem ser uma amea√ßa √† perda desse patrim√≥nio?

SM ‚Äď Eu n√£o vejo o processo da globaliza√ß√£o como uma amea√ßa para a perda deste patrim√≥nio, mas sim como uma oportunidade de expans√£o desta cultura. At√© mesmo porque √© cada vez mais f√°cil editar, portanto, vejo a globaliza√ß√£o como um contributo.

L&L ‚Äď A L√≠ngua Portuguesa √© uma mais-valia no panorama liter√°rio mundial?

SM ‚Äď N√£o h√° sombra para d√ļvidas que sim. Temos brilhant√≠ssimos autores, com mensagens √ļnicas, e a nossa l√≠ngua √© rom√Ęntica, √ļnica, sendo a quinta l√≠ngua mais falada no mundo, √© sempre uma mais-valia.

L&L ‚Äď Quais os seus escritores lus√≥fonos favoritos e porqu√™?

SM ‚Äď Poderia citar uma lista intermin√°vel deles: brasileiros, angolanos, portugueses. Mas para j√° fico com a Clarice Lispector, Monteiro Lobato e Cec√≠lia Meireles. S√£o uns g√©nios na escrita, de refer√™ncias inigual√°veis, com um poder m√°gico de elaborar palavras, hist√≥rias e livros, que sempre me cativou.

L&L ‚Äď Ao n√≠vel da Literatura, que medidas poder√£o ser implementadas para que o universo lus√≥fono seja uma realidade mais coesa entre escritores de diferentes nacionalidades?

SM ‚Äď Poder√£o implementar por exemplo, encontros liter√°rios internacionais, n√£o s√≥ com escritores lus√≥fonos, mas tamb√©m com outros de outras nacionalidades. Pois o universo liter√°rio √© t√£o amplo, com riqu√≠ssimas obras por explorar, de grandes intelectuais que por vezes nos passam despercebidos.

L&L ‚Äď A Internet e os recentes suportes inform√°ticos contribuem para o refor√ßo e promo√ß√£o do seu trabalho?

SM ‚Äď A Internet √© meio caminho andado, neste s√©culo dominado pelas tecnologias. Cada vez mais une as pessoas ‚Äúvirtualmente‚ÄĚ, e esta ferramenta, sem d√ļvida, que √© um meio contribuinte para a promo√ß√£o e divulga√ß√£o dos nossos trabalhos.

L&L ‚Äď Qual o maior desafio que j√° enfrentou ou que gostaria de enfrentar em termos profissionais?

SM ‚Äď O maior desafio que gostaria de enfrentar: abrir um biblioteca e dedicar os meus dias ao servi√ßo dos livros.

*Entrevista realizada no √Ęmbito do ‚ÄúMunda Lus√≥fono ‚Äď 3¬ļ Encontro Liter√°rio de Montemor-o-Velho‚ÄĚ


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A maior parte dos que n√£o querem ser oprimidos n√£o desgostaria de ser opressor. (Napole√£o)

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