VENCEDORES II Passatempo 

Literário L&L | K Editora:

1.º - Maria Nóvoa

(Chaves)

2.º - Nuno A. Antunes

(V. N. Gaia)

3.º - Vitor Burity da Silva

(Porto)  

 

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ASUN ESTEVEZ A DECLAMARA poetisa Asun Estevez está a ter grande êxito, na Galiza, com o seu livro "Pel de Muller"

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ISABEL ROSETE É A NOVA COLABORADORA DA LIVROS & LEITURAS PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
NOTÍCIAS - Recentes
Escrito por Sílvia Fernandes   
Segunda, 08 Fevereiro 2010 19:29

A nossa equipa de colaboradores continua a crescer. Isabel Rosete é a nova colaboradora da revista LIVROS & LEITURAS. Nasceu em Aveiro, em 1965. É licenciada em Filosofia (Ramo de Formação Educacional) pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e fez curso de mestrado em  “Estética e Filosofia da Arte”, pela mesma faculdade. 

Actualmente é doutoranda na mesma área de investigação, no Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro, com o projecto de Tese “Uma Poética da Música em Martin Heidegger: os Domínios da Poesia e o Canto dos Poetas”. 

Isabel Rosete foi membro convidado do gabinete técnico-pedagógico da Delegação do Distrito de Aveiro do Ministério da Educação - Centro de Área Educativa de Aveiro -, responsável pelo Ensino Secundário, Formação de Professores, orientação legislativa e administrativa das Escolas. 

A nossa colaboradora é investigadora nas áreas de Filosofia, Estética, Psicologia, Literatura, Poesia e Educação. Será nessas áreas que vai colaborar com a L&L. Tem diversos trabalhos publicados. É, igualmente, colaboradora de vários órgãos de comunicação social. 

Obrigad@ Isabel Rosete!

 
PORREIRO, PÁ! PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
GÉNERO - Cartoon
Escrito por João Almeida   
Segunda, 08 Fevereiro 2010 17:20

 

Em “Porreiro, Pá!” são passados em revista, através do cartoon, os últimos quatro anos de governação socialista. Augusto Cid, um dos mais mediáticos caricaturistas português, deixa-nos um conjunto de desenhos de temática muito diversificada, tal como foi heterogénea a gestão do nosso país nos últimos anos. O défice, o desemprego, a inflação, a saúde e educação são apenas de alguns assuntos retratados.

O livro está dividido em nove 9 actos (Animal Feroz, Alegre "ma non troppo", Bat-Ota, O Grande Educador, Economia-porreirinha, O Mundo a seus pés, Sem-sure, Free-at-last-port, Urna-mente) de fazer rir e pensar em simultâneo.

Cid recorda-nos que só um país anestesiado seria capaz de suportar, silencioso e manso, a licenciatura domingueira do seu primeiro-ministro; a novela do Freeport; as embaraçosas amizades com Chávez; e os recorrentes números de Manuel Pinho, que terminaram com a faena conhecida. Olé! Felizes dos países que têm “cronistas” assim. E felizes dos leitores que, pela pena do Cid, têm os seus políticos assados.

__________

Augusto Cid

Porreiro, Pá!

Guerra e Paz

 
DIA 11 FEVEREIRO: LANÇAMENTO DE “MEMÓRIAS VIVAS DE JORNALISMO” PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
NOTÍCIAS - Recentes
Segunda, 08 Fevereiro 2010 15:28

Na próxima quinta-feira, dia 11, a Editorial Caminho lança o livro Memórias Vivas do Jornalismo, de Fernando Correia e Miguel Gaspar. O lançamento será às 18h30, na Livraria Barata, em Lisboa.

 
AS GUERRAS QUE JÁ AÍ ESTÃO E AS QUE NOS ESPERAM PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
GÉNERO - Política
Escrito por Carla Carvalho   
Domingo, 07 Fevereiro 2010 22:58

 

O General Loureiro dos Santos, numa entrevista à revista LIVROS & LEITURAS, no passado dia 21 de Dezembro, levantou um pouco da ponta do véu desta obra que abanou a classe política. Questionado sobre o que poderá estar para vir em termos de guerra, o especialista em estratégia militar disse que “serão ainda mais catastróficas do que as que estão aí, tendo em atenção a natureza das sociedades modernas organizadas em rede e o efeito de dominó nestas sociedades do emprego da violência”.

Para o General Loureiro dos Santos, que já publicou sete livros sobre Estratégia, Segurança e Defesa, o que nos espera pode ser catastrófico se os políticos não mudarem. “As guerras que já aí estão e as que nos esperam”, uma obra das Publicações Europa-América, é o alerta. Um aviso que ainda poderemos estar a tempo de mudar o rumo das coisas.

“Desde há alguns anos, vivemos um período de transição acelerada para um futuro incerto e perigoso. No qual, as dificuldades para o Ocidente, muito particularmente para Portugal, serão bastante expressivas”, adverte o general no Prólogo do seu livro. Segundo o autor, “a crise económica e financeira veio (e está) a confirmar a tendência para o aumento do poder das potências emergentes e reemergentes e transformou-se num acelerador das mudanças em curso”.

__________

General Loureiro dos Santos

As guerra que já aí estão e as que nos esperam

Publicações Europa-América

 
JOSÉ LEON MACHADO: “UNIVERSIDADES PORTUGUESAS ESTÃO CHEIAS DE MAUS ALUNOS” PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
ENTREVISTAS - Escritores
Escrito por Mário Gonçalves   
Domingo, 07 Fevereiro 2010 15:59

 

O escritor José Leon Machado é um dos autores da nova geração literária portuguesa. A temática das suas obras vai desde a questão das origens, passando pelo fim do mundo rural, até à perda da memória cultural da sociedade moderna. A sua produção literária é variada. No entanto, tem-se evidenciado como contista e como romancista de ambientes históricos. Actualmente, é Professor Auxiliar do Departamento de Letras da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, onde se doutorou em Linguística Portuguesa. Tem colaborado em vários jornais e revistas com crónicas, contos e artigos de crítica literária.   

Livros & Leituras – Como se define enquanto escritor? 

José Leon Machado – Eu não me posso definir como escritor, pois não me considero como tal. Não levo demasiado a sério essa faceta, talvez porque entenda que há coisas mais importantes na vida. Escrever é difícil e exigente e, na verdade, eu preferia ocupar os meus tempos livres numa outra qualquer tarefa. A fazer jardinagem, por exemplo. 

L&L – E enquanto professor no ensino superior? 

JLM – Eu sou acima de tudo professor. É nesse trabalho que vou buscar o sustento. 

L&L – A Linguística e a Semiótica são um quebra-cabeças para os alunos? 

JLM – São um quebra-cabeças apenas para os alunos menos aplicados e que não gostam de estudar, o que é, infelizmente, a maioria. As universidades portugueses estão cheias de maus alunos que esqueceram o seu papel: estudar para poderem um dia vir a ser bons profisionais. 

L&L – Enquanto linguista, que opinião tem do Acordo Ortográfico? 

JLM – É um acordo político que tem muito pouco a ver com a realidade linguística portuguesa. Eu continuarei a escrever como tenho escrito até ao momento. Já o Fernando Pessoa tinha feito o mesmo depois da reforma ortográfica de 1911. Morreu a escrever pharmacia 

L&L – A sua produção literária é variada. Por que motivo se tem evidenciado como contista? 

JLM – Os meus livros premiados até ao momento são os de contos. Talvez isso tenha alguma relevância. Pessoalmente, gosto de escrever contos (publiquei até ao momento três colectâneas). São óptimos como exercícios de escrita. Mas um escritor tem de avançar para coisas mais amplas, para poder fazer crescer as personagens e os enredos. E só no romance isso é possível. 

L&L – Em que medida os autores clássicos influenciam a sua obra? 

JLM – No meu curso de licenciatura, estudei Latim e Grego. Li bastante os clássicos greco-latinos e sem dúvida que fui por eles influenciado. O meu romance O Guerreiro Decapitado, cuja acção se passa no século I da nossa era, deve muito a Tito Lívio, Cícero, Apiano, Estrabão, entre muitos outros. Como os autores clássicos não são apenas os greco-latinos, referirei outros que de algum modo me influenciaram: Camões, Padre António Vieira, Alexandre Herculano, Camilo e Eça. 

L&L – Há algum livro que se arrependeu de ter escrito? 

JLM – Se há algum arrependimento, deve-se mais à precipitação em ter publicado determinado livro demasiado cedo. Deveria ter feito mais revisões, mais cortes, mais acrescentos. Mas só a experiência, que vem com a idade, pode dar-nos essa desafectação pelo que escrevemos antes. 

L&L – Os prémios literários que já recebeu motivaram-no para a criação de novos projectos literário? 

JLM – Os prémios são sempre gratificantes, tanto mais que, por alguns momentos, consideram-nos os maiores, mas não me motivaram para novos projectos. Bem pelo contrário: Sempre que isso aconteceu, estive uns meses a preguiçar. 

L&L – Se tivesse de recomendar uma das suas obra a uma amigo, qual seria? 

JLM – Memória das Estrelas sem Brilho. 

L&L – Porquê? 

JLM – Primeiro, porque, sem desfazer dos outros, foi o melhor livro que escrevi até ao momento; segundo, porque relata uma experiência vivida por um homem numa guerra de extrema violência, abandono e solidão. 

L&L – E se fosse a uma amiga, qual seria o livro? 

JLM – Os Incompatíveis. 

L&L – Porquê? 

JLM – Porque procura explicar por que razão os homens e as mulheres, não podendo viver uns sem os outros, mentêm conflitos que, à luz da natureza, são inexplicáveis. 

L&L – Que importância tem o Projecto Vercial? 

JLM – Tem sido, a acreditar no que vou ouvindo, importante para a divulgação da Literatura Portuguesa no estrangeiro. Mais de metade dos acessos é de fora do país. 

L&L – Que opinião tem das redes sociais: Faceboock, Hi5, Twitter? 

JLM – Apesar de eu próprio ter uma página no Facebook, tenho uma opinião negativa das redes sociais. Há gente minha conhecida, professores universitários, que perdem horas a jogar no FarmVille e noutras infantilidades, em vez de estarem a fazer qualquer outra coisa útil. 

L&L – Que podem esperar os seus leitores para 2010? 

JLM – Um novo romance, que acabei de escrever, e que é a segunda parte da trilogia iniciada com Memória das Estrelas sem Brilho.

 
O CÂNTARO RACHADO PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
OPINIÃO - Colaboradores
Escrito por Dulce Rodrigues (Bélgica e Luxemburgo)   
Domingo, 07 Fevereiro 2010 15:46

A Primavera começa a mostrar a ponta do nariz e as flores despontam timidamente nos campos, aparecendo-nos mais ou menos belas conforme a perspectiva do nosso olhar. O mesmo se passa com as qualidades das pessoas: as que para uns podem ser defeitos, para outros podem revelar-se virtudes. Para ilustrar este meu ponto de vista, vou contar-vos a seguinte história, que já contei numa das minhas inúmeras visitas a escolas. É um conto filosófico que passou um dia pela minha vida...  

Era uma vez uma velhinha que vivia numa aldeia lá para os confins da China, onde não havia nem electricidade nem água.

Sempre que ia buscar água ao rio, a velhinha levava dois grandes cântaros, cada um deles pendurado na extremidade da vara que trazia sobre os ombros. Um dos cântaros tinha uma racha, enquanto que o outro não tinha qualquer falha. Sempre que a velhinha chegava ao fim da longa caminhada do rio até casa, o cântaro sem racha estava completamente cheio, mas o outro só conservava meia porção de água. 

Durante dois anos, todos os dias acontecia o mesmo: a velhinha chegava a casa somente com cântaro e meio de água.  Claro que o cântaro sem defeito estava todo orgulhoso do serviço que prestava, mas o pobre do cântaro rachado envergonhava-se por causa do seu defeito e sentia-se infeliz por só trazer metada da porção que devia. 

Ao fim dos dois anos, achando que tinha feito um mau serviço, o cântaro rachado disse à velhinha: "Estou tão envergonhado do meu defeito, que deixa verter água durante todo o caminho até casa."  

A velhinha sorriu e disse-lhe: "Já reparaste que o caminho do teu lado está cheio de flores, mas que do lado do outro cântaro não há nenhumas? A razão é que, como eu sabia desde sempre que tinhas uma racha, semeei flores ao longo do caminho do teu lado, que tu regas todos os dias quando voltamos para casa. Durante dois anos, eu pude assim colher estas flores que embelezam a nossa mesa. Se não fosses como exactamente és, a nossa casa não estaria tão lindamente enfeitada."  

Caro leitor, não se esqueça de apreciar o perfume das flores do seu lado do caminho e pense que cada um de nós tem os seus próprios defeitos, mas são essas imperfeições de cada um de nós que tornam a vida em comum interessante e gratificante. Por isso devemos aceitar cada pessoa tal como ela é, tentando ver nela o seu melhor. 

A imagem (Quadro de Papoilas) foi pintado por uma amiga minha que tem um interessante espaço na Internet: http://arteanalorvao.blogspot.com

 
VENCEDORES DO II PASSATEMPO LITERÁRIO L&L PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
CONCURSOS - Passatempo Literário L&L
Sábado, 06 Fevereiro 2010 11:26

 

 

O II Passatempo Literário L&L, que contou com o apoio da K EDITORA, contou com a participação de 27 trabalhos. Nesta segunda edição, quisemos saber quem foi o escritor português de 2009.  Depois de uma criteriosa e difícil selecção, a equipa da revista LIVROS & LEITURAS seleccionou as três melhores participações para publicação aqui na L&L. Os 10 primeiros concorrentes / vencedores vão ser premiados com uma oferta L&L / K EDITORA.   

 

1º Lugar - Maria Nóvoa (Chaves)

Sei que a minha opinião quanto ao escritor de 2009 pode vir a gerar alguma controvérsia. Talvez a revista Livros & Leituras até tenha algum receio de premiar e publicar um texto destes mas, como a censura já ficou para trás há muito tempo, vamos lá tentar. José Saramago é um escritor que, enquanto for vivo e nos privilegiar com a partilha do seu génio, não irá desiludir o seu público fiel. Devo dizer que a minha admiração por este criador e reinventor de histórias e da própria História do Homem não começou cedo. Quando me foi imposta a leitura do Memorial no secundário, confesso que atalhei caminho pelos resumos da Europa-América. Naquela altura, a escrita de Saramago parecia-me uma floresta densa e impenetrável. Simplesmente não tinha maturidade para dali retirar todo o potencial da obra. A quantos não terá acontecido o mesmo?

Foi só uns anos mais tarde que recuperei a coragem para voltar a tentar ler o nosso Nobel. A idade era outra e o texto e o contexto também. Perdi o medo e ganhei um amigo que não conheço. Acompanhei os Diários, andei de Jangada, recuperei Ricardo Reis e perdi a Cegueira. Por dizer o que pensa, o que muitos não têm coragem de dizer e por não ser hipócrita, já foi criticado, punido, renegado. Mas nunca foi silenciado. Este país é pequeno, tem falta de ar e de espaço para o génio, sofre de um mal crónico de inveja e de uma tristeza angustiante.

Pegue-se nos mais recentes Caim ou A Viagem do Elefante e saia-se daqui para fora. Alcancem-se outros mundos através de uma escrita de qualidade, de uma ideia que sempre surpreende, de uma pontuação que só um génio sabe utilizar daquela forma. Aprenda-se com Saramago, sempre! Enquanto podemos. E que não nos falte tão cedo.

2º Lugar - Nuno Alexandre Antunes (Vila Nova de Gaia) 

Penso que não terei grande sorte de ser um dos premiados do passatempo literário que estão a realizar, porém deixo aqui o meu aplauso e saudação a ideias destas. Tudo o que incentive os portugueses a escrever é sempre bem-vindo. Os parabéns, portanto, à Livros & Leituras e à K Editora que se associou a este passatempo literário. Respondendo ao desafio, conto ser breve. Não são necessárias muitas palavras para explicar a razão da escolha. Para mim, o escritor luso do ano 2009 é José Rodrigues dos Santos. A minha eleição nada tem a ver com a mediatização que teve a sua mais recente obra, “Fúria Divina”.

O Conjunto dos seus cinco livros, que li com muita dedicação, diz tudo. Há no escritor uma magia que contagia soberbamente os seus leitores. Para quem não acredita, então que pegue no “Codex 632” ou na “Fórmula de Deus” e confirmará o que digo. O Prémio Clube Literário do Porto, que recebeu em final de 2009, foi a justa homenagem de um trabalho árduo desenvolvido por este jovem escritor. José Rodrigues dos Santos é muito objectivo na escrita. Talvez tenha ido buscar esse seu estilo ao jornalismo, que se quer claro e objectivo. As suas palavras dizem o que têm de dizer e a mais não são obrigadas. Enquanto as metáforas ficam de foram, nos livros entra informação e o conteúdo. Entra também a imaginação. O autor não escreve por escrever. Documenta-se em várias fontes e passa para o papel o real. As imagens de cenários e gentes são muito fortes. Vivemos as suas histórias como se tivéssemos lá estado na primeira pessoa, com a garantia de continuarmos a ter lugar na primeira fila do espectáculo.

 

3º Lugar - Vitor Burity da Silva (Porto)

 

A António Lobo Antunes e a Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra No Mar. Melhor livro de 2009.EXPLICA-ME O DEUS

Fonte nauseabunda de pecúlios sem regra, um esquimó sôfrego de espinha entalada, a rastejar-se sozinho nos gelos imaginados das janelas avulsas da cidade a perder-se, um céu à esquina, um delírio inventado para me contorcer como ele em vómitos corrosivos de agentes da lei a deflagram-se sem fim, como quando era pequeno e ia devagar ao zoo ver os desenhos animados à volta da minha casa, pendurados nos estribos de arame esticados para me deliciarem, o cheiro arruinado estendia-se pelos enxofres varridos da tarde naquela visita solitária da minha vontade, às paredes fechadas. A voz da minha mãe enxotava-me para o interior, recriava sem regras, enfim, passos como outra coisa qualquer na andadura do tempo, na andadura das sementes que secam no quintal das nossas rezas, sim, ela era fiel, é ainda fiel aos pergaminhos divinos da igreja. Talvez eu soubesse do riso, sentisse sobre o mar os navios enxotados nas ondas, um dia a margem incumbira como recado desligar-me das coisas desta rua onde moro, um lugar distante da terra com efeitos de estrelas, uma viagem dos sonhos na viatura de ninguém na estrada de nada num refutado silêncio, de dois que apenas se falam no silêncio dos lençóis, despidos, de costas um para o outro, ninguém ali sabe rezar e isso nunca me agradou, pergunto: Que aventas do terço? Nada a responder na sala, ninguém segue comigo o silêncio secreto ou sagrado desta morte de vícios, queira um dia a mata sufragar-me, deleitar-me nos seus silêncios escondidos por trás da vontade como quem se embala num refego de calmas perdidas: Explica-me então tu o que souberes dos passos a caminho das nuvens, fala-me das coragens inventadas das leituras abortadas, desse rosto sem explicação faz-me entender o silêncio, explica-me o retorno dos beijos e que mais, como uma estrada difusa de lados barrados pela alcofa metálica dos rails, como se um raio nos invadisse madrugadas a fim, a fim de descobrir-me por margens caladas. Ao ler deliciosamente este recreio descrito nas páginas da vida vou lentamente entrando numa dispersão vagabunda dos meus vícios, sem medos, como se fosse por ventura, um soldado abandonado nos claustros da razão e deglutir-me, ali mesmo, para que se saiba, os recreios elaborados por dissertações de filosofias encarnadas na pele da gente de lá, ou fossem refrães de cânticos natalícios estes beijos que sinto na tua pele?

 

 
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